Empresário bolsonarista é preso no DF após tentativa de atentado no aeroporto de Brasília

Polícia Civil encontrou arsenal de armas e bombas com empresário bolsonarista detido

Fotos: Facebook e PCDF.

O terrorista bolsonarista George Washington de Oliveira Sousa, preso por tentar explodir uma bomba em Brasília, afirmou em depoimento à Polícia Civil que planejou com os acampados no QG do Exército instalar explosivos em pelo menos dois locais da capital federal para "dar início ao caos". Seu objetivo, revelou, era levar à "decretação do estado de sítio no país", o que poderia "provocar a intervenção das Forças Armadas". A Folha de S. Paulo teve acesso ao depoimento de George. O terrorista mencionou a bomba neutralizada pelas forças de segurança pública no sábado (24) e também planos de instalar explosivos em postes de energia próximos a uma subestação de distribuição em Taguatinga.

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, participou do Bom Dia 247 neste domingo de natal (25) e observou que "o responsável direto pelo terrorismo é o Bolsonaro", ao condenar as ações de terroristas bolsonaristas nas portas dos quartéis que se recusam a aceitar o resultado das eleições e clamam por um golpe militar.

Kakay ressaltou que “quem ainda detém as forças repressivas é o governo Federal, então devemos sim tomar cuidado”. “O movimento de invasão no Capitólio, nos EUA, é claro que tem repercussão no Brasil e a sociedade precisa tomar cuidado. Não existe uma movimentação internacional para abalar o estado democrático de direito, mas sim grupos já conhecidos que se inspiram no que ocorreu nos EUA e que foram muito bem reprimidos pelo STF e TSE”, apontou.

No entanto, o advogado criminalista ponderou que agentes de inteligência já atuam para combater núcleos terroristas, como ocorreu neste sábado com a prisão do empresário bolsonarista George Washington De Oliveira Sousa, que tentou explodir o aeroporto de Brasília, e projeta tranquilidade na posse de Lula, assim como a manutenção do democrático de direito.

Kakay ainda reforçou que é função do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, é garantir a segurança da população.

Em coletiva à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Robson Cândido, informou que o preso é o empresário George Washington de Oliveira Sousa do Pará, de 54 anos, que faz parte do grupo acampado em frente ao Quartel General do Exército e confessou que pretendia cometer um atentado na capital federal para chamar atenção do movimento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que quer impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

"Ele confessou que realmente tinha a intenção de fazer um crime no aeroporto, que seria destruir um porte ou algo do tipo para causar o caos e o objetivo dele era justamente chamar atenção para o movimento que eles estão empenhados", disse Cândido.

O homem foi preso após tentativa de explodir um caminhão-tanque, que estava próximo ao aeroporto de Brasília. A prisão ocorreu após denúncia à polícia da presença de um artefato explosivo, que logo em seguida foi detonado. O caso aconteceu da tarde de sábado (24).

"Ele é morador do Pará e veio justamente para participar de manifestações no QG [Quartel General do Exército]. Ele faz parte desse movimento de apoio ao atual presidente [Jair Bolsonaro] e estão imbuídos nessa missão, segundo ele, ideológica, mas que saiu do controle e as autoridades policiais, principalmente aqui em Brasília, iremos tomar todas as providências", acrescentou.

O delegado-geral afirmou ainda que atentados com bombas nunca foram registrados em Brasília. A PCDF encontrou armas, munições e outras emulsões explosivas com o homem em um apartamento no bairro do Sudoeste. Apesar de ter registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), o material encontrado estava irregular.

"Nós não iremos permitir que nenhum tipo de manifestação possa causar mal às pessoas ou ao patrimônio público", assegurou. “Ele é CAC, porém está tudo fora das normas e será autuado por posse, porte de arma ilegal de fogo, munições e artefatos explosivos e crime contra o Estado Democrático de Direito”, completou.
Flávio Dino

Por meio do Twitter, o futuro ministro da Justiça do governo eleito, Flávio Dino, classificou de "terrorismo" a tentativa de explodir um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília investigada pela polícia de Brasília.

"Os graves acontecimentos de ontem em Brasília comprovam que os tais acampamentos ‘patriotas’ viraram incubadoras de terroristas. Medidas estão sendo tomadas e serão ampliadas, com a velocidade possível", afirmou Dino. "O armamentismo gera outras degenerações. Superá-lo é uma prioridade".

Flávio Dindo agradeceu a rapidez da Polícia Civil do DF.
“Reitero o reconhecimento à Polícia Civil do DF, que agiu com eficiência. Mas, ao mesmo tempo, lembro que há autoridades federais constituídas que também devem agir, à vista de crimes políticos”, disse. “Não há pacto político possível e nem haverá anistia para terroristas, seus apoiadores e financiadores”.

Em uma nova postagem, o futuro ministro postou que pretende propor que o Procurador Geral da República e o Conselho Nacional do Ministério Público constituam grupos especiais para combate ao terrorismo e ao armamentismo irresponsável. “O Estado de Direito não é compatível com essas milícias políticas.”

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