Celular de Daniel Vorcaro muda o jogo e deixa Rollemberg e Grass em silêncio

 A fraude bilionária atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo desdobramento que coloca em xeque o discurso adotado no debate público. Durante meses, nomes da esquerda no Distrito Federal sustentaram uma narrativa com forte tom eleitoral contra o governador Ibaneis Rocha.

O ex-candidato ao GDF Leandro Grass (PT) e o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB) insistiram na tese de que o chefe do Executivo seria o principal responsável por um suposto esquema bilionário. Pedidos de impeachment e críticas constantes ao Banco de Brasília (BRB) passaram a ser utilizados como instrumentos políticos, com a intenção de desgastar o governo e fortalecer o campo oposicionista.

Entretanto, as informações extraídas do celular do dono do Banco Master alteraram significativamente o cenário. O ponto que mais chama atenção é o silêncio da oposição diante de fatos que agora envolvem o ministro Dias Toffoli, do STF, além de pessoas próximas a ele, em suspeitas de movimentações financeiras.

Segundo os dados divulgados, nesta quinta-feira (12), o presidente do STF, Edson Fachin, recebeu da Polícia Federal um relatório com informações obtidas no aparelho de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero. As mensagens recuperadas — inclusive as que haviam sido apagadas — citam pagamentos que somariam ao menos R$ 20 milhões à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, além de menções ao cunhado do ministro, Fabiano Zettel.

Diante dessas revelações, Toffoli decidiu deixar a relatoria do inquérito que apura as fraudes no Banco Master, após reunião com outros ministros da Corte. A investigação, que envolve cerca de R$ 12 bilhões e alcança operações ligadas ao BRB e a fundos de investimento, passou a atingir também integrantes dos Três Poderes.

É nesse ponto que o discurso adotado anteriormente por setores da esquerda local perde força. Grass e Rollemberg vinham utilizando as redes sociais para cobrar providências, defender bloqueios de bens e até sugerir a criação de uma CPI. Em 7 de fevereiro, Grass afirmou que o caso derrubava a ideia de que milionários não recorrem à política para ampliar patrimônio, mencionando o governador. Rollemberg, por sua vez, pedia investigações rigorosas sobre o Master e o BRB, destacando o uso de recursos públicos.

Com a inclusão de um ministro indicado por Lula entre os citados nas apurações, o tom mudou. Até 13 de fevereiro, nenhum dos dois havia feito novas manifestações públicas sobre as revelações envolvendo Toffoli. Grass interrompeu as publicações sobre o tema ao informar que passará por cirurgia. Rollemberg, embora tenha defendido que se saiba “tudo o que há no celular de Vorcaro”, não comentou especificamente as implicações para o STF.

A mudança de postura levanta questionamentos sobre a coerência do debate político. O que antes era tratado como um escândalo restrito ao governo local passou a envolver também integrantes do Judiciário e figuras próximas a diferentes esferas de poder. O episódio amplia o alcance da crise e altera o foco das discussões que vinham sendo travadas no Distrito Federal.

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