Lideranças femininas contribuem para moldar parceria estratégica entre Brasil e Alemanha

 Neste Dia Internacional da Mulher, elas falam da importância da presença das mulheres no comando das empresas

A participação feminina em cargos de liderança nas empresas brasileiras ganha força a cada ano e merece ser celebrada neste Dia Internacional da Mulher. Nos últimos dez anos, o índice passou de 35,7% (2013) para 39,1% (2023) do total, segundo um levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Para alcançar a paridade entre os gêneros, no entanto, ainda demanda ação, empenho e tempo.

Estudos como este costumam mostrar que empresas com mulheres em cargos de liderança tendem a ter melhor desempenho financeiro e uma cultura organizacional mais positiva. Apesar dos bons resultados, o Brasil não tem uma legislação específica para promoção da liderança feminina nas empresas, mas há iniciativas e propostas em discussão no país, com a adoção de políticas internas de diversidade e inclusão em busca do aumento desta representatividade.

"As lideranças femininas trazem uma perspectiva única e diversidade de habilidades para o ambiente de trabalho. Elas são capazes de promover a inclusão, a colaboração e a inovação, também demonstram habilidades de comunicação, empatia e resolução de problemas que são muito valorizadas, em diversos contextos", avalia Marcela Bollmann, assistente de projetos da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no Paraná (AHK Paraná). 

O Brasil poderia usar como exemplo uma iniciativa alemã, que tem avançado na promoção da liderança feminina nas empresas, por incentivo da Lei de Paridade de Gênero, aprovada em meados de 2021. Como conta Marcela, ela penaliza grandes companhias listadas na bolsa que não tenham nenhuma executiva em sua diretoria. "A lei alemã exige que estas companhias tenham mulheres ocupando 30% das cadeiras nos conselhos de administração. Há uma conscientização crescente sobre a importância da diversidade de gênero para o sucesso das empresas por lá, que tem impulsionado melhores práticas de recrutamento e desenvolvimento de talentos", diz.

Muheres diplomáticas

A própria embaixada da Alemanha em Brasília tem uma mulher à frente e  a primeira mulher a ocupar o cargo de Embaixadora da Alemanha no Brasil. Desde setembro de 2023, Bettina Cadenbach é a embaixadora. A diplomata estudou línguas românicas, é especialista em ciência política e trabalhou como jornalista. "O Brasil e a Alemanha estão intensificando sua parceria estratégica. Fico feliz em ajudar a moldá-la", declarou Bettina, na ocasião de sua posse, no ano passado.

Assim como a embaixadora alemã, o consulado da Alemanha em São Paulo também empossou a primeira mulher no cargo de cônsul-geral, em mais de 150 anos de representação diplomática alemã na cidade. Martina Hackelberg assumiu o desafio em agosto de 2022.

Quem visita o escritório do Consulado-Geral da Alemanha, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, logo se depara com uma parede onde estão pendurados os retratos de 19 homens, ocupantes do posto no pós-2ª Guerra. Em seu discurso de posse, Martina citou a importância de abandonar velhos clichês, como direcionar mulheres para gerir a política cultural e deixar os temas econômicos nas mãos dos homens.

Para a cônsul-geral, a igualdade é um direito humano e a sua garantia é um elemento fundamental da democracia. "É por isso que a política externa alemã se empenha em promover os direitos das mulheres e a igualdade de gênero, no âmbito de uma política externa feminista ativa", destaca Martina.

A representante diplomática revela que, ao ser a primeira mulher a ocupar o cargo de cônsul-geral da Alemanha em São Paulo, tomou a tarefa como particularmente importante para ela. "O Dia Internacional da Mulher recorda-nos que ainda há muito a fazer. Isto inclui o aumento da proporção de mulheres nos cargos de gestão na diplomacia. Felizmente, esta cota está finalmente aumentando, e com razão, pois não há dúvida que elas são igualmente talentosas”, afirma Martina.

Sobre a AHK Paraná – Estimular a economia de mercado por meio da promoção do intercâmbio de investimentos, comércio e serviços entre a Alemanha e o Brasil, além de promover a cooperação regional e global entre os blocos econômicos. Esta é a missão da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), entidade atualmente dirigida pelo Conselheiro de Administração e Cônsul Honorário da Alemanha em Curitiba, Andreas F. H. Hoffrichter.


Martina Hackelberg, cônsul-geral da Alemanha em São Paulo
Divulgação GK SP/Marcelo Justo


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