Estive no evento de filiação do
ex-governador José Roberto Arruda, atualmente inelegível, ao PSD do
Distrito Federal, e o que se viu foi um partido visivelmente dividido. O
ato político deixou evidente o grau de fragmentação interna da legenda
no DF.
Chamou atenção a presença de figuras com pouca ou nenhuma expressão local, enquanto a ausência de lideranças de peso foi ainda mais significativa. O esvaziamento político falou mais alto do que os discursos.
O senador Izalci Lucas e o deputado Alberto Fraga, ambos do PL e em fase de desgaste político, anunciaram apoio à candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal. O gesto escancarou a cisão dentro do partido liderado regionalmente por Bia Kicis, cenário que remete a experiências já vividas por outras siglas, como o antigo PRB.
O Avante, comandado por Gin Argello, também esteve representado de forma tímida, basicamente por políticos de outros estados, sem qualquer capilaridade ou influência real no cenário político local.
Já o PSD contou com a presença de seu presidente nacional, Gilberto Kassab, que demonstrava visível constrangimento diante de uma plateia formada majoritariamente por público mobilizado em ônibus, em grande parte vindo do Entorno do DF.
O dado mais simbólico, no entanto, foi a ausência do presidente regional do PSD, Paulo Octavio, e de seu filho, André Kubitschek. A conhecida máxima de que “o importante é o que interessa” parece não ter sido levada em conta nesse episódio.
O PSD do Distrito Federal, ao qual Kassab impôs a filiação de Arruda, expôs um claro sinal de desagregação interna. A legenda mostrou dificuldade em caminhar de forma coesa diante de uma decisão que dividiu suas principais lideranças.
Como lembra o versículo bíblico de Amós 3:3 — “Andarão dois juntos, se não houver acordo entre eles?” —, a falta de consenso cobra seu preço. Resta saber se o PSD-DF conseguirá reorganizar sua direção, superar o racha interno e transformar Arruda em um nome competitivo na disputa pelo Palácio do Buriti.
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