População lamenta fechamento das tendas da dengue no DF

Após atenderem mais de 51 mil pessoas, estruturas emergenciais serão desativadas. Pacientes elogiam atendimento e lamentam fechamento das tendas


As 11 tendas de acolhimento e hidratação implementadas no Distrito Federal (DF), em abril, para atender os pacientes com sintomas de dengue começaram a ser desmontadas na última segunda-feira (10). Segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF), foram atendidas 51.640 pessoas desde 11 de abril. Agora, os pacientes acometidos pela arbovirose deverão buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

A primeira estrutura a ser desmontada foi a do Guará, que funcionou até o último domingo (9). Para a desmobilização, que será de forma gradativa, a SES-DF informou que há um cronograma, que tem como base a data de inauguração de cada uma das tendas, uma vez que o contrato prevê serviço de 60 dias a partir do início das atividades de atendimento. Hoje (13) será desmontada a tenda de Planaltina e o desmonte deverá ser encerrado no dia 27 deste mês, com o fechamento da tenda do Areal. 

População ainda desconhece a desmobilização 

A reportagem do jornal Correio Braziliense foi à tenda no estacionamento do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) para conversar com pacientes que buscavam atendimento. Surpresos, declararam não saber da desmobilização das tendas e demonstraram descontentamento com a notícia. 

Wanda Eliene Nascimento, 47 anos, moradora da região, foi ao local em busca de atendimento para a filha Lee Rane Nascimento, 20, que apresentava sintomas da enfermidade. A mãe contou que foi a primeira vez que precisaram usar o espaço para hidratação e ficaram satisfeitas. Ao serem informadas sobre o desmonte, disseram que gostariam que o serviço permanecesse. "A gente fica triste, porque fomos muito bem atendidas, fizemos exames e recebemos encaminhamento para fazer outros. Eu não sinto que as tendas resolvem apenas os casos da dengue, mas encaminham o paciente para resolver outras situações que não podem ser solucionadas aqui", explicou. 

Wanda Eliene gosta muito do atendimento das tendas

No caso de Patrícia Caroline Santos, 32, moradora de Ceilândia, a apreensão é acerca de uma eventual superlotação das unidades básicas de saúde (UBS). Ela tentou atendimento em outras unidade de saúde, mas somente na tenda foi acolhida. "Acabei de procurar o hospital e não fui atendida. Aqui me receberam e falaram que não estou com dengue, que é uma infecção de garganta bem forte, mas, ainda assim, me atenderam e passaram os medicamentos. No início deste ano, minha filha de 9 anos teve dengue hemorrágica e nós recebemos atendimento na outra tenda que tem aqui em Ceilândia. Se tirarem as tendas agora, as UBS ficarão lotadas", lamentou. 

A gestora pública, Indi Santos, 52, elogiou o trabalho nas tendas e compartilha a preocupação. A moradora de Ceilândia ponderou que os espaços ajudaram a comunidade. "Elas desafogam os hospitais. Algumas atendem 24 horas e a população corre para cá. Se conseguissem deixar as tendas aqui, ajudaria a sociedade. Penso que, se mandarem as pessoas para as UBS, ficará muito ruim", reclamou. 

As tendas desafogam as UBS, que podem lotar, observa Indi Santos

Prevenção 

O infectologista Julival Ribeiro explicou que a mobilização da sociedade é de suma importância na prevenção de uma nova epidemia, porque as residências são os principais locais de criadouros do Aedes aegypti. "Este ano, houve uma explosão de casos de dengue comparado ao ano anterior. Por isso, é indispensável a sensibilidade de todos para evitar a proliferação do mosquito. É importante que os órgãos de vigilância acompanhem o número de mosquitos por região durante o ano inteiro, para que o trabalho preventivo possa ser feito", disse.

O infectologista avaliou que as tendas desempenharam um papel essencial, tendo em vista que, além de fornecerem tratamento aos infectados, atenderam casos suspeitos. "Acho que, neste momento, nós vemos que o número de casos diminuiu e acredito que não há necessidade de que as tendas continuem funcionando, mas é muito importante que, neste período mais frio, os focos sejam eliminados para garantirmos um verão sem epidemia. Esta é a hora de agir para impedir que a doença volte com força nas próximas estações", alertou.

De acordo com a SES-DF, o trabalho de prevenção e combate ao mosquito transmissor continuará. Os agentes de vigilância ambiental têm feito as inspeções nos imóveis residenciais, comerciais, em terrenos baldios e áreas públicas. A pasta destacou que o plano está em revisão por um grupo de trabalho estruturado dentro da secretaria, com o objetivo de adequar as medidas aos próximos cenários. Além das vistorias realizadas pelos agentes, há o fumacê, que é aplicado nos locais de maior incidência de casos. Atualmente, a SES-DF conta com 673 agentes de vigilância ambiental.

Cronograma

» Planaltina: 13/6
» Ceilândia: 15/6
» Taguatinga: 22/6
» Vicente Pires: 23/6
» Samambaia: 24/6
» Hran (Asa Norte): 25/6
» Varjão: 26/6
» Areal: 27/6

Fonte e Imagens: Correio Braziliense

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