Política

Influenciadora fala sobre inclusão e encorajamento de pessoas com deficiência

Andrea Schwarz é especialista em inclusão no mercado de trabalho das pessoas com deficiência, há 20 anos. A oportunidade de negócio está ligada diretamente à sua história. Ao se tornar cadeirante em 1998, com apenas 22 anos, se viu morando em um país – o Brasil – considerado completamente inacessível. A empresária percebeu que a sua realidade também era a de milhares de pessoas, e que o trabalho tinha um forte impacto na vida delas. Andrea passou então a analisar como era feita a contratação das pessoas com deficiência (PcDs) e começou a estudar e se especializar na área. Hoje, junto com o marido, Jaques Haber, é CEO da empresa “Igual Inclusão e Diversidade”, uma consultoria especializada no tema.

A história de Andrea, repleta de determinação e inconformismo com uma realidade dura e desigual, inspirou a senadora Soraya Thronicke, presidente nacional do PSL Mulher, que fez o convite para que a empresária participasse do último bate-papo on-line do Brasil Certo, realizado na última sexta-feira “Diferente de muitos, Andrea não se abalou por uma situação adversa e conseguiu transformá-la em oportunidade e numa forma de ajudar outras pessoas com deficiência a estar no mercado de trabalho. Assim como eu, cada uma dentro da sua realidade, ela saiu da fila dos que reclamam e partiu para a fila daqueles que lutam para fazer a diferença no mundo à sua volta”, destacou a senadora.

O Brasil Certo é um programa idealizado pela senadora Soraya Thronicke para formar lideranças femininas que queiram construir soluções práticas em suas comunidades. O projeto, por meio de cursos e com exemplos de liderança, perseverança e força, quer inspirar mulheres a conduzir o Brasil à uma verdadeira transformação. 

Durante o evento online, Andrea contou sua história e disse como encarou todas as mudanças que a deficiência física exigiram em sua vida.  Ela tornou-se cadeirante já adulta, em função de uma malformação que tem na coluna espinhal, condição congênita e muito rara. A partir daí, o passo seguinte foi adequar-se à nova realidade. “Quando vi minha cadeira de rodas, enxerguei liberdade e a possibilidade de viver uma jornada diferente! A minha cadeira é parte do que eu sou hoje”, afirmou.

No entanto, Andrea logo percebeu que a sociedade não estava preparada para acolhê-la e conviver com a sua nova condição. “Meu lugar sempre foi onde eu quis estar, mas de repente percebi que na sociedade não havia lugar para mim. Decidi então que eu iria lutar por um mundo mais inclusivo, e isso acabou virando meu propósito de vida”, acrescentou. “Mas isso só foi possível porque eu aceitei a minha condição. Eu disse sim para mim, mesmo a sociedade me dizendo não.”

Durante o bate-papo inspirador, acompanhado por mulheres do Brasil todo, Andrea falou sobre o relacionamento com os filhos, que já conheceram a mãe sobre uma cadeira de rodas. Ela contou, inclusive, sobre os dois partos cesárias que aconteceram praticamente sem anestesia, devido à sua condição. “Eu queria que a sociedade me visse com as lentes inclusivas dos meus filhos. Eles aprenderam desde muito cedo que ninguém faz nada sozinho; eu dependo deles e eles dependem de mim. Todo mundo tem suas limitações e seus potenciais”, explicou, emocionada.

Andrea também contou sobre o Linkedin Top Voice, que recebeu em 2019 devido à sua influência e relevância na rede acompanhada hoje por mais de 40 milhões de usuários. “O tamanho do nosso privilégio é o tamanho da nossa responsabilidade. Fiquei extremamente feliz e realizada, mas também entendi o tamanho da minha responsabilidade com esta causa.”

Respondendo a pergunta da senadora e também aquelas enviadas pelo público, Andrea Schwarz falou sobre o preconceito no mercado de trabalho, capacitismo e como tem sido a experiência de empreender em um mercado tão fechado para os portadores de deficiência. “Eu não enxergo a minha deficiência como a sociedade enxerga. Eu não sou só a minha deficiência; eu sou muito mais coisas do que ela! Eu poderia ter ficado no sofá, me lamentando e vendo a vida passar mas eu pensei: o que eu posso fazer para que seja diferente?”, afirmou a palestrante.


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