Política

Aprovado plano para desenvolver a Internet das Coisas (IoT) no DF



A Internet das Coisas – como é denominada a rede de objetos que contêm dispositivos capazes de se conectarem via web, como veículos, aparelhos domésticos e artefatos acionados por controle remoto – é o propósito do projeto de lei nº 524/2019, de autoria do deputado Delmasso (Republicanos), aprovado em segundo turno e redação final, na sessão remota da Câmara Legislativa desta quarta-feira (12)


Foto: Rogério Lopes.

O PL institui o “Plano Distrital de Internet das Coisas” e trata ainda da criação da Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas.

“Políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação constituem ações para o fomento de atividades que possam resultar em crescimento e desenvolvimento”, justifica o parlamentar. A proposição, que segue para a sanção do governador para virar lei, ressalta que a implementação e o desenvolvimento da medida têm de levar em conta diretrizes de segurança da informação e de proteção de dados pessoais.

A diversidade de aplicações da Internet das Coisas (IoT) vem revolucionando a forma como nos relacionamos com a tecnologia. Graças às possibilidades inovadoras que ela permite, todos os setores do mercado estão passando por mudanças estruturais significativas. Os avanços são tantos que muita gente não se dá conta de que a IoT está mais perto do que parece.

Afinal, você sabe como essa tecnologia pode ser aplicada? Mostraremos aqui como surgiu a IoT, como ela funciona, quais são seus principais impactos na sociedade e suas maiores aplicações no mundo atual. 


Surgimento da Internet das Coisas
Em 1999, o especialista britânico em tecnologia Kevin Ashton apresentou o termo Internet of Things em sua palestra na empresa Procter & Gamble (P&G). Inicialmente, ele propunha que se os computadores fossem capazes de saber as coisas através de dados coletados sem intervenção humana, seria possível otimizar diversas atividades rotineiras.

O tempo passou e a tecnologia evoluiu rapidamente em diversos âmbitos que fomentaram a transformação dessa ideia em realidade. Com processadores poderosos, redes sem fio e baterias capazes de sustentar microcircuitos por mais tempo, a IoT entrou definitivamente em nossas vidas. Para entender como isso aconteceu, veja a seguir como ela funciona exatamente.

Como a IoT funciona
Um dispositivo com tecnologia IoT nada mais é do que um eletrônico que consegue se comunicar com outros sistemas por meio de uma conexão sem fio (wireless). Em outras palavras, o aparelho é capaz de transmitir dados para uma solução digital, da mesma forma que acontece entre dispositivos conectados à Internet.

Imagine, por exemplo, um sensor de temperatura de uma máquina. Com a tecnologia IoT, ele pode ser inserido em locais de difícil acesso. Pela rede sem fio, ele envia os dados coletados em tempo real para um software que faz o monitoramento com alta precisão. E essa é apenas uma das aplicações na indústria, setor que está entre os mais beneficiados pela IoT.

O impacto da tecnologia na sociedade
A otimização de atividades não ocorre apenas no mercado, mas é ampla também no ambiente doméstico e nas cidades como um todo. O bem-estar da população é um foco importante da tecnologia — algo que já está sendo aproveitado pelos governos ao redor do mundo.

Velocidade
A informação é capaz de gerar valor, promovendo tomadas de decisão mais eficazes na rotina operacional. Nesse sentido, um dos principais impactos da IoT é o ganho de velocidade nas transferências de dados.

Por meio de conexões sem fio e automatizadas, a intervenção humana deixa de ser o principal vetor de coleta e armazenamento de dados. Não à toa a gama de aplicações da Internet das Coisas no varejo e na indústria é tão grande.

Sem fio
A IoT tende a reduzir o uso de cabos e fios elétricos, beneficiando empresas e usuários domésticos. A comunicação “pelo ar” deve tomar proporções quase absolutas nos próximos anos, ao menos para a troca de dados.
6 aplicações da Internet das Coisas

Essa tecnologia já faz parte da nossa rotina. Aos poucos, ela foi ganhando espaço em objetos comuns como relógios, celulares e até em nossa casa. Veja exemplos de IoT que mostram como essa novidade está mais perto do que imaginamos.

Smartwatch
Um dos principais exemplos de internet das coisas é o smartwatch. Conectado ao smartphone via IoT, o smartwatch se torna extremamente prático. Isso porque não só otimiza as funções do celular, como também estende a sua capacidade. Sistemas de monitoramento de batimento cardíaco e de atividades físicas são bons exemplos disso.

Smarthomes
Nas casas inteligentes os eletrônicos se comunicam com um smartphone para permitir que o usuário gerencie os ambientes na palma da mão. Geladeiras inteligentes, sistemas de compras automáticas, televisão e iluminação são apenas alguns exemplos. Para ir além, o controle pode ser feito via comando de voz.

Carros inteligentes
Os veículos autônomos estão cada vez mais inteligentes graças à IoT. Com a tecnologia, eles podem se comunicar com o seu dispositivo móvel e trocar dados. Também podem otimizar o trajeto em tempo real e promover uma direção mais segura e econômica.

Sensores industriais
A Internet das Coisas na Indústria 4.0 atua como uma das tecnologias essenciais. Por meio de sensores implantados nas máquinas, a fábrica vai se tornando mais inteligente, o que significa ser capaz de gerenciar as próprias atividades. 

Os dados coletados podem ser enviados ao sistema de gestão (ERP), por exemplo, para que a performance da produção traga impactos positivos também para a gestão da empresa.

Automação no varejo
A IoT no varejo permite automatização no negócio, por exemplo, identificando os horários de maior fluxo de clientes. Também é possível levantar quais áreas da loja são mais frequentadas, conhecer melhor o público-alvo etc.

Para isso, uma solução é adotada para mapear os dados fornecidos pelos próprios clientes do estabelecimento. Vale destacar que a Internet das Coisas permite ainda otimizar a gestão de estoque ao monitorar o nível de produtos nas prateleiras em tempo real.

Smart cities
O conceito de cidades inteligentes envolve a aplicação de tecnologias digitais para melhorar o bem-estar da população. O foco deve ser sempre a demanda específica daquela região, o que não inviabiliza a adoção de estratégias que tiveram sucesso em outros lugares.

Em Barcelona, por exemplo, o sistema de coleta de lixo foi totalmente automatizado e funciona a vácuo, pois as lixeiras estão interligadas por uma rede subterrânea. Tel Aviv, em Israel, por sua vez, conta com um amplo sistema de segurança pública. A IoT funciona em câmeras inteligentes para melhorar o tempo de resposta a ocorrências.

Tecnologia a favor das pessoas
Como você pôde ver, as aplicações da Internet das Coisas são muitas. Da integração de dados corporativos no sistema de gestão (ERP) ao uso doméstico, os benefícios são vários. Por isso, invista na modernização da sua infraestrutura tecnológica e conquiste resultados cada vez melhores na sua empresa.

Menos desperdício de comida
Enquanto quase um bilhão de pessoas ainda sofrem com a fome e a desnutrição nos países mais pobres, um terço da comida produzida anualmente para o consumo humano é perdido ou estraga em algum ponto da cadeia de abastecimento, segundo a FAO – órgão da ONU que investiga questões relacionadas à alimentação.

Há como reduzir a dimensão do problema usando a internet das coisas, mais uma vez agindo no ambiente rural. Uma possibilidade é monitorar processos como irrigação, polinização e a fertilização do solo, e fornecer relatórios a fazendeiros. É o que faz a startup israelense Prospera, que também tem um software de gestão para que os produtores gerenciem suas vendas e evitem perdas no transporte das mercadorias.

Na África, onde a logística é mais precária, empresas semelhantes, como Farmerline e ArgoCenta, atuam para ajudar pequenos produtores a canalizar seus produtos rapidamente a distribuidores. Nos aplicativos, eles encontram empresas fabricantes de alimentos interessadas em vários tipos de ingredientes, além de cotações atualizadas de mercado para determinar o preço correto.

Conectando pacientes e médicos
Os sensores conectados também já são usados na medicina. Em vários países, já são usados em vários países dispositivos vestíveis que medem batimentos cardíacos, pulso e pressão sanguínea dos pacientes, deixando seus médicos informados o tempo todo. Isso não só nos hospitais, mas também nas próprias casas dos pacientes, no caso daqueles que enfrentam risco constante.

Tecnologias do tipo também ajudam a controlar epidemias como a de ebola, que eclodiu em 2015 no oeste africano. Na época, o Instituto de Pesquisa Scripps levou à região aparelhos que medem indicadores de risco nas pessoas com o vírus. Com os dados transmitidos via Bluetooth, foi reduzida a necessidade de interação física de médicos com pacientes infectados, ajudando no controle da transmissão da doença.
6. Combatendo o câncer de mama

Com previsão de 59,7 mil novos casos entre as mulheres brasileiras no biênio 2018-2019, segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o câncer de mama já é alvo de diversas campanhas de conscientização no programa Outubro Rosa. Mas o combate pode ser potencializado pela internet das coisas.

A mamografia tradicional pode falhar em identificar a doença nos estágios iniciais. Para resolver o problema, a Cyrcadia Health desenvolveu a ITBra. O equipamento consiste em um top com microssensores que identificam mínimas variações de temperatura na região dos seios. Ao transmitir as informações para o smartphone da usuária ou para o médico, os dispositivos ajudam os profissionais da saúde a identificar padrões que possam representar um perigo para a saúde da mulher.

A Cyrcadia está testando a solução na Ásia, onde questões culturais impedem uma conscientização mais ampla e tornam o câncer de mama ainda mais letal. Espera-se que, em breve, a empresa leve seu produto para outros países.

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