Política

Mães podem amamentar mesmo durante tratamento contra a doença

Desde que siga recomendações médicas, tratamento não interfere na qualidade do leite materno


O aleitamento materno traz diversos benefícios à saúde da mãe e do bebê: entre eles, reforço da imunidade da criança e proteção contra o câncer de mama, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Mas, e se a mãe estiver passando por um tratamento contra o câncer, ou ainda, e se ela descobrir a doença após o nascimento da criança? Ela deve continuar amamentando?

Dentro do mês de agosto se comemora a Semana Mundial do Aleitamento Materno que busca ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. E a médica oncologista clínica, Milena Aparecida Coelho Ribeiro, afirma que sim, é possível amamentar após o câncer ou durante o tratamento, desde que sejam seguidas as devidas recomendações médicas. “Caso a paciente esteja tomando algum medicamento para tratar o câncer, é importante que ela converse com seu médico antes de começar a amamentação, pois a medicação pode se misturar ao leite materno e afetar a saúde do bebê”, esclarece. Milena adverte que o tratamento com radioterapia está autorizado à mulher após o nascimento do bebê. “Inclusive, é liberado também para as mulheres que desejarem amamentar”, acrescenta. O tratamento não interfere na qualidade do leite materno. Para isso recomenda-se hábitos e alimentação saudáveis. “No entanto, é importante entender que a amamentação deve ser contraindicada se a paciente estiver fazendo tratamento quimioterápico, devido aos riscos de toxicidade ao bebê”, alerta.

Durante o período de aleitamento, Milena Ribeiro explica que as taxas de determinados hormônios que favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer caem na mulher. Além disto, alguns processos que ocorrem na amamentação promovem a eliminação e renovação de células que poderiam ter lesões no material genético diminuindo assim as chances de câncer de mama na mulher.

Em casos de câncer de mama, em que a mulher precisa passar por uma mastectomia (retirada da mama), a reconstrução mamária poderá ser realizada, devendo cada caso ser individualizado para que a melhor opção seja utilizada. A médica explica que geralmente é na glândula que aparece o câncer de mama, justificando a retirada. “Dependendo o setor da mama comprometido pela doença e a extensão do tumor, mesmo caso optado por um tratamento conservador, a produção de leite poderá sofrer alterações, devido à deficiência ou ausência de tecido produtor de leite”, esclarece. De acordo com a oncologista, se algum dia a mulher teve câncer de mama, porém, recebeu alta pelo médico, ela poderá amamentar normalmente. E o mesmo acontece com as mulheres que interromperam seu tratamento para amamentar o bebê.

Milena Ribeiro assegura que quanto mais prolongada for a amamentação, maior a proteção para a mãe e o bebê. “Portanto, amamente e encoraje o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e procure manter a amamentação até os dois anos de idade ou mais”, aconselha. Ainda de acordo com a médica, todas as mulheres entre 40 e 69 anos precisam estar atentas e devem procurar assistência especializada caso percebam alterações nas mamas.

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