Entidade apoia regime de incentivos a data centers, mas propõe ampliação da capacidade destinada ao mercado interno no BRASIL
A entidade considera o programa estratégico para modernizar e expandir a infraestrutura digital brasileira, além de atrair investimentos ao PAÍS. Segundo a confederação, o setor de tecnologia da informação aguarda há mais de dez anos uma política estruturada de estímulo à instalação de data centers, considerados essenciais para o desenvolvimento de negócios baseados em dados.
Apesar de apoiar a criação do regime, a Assespro demonstra preocupação com o dispositivo que estabelece a destinação mínima de dez por cento da capacidade instalada ao mercado interno como contrapartida aos benefícios fiscais concedidos. Para a entidade, o percentual pode representar retorno limitado diante dos incentivos oferecidos e ser insuficiente para atender às demandas das empresas brasileiras, sobretudo pequenas e médias.
Atualmente, a capacidade instalada de data centers em operação no BRASIL é inferior a um gigawatt. Por outro lado, os pedidos de conexão à rede elétrica para novos empreendimentos já superam vinte e seis gigawatts, o que representaria cerca de onze por cento da capacidade energética instalada. Hoje, o setor consome aproximadamente zero vírgula quatro por cento da energia disponível, evidenciando uma diferença expressiva entre o cenário atual e o potencial de expansão.
De acordo com a entidade, esse descompasso ajuda a explicar o fato de que cerca de sessenta por cento do processamento de dados de empresas brasileiras ainda é realizado no exterior, indicando demanda reprimida por infraestrutura local.
A confederação também ressalta que a implantação de novos data centers exige investimentos robustos e de longo prazo, tanto em infraestrutura física quanto em oferta energética contínua e estável. A consolidação do parque nacional deve ocorrer ao longo dos próximos anos, acompanhando o crescimento da demanda por serviços digitais em setores como indústria, finanças, saúde, governo, inovação e serviços online.
Outro ponto levantado pela Assespro diz respeito à possibilidade de substituição da obrigação de atendimento ao mercado interno por investimentos adicionais em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Embora reconheça a importância estratégica desses aportes, a entidade afirma que eles não substituem o acesso direto à capacidade computacional por parte das empresas brasileiras.
Na avaliação da confederação, sem regras claras, existe o risco de que projetos de pesquisa absorvam a parcela originalmente destinada ao mercado interno. Em um cenário extremo, cem por cento da capacidade poderia ser contratada por uma única empresa, inclusive estrangeira com operação no BRASIL, restringindo o acesso de pequenas e médias empresas e startups à infraestrutura incentivada.
Diante desse contexto, a Assespro defende a ampliação do percentual mínimo destinado ao mercado interno para vinte por cento. Além disso, propõe que a substituição dessa obrigação por investimentos exclusivos em pesquisa seja limitada à metade do percentual mínimo, ou seja, dez por cento.
Para a entidade, o ReData tem potencial para fortalecer a economia digital brasileira, mas precisa garantir que os incentivos públicos resultem em benefícios concretos para o mercado interno. A discussão, segundo a confederação, deve ir além da atração de grandes investimentos e considerar controle, governança e acesso direto à infraestrutura crítica de dados.
A Assespro reafirma apoio à iniciativa, mas sustenta que seu aperfeiçoamento é essencial para assegurar competitividade, soberania digital e redução da dependência externa, consolidando o BRASIL como protagonista no setor de tecnologia e infraestrutura de dados.

.jpeg)

.gif)

.jpg)
.gif)