Opinião: Implementação de FinOps e cultura de responsabilidade nas áreas de negócios otimizam gastos em nuvem

 


*Por Thiago Uchoa, Head de Cloud da Service IT


Os altos valores das faturas de serviços de nuvem têm tirado o sono de muitos CIOS e CFOS. Devido à adoção cada vez mais dinâmica de serviços on cloud, em que o poder de contratação de novos serviços está em um simples “clique” do usuário ou desenvolvedor, ficou extremamente complexo, para as organizações, mapearem a origem dos desvios mensais de suas faturas. 

É inegável que a nuvem pública é uma grande aliada das áreas de negócios, acelerando muito a construção de novos produtos para os clientes, mas a falta de visibilidade sobre o consumo e a ausência de uma cultura de responsabilidade individual sobre cada dólar gasto causam um cenário de descontrole que, muitas vezes, anulam boa parte dos benefícios da nuvem pública. Se existe naturalmente uma dificuldade no mapeamento dos gastos em ambientes concentrados em uma única nuvem, isso se agrava em ambientes multicloud, em que temos conceitos de cobrança sobre serviços e modelos de contratos distintos entre os provedores de nuvem. 

Implementar visibilidade e controle sobre o consumo de serviços de nuvem, sem impactar no tempo de entrega dos serviços para as áreas de negócios, é um grande desafio. Entretanto, os interessados em implementar tais controles agora possuem um guia efetivo: FinOps, que é uma disciplina de gestão financeira na nuvem com uma prática cultural que busca maximizar o valor do negócio em ambientes de nuvem. Um importante passo para implementar a disciplina de FinOps em uma organização é escolher uma ferramenta que entregue a completa visibilidade dos ambientes de cloud, multicloud ou até mesmo hybrid-cloud. 

A mudança cultural na organização após a implementação da disciplina de FinOps não ocorre instantaneamente. Existe uma curva de maturidade que costumeiramente se divide em 4 fases: Visibilidade, Otimização, Automação e Integração.

- Visibilidade: primeiro estágio após a conexão da ferramenta de FinOps com as nuvens gerenciadas. Aqui existe um benefício imediato, onde temos completa visibilidade de todos os serviços consumidos, inventário de ativos, histórico de custos, performance e temos os primeiros insights de redução de custos em nuvem. A unificação da visão de custos multinuvem requer uma ferramenta de FinOps como centralizador dos dados. Essas informações de consumo ficarão disponíveis para as áreas de negócios ou áreas financeiras, através de relatórios exclusivos, para acesso em tempo real por parte das pessoas pertencentes à essas áreas. Nessa fase são criados os relatórios multinuvem baseados em tagging, centro de custos, projetos, campanhas, subscrições, regiões e qualquer ou tipo de agrupamento (perspectiva) que faça sentido para as áreas de negócios. Nesse nível de maturidade colhemos os benefícios de gestão, showback, chargeback e forecast do ambiente.

- Otimização: com a visibilidade completa do ambiente de nuvem, a organização passa a enxergar os desperdícios em seu ambiente de nuvem. Endereços IPs, discos de armazenamento, snapshots, bancos de dados e servidores são exemplos de recursos em situação de desperdício que podem estar provisionados no ambiente (impactando na fatura de cloud) mas sem utilização real (sem gerar valor ao negócio), com a possibilidade de estarem subutilizados ou, em pior caso, não estarem em utilização mas sendo contabilizados no custo mensal da nuvem.

- Governança e automação: nessa fase as organizações estabelecem políticas, processos e controles para gerenciar os gastos em nuvem. As áreas de negócios e/ou departamento participam da definição de orçamentos, a alocação de recursos, a implementação de fluxo de aprovações, cerimônias de revisões de custos, bem como a criação de relatórios e métricas para acompanhar os gastos de nuvem ou multinuvem. Escolher uma ferramenta de FinOps com funcionalidade de automação, que permita uma análise em tempo real dos custos em nuvem, alertas automáticos sobre os desvios de gastos, a criação de políticas de custo automatizadas. A integração com ferramentas de ITSM, colaboração e automação avançada são grandes aliados para uma governança proativa dos custos de nuvem.

- Integração com o negócio: último estágio de uma implementação de FinOps bem-sucedida é quando a organização toma decisões de negócios utilizando os insights oriundos dos relatórios de FinOps. Utilizando informações sempre atualizadas (real-time) que podem ser acessadas através de relatórios ou dashboards que podem ser acessados de qualquer lugar em qualquer momento. Nessa fase todo novo serviço é criado dentro das políticas que foram definidos na fase de governança, que aqui podemos chamar de guardrails, atrelando um contexto de negócio para cada novo item de infraestrutura e aplicação, para que todas as áreas de empresa (operações e negócios) tenham completa visibilidade do valor gerado por esse novo serviço.

A adoção de uma ferramenta de FinOps não é suficiente para ter resultados efetivos e colher os benefícios da implantação dessa disciplina fundamental para gestão de nuvem. O sucesso em FinOps vem com uma mudança cultural na organização, que é a responsabilidade sobre o dólar (ou real) gasto mensalmente. É imprescindível, também, que a organização que busca implementar o FinOps defina no mínimo um “líder FinOps” que será responsável por interagir com as áreas de negócios da empresa e área financeira da empresa, buscando entender a melhor “linguagem” de identificação de custos dessas áreas e visão de orçamento para cada área ou projeto.  

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