Com um terço do time na Gen Z, AKR Brands aposta em PLR para liderar nova era do engajamento corporativo

Com 37% do time formado por Gen Z, AKR Brands implementa PLR e reforça cultura de participação

Holding paranaense de moda masculina foi pioneira no segmento na região ao formalizar programa de participação nos lucros ao final de 2025

Num momento em que o mercado de trabalho brasileiro debate intensamente como reter e engajar as novas gerações, a AKR Brands, holding de moda masculina sediada em Londrina (PR), saiu na frente. No final de 2025, a empresa formalizou um programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) — tornando-se a primeira do seu nicho na região sul a adotar o mecanismo —, e os números já revelam que a aposta vai além do discurso.

O movimento não é isolado. Ele responde a uma transformação silenciosa, mas acelerada, no perfil da força de trabalho. Hoje, 37% dos colaboradores da AKR pertencem à Geração Z — nascidos entre 1995 e 2010 —, a mesma faixa etária que, segundo pesquisa da Deloitte, rejeita oportunidades em empresas cujos valores não estejam alinhados aos seus em quase metade dos casos (49%). Transparência, propósito e participação deixaram de ser diferenciais para se tornar pré-requisitos.

A percepção dentro da empresa é de que o PLR não chegou de surpresa. Segundo Renato Zancheti, gerente de RH da AKR Brands, o programa era um desejo antigo dos sócios Allan Soares e Rafael Miranda, mas a organização precisava amadurecer culturalmente antes de dar o passo. O processo envolveu o alinhamento das áreas de Recursos Humanos e Controladoria, a definição de indicadores de performance claros e a integração do setor de Processos como suporte estratégico — só então o programa foi formalizado.

O resultado dessa preparação aparece nos dados: antes da implementação do PLR, a taxa média de turnover da companhia era de 6,03% — bem abaixo dos 13,9% registrados em organizações com culturas saudáveis, segundo dados da Gallup, e muito distante dos 48,4% observados em ambientes com culturas frágeis. Para Rafael Miranda, COO e sócio da holding, o PLR é a materialização de um princípio que orienta a gestão da empresa. "Cultura não se constrói com discurso, mas com decisões práticas. Quando o colaborador entende os valores da empresa, vê coerência na liderança e participa dos resultados, o engajamento acontece naturalmente", afirma.

O contexto amplia a relevância do pioneirismo da AKR. Levantamentos recentes da Gallup apontam que o engajamento global dos trabalhadores oscila entre 21% e 23%, com queda consistente nos últimos anos. No entanto, empresas que investem em culturas de pertencimento e em mecanismos concretos de reconhecimento têm conseguido reverter a tendência — e colhem retornos diretos: organizações com alto engajamento podem registrar aumento de até 21% na produtividade.

A estratégia da AKR Brands se encaixa nessa lógica, mas com um olho no futuro. A holding, que já figura entre as maiores plataformas de moda masculina no atacado do Brasil — com presença em mais de 2,5 mil pontos de venda em todo o país —, projeta triplicar seu faturamento nos próximos cinco anos. Em 2024, o grupo registrou receita de R$ 100 milhões; para 2025, a meta era atingir R$ 125 milhões, com expansão média de 100 novos pontos de venda por ano, por marca.

Nesse cenário de crescimento acelerado, construir uma cultura capaz de sustentar a expansão sem perder coesão interna se torna tão estratégico quanto qualquer investimento em produto ou distribuição. "A nova geração quer clareza, participação e sentido. Construir uma cultura forte é o que permite crescer de forma consistente, mesmo em cenários desafiadores", conclui Miranda.

Para a AKR Brands, o PLR não é apenas um benefício a mais no pacote de RH. É a tradução prática de um modelo de gestão que enxerga na Geração Z não um desafio a ser gerenciado, mas uma força a ser ativada.

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