CLDF aprova Nelson Souza para presidência do BRB

CLDF aprova indicação de Nelson Antônio de Souza para presidência do BRB - Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF
CLDF aprova indicação de Nelson Antônio de Souza para presidência do BRB - Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF


Por 16 votos a 6, plenário confirma indicação de Ibaneis Rocha. Executivo promete "choque de gestão" e auditoria rigorosa nas contas, mas evita comentar detalhes da operação com o Banco Master antes da posse.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, na noite desta terça-feira (25), a indicação de Nelson Antônio de Souza para o cargo de diretor-presidente do Banco de Brasília (BRB). O nome, encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), recebeu o aval do plenário com 16 votos favoráveis e 6 contrários, logo após passar por uma sabatina de quase três horas na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof).

Souza assume o comando da instituição em seu momento mais crítico na história recente, com a imagem do banco desgastada pela Operação Compliance Zero e denúncias de um suposto rombo de R$ 12 bilhões envolvendo a aquisição de carteiras do Banco Master.

Diante dos distritais, Nelson Souza apostou em seu currículo de 45 anos no mercado financeiro para transmitir segurança. Nascido em São Paulo e morador do DF desde 2003, o executivo possui graduações em Letras e Psicologia, além de MBAs em administração e marketing. Sua trajetória inclui a presidência de gigantes estatais como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste, além da vice-presidência da bandeira de cartões Elo.

"Pretendo encarar a missão com extrema responsabilidade, força de vontade e total serenidade. Minha atuação sempre priorizou o respeito e a valorização das pessoas", afirmou Souza na abertura da sabatina.

O executivo prometeu um "choque de gestão", enfatizando repetidamente que sua prioridade zero será "zelar pela liquidez" do BRB. "Não adianta crescer sem calcular o risco", declarou, em uma crítica velada à falta de controles que permitiu a exposição bilionária da gestão anterior.

Apesar do tom técnico, a sabatina foi marcada pela tensão em torno do escândalo financeiro. Pressionado pela oposição a se posicionar sobre as fraudes investigadas, Souza adotou a cautela. Ele classificou o problema como "momentâneo", mas evitou condenar ou absolver as operações passadas, argumentando que "ainda não assumiu" e que aguardará os relatórios da auditoria independente.

Contudo, assumiu um compromisso público com a transparência:

"Se encontrar algo que precisa ser mudado ou revisto, com certeza será alterado", garantiu, prometendo retornar à Câmara imediatamente após tomar pé da situação real do banco, além de prestar contas semestralmente aos deputados.

A votação refletiu a divisão na Casa. A oposição, liderada por nomes como Fábio Felix (Psol), Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT), Dayse Amarílio (PSB) e Max Maciel (Psol), votou contra a indicação. O grupo criticou o que chamou de "uso político e eleitoral do banco" e classificou o caso Banco Master como um "escândalo sem precedentes".

Questionado diretamente sobre sua capacidade de resistir a pressões externas — dado o histórico de interferências no banco —, Nelson Souza foi enfático ao dizer que saberá separar a dimensão técnica da política.

"O banco é público e deve transparência de todos os seus atos. Vou agir sempre dentro da legalidade, independentemente de pressão política", assegurou, embora tenha admitido manter boas relações com figuras políticas de peso.

A sabatina na Ceof contou com a participação dos deputados Eduardo Pedrosa (União), Jorge Vianna (PSD), Joaquim Roriz Neto (PL), Jaqueline Silva (MDB) e Paula Belmonte (Cidadania), que encaminharam a aprovação preliminar antes do voto em plenário.

Com o aval da CLDF, o nome de Nelson Antônio de Souza segue agora para a análise final de conformidade pelo Banco Central. A expectativa do GDF é que a posse ocorra o mais breve possível para tentar estancar a sangria de credibilidade da instituição financeira.

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