Política

Negócio sustentável: avanço da Tesla frente ao Facebook em valor de mercado mostra sustentabilidade como aposta da década


O mundo precisa cada vez mais de resoluções sustentáveis nas mais diversas áreas. Com a poluição e degradação do meio ambiente, o ser humano caminha para um futuro obscuro, com recursos essenciais à vida restritos. Por isso, empreendimentos que buscam negócios sustentáveis ganham espaço no mercado e prometem ser grandes protagonistas da década. Um exemplo é a empresa de tecnologia conhecida por comercializar carros elétricos, Tesla. Na última sema na, a gigante e pioneira no setor ultrapassou o Facebook em valor de mercado.

Avaliada em US$ 773,5 bilhões, a Tesla investe em diversas formas de armazenamento e geração de energia sustentável. Famosa por ser uma das primeiras empresas a desenvolver e vender carros movidos a eletricidade, a empresa também aposta na geração e armazenamento de energia para uso residencial e industrial.

De acordo com o professor do curso de pós-graduação em Energias Renováveis do IESB e engenheiro eletricista Fábio Dias, energias renováveis são as que provém de fontes da natureza que não se esgotam, como o ar, enquanto as não renováveis se referem as quais não têm possibilidade de se restabelecer. Além de serem infinitas, as energias renováveis não degradam o meio ambiente no mesmo ritmo que as não renováveis, que costumam liberar grandes quantidades de poluentes na atmosfera.

Um exemplo prático de investimento em geração de energia renovável são as chamadas telhas solares da Tesla. Elas são comercializadas por valores próximos ao das telhas convencionais, e podem ser uma opção mais barata do que a aquisição e instalação de painéis solares. “A Tesla vem investindo nesse segmento de geração e também no de armazenamento, tanto para residências, como usinas de grande porte”, explica.

Nesse contexto, projetos sustentáveis se tornam a alternativa mais saudável para suprir as necessidades atuais da vida humana sem comprometer ou prejudicar o meio ambiente. O crescimento econômico de empresas, países e organizações está diretamente ligado ao quão responsável é a instituição em relação ao seu impacto ao meio ambiente, analisa o professor.

Cenário brasileiro

Para Dias, a preocupação com a utilização de recursos renováveis e o aproveitamento sustentável são temas que foram amplamente debatidos nos últimos anos e cresceram aos olhos das empresas. Isso motiva, segundo ele, investimentos de alto porte no setor, como os que vêm sido feitos pela Tesla e muitos outros que tomam forma, inclusive, no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o país ultrapassou 5 gigawatts (GW) de potência operacional em energia solar fotovoltaica em usinas de grandes, pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos. “Se considerar usinas com outorga e que não tiveram a construção iniciada, podemos chegar a mais de 23 GW de potência”, considera, ao incluir participação da geração de energia por meio de biomassa, eólica, solar e hidrelétrica.

Em comparação com o resto do mundo, o Brasil desempenha bem. De acordo com o Balanço Energético Nacional de 2020, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do total de fontes utilizadas para a geração de energia no Brasil, 17% são não renováveis enquanto 83% são renováveis. Na comparação mundial, o cenário se inverte, sendo 75% das fontes não renováveis, frente a 25% renováveis. “Desde o início do século XX, tivemos muito investimento em hidrelétricas. Esse foco possibilitou um crescimento muito grande das hidrelétricas na nossa matriz”, analisa.

Além disso, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), criado em 2002, é um fator que turbinou a geração de energia por fontes renováveis com o incentivo na criação de pequenas centrais hidrelétricas, usinas eólicas e empreendimentos termelétricos a biomassa. “A partir de 2002, a gente percebe um crescimento muito grande da participação de energia eólica no Brasil, isso foi impulsionado pelo Proinfa”, ressalta.

Por fim, Fábio Dias entende que a maior barreira - que era o custo para a construção dessas usinas de fontes renováveis - foi ultrapassada. “Essa questão de preço foi superada e conseguimos produzir energia renovável de forma competitiva”, afirma. Mas, ele alerta: mesmo com grande extensão territorial, o país deve ter dificuldade quanto a falta de espaço para a instalação de usinas de energia renovável. “Estão partindo para a geração de energia eólica ‘offshore’, ou seja, no mar, porque não tem mais espaço em terra. Esse crescimento e esse aproveitamento, pelo menos no Brasil, tende a crescer muito nos próximos anos”, conclui.


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