A Confederação Assespro acompanha a tramitação do Regime Especial de Incentivos para Data Centers, o Redata, e reconhece a relevância da proposta para a modernização da infraestrutura digital do Brasil e para a atração de investimentos. A instituição, entretanto, avalia que o programa precisa ir além do estímulo ao capital estrangeiro e assegurar ganhos concretos para o ecossistema tecnológico nacional.
O segmento de tecnologia aguarda há mais de uma década por uma política pública voltada à expansão da capacidade de data centers no país. Embora manifeste apoio ao Redata, a Assespro demonstra preocupação com a previsão de que apenas dez por cento da capacidade dos empreendimentos beneficiados seja direcionada ao mercado interno. Para a Confederação, esse índice pode ser insuficiente para atender às necessidades das empresas brasileiras, especialmente as de pequeno e médio porte, além de representar um risco à soberania digital.
Atualmente, o Brasil conta com menos de um gigawatt de capacidade instalada em data centers, enquanto as solicitações de novos projetos já ultrapassam vinte e seis gigawatts. Mesmo diante desse contexto, aproximadamente sessenta por cento do processamento de dados das companhias brasileiras é realizado fora do território nacional, o que evidencia uma demanda reprimida significativa por infraestrutura local.
De acordo com o presidente da Confederação Assespro, Deybson Cipriano, o Redata pode se tornar uma ferramenta estratégica para o avanço da economia digital, desde que garanta acesso efetivo das empresas nacionais à infraestrutura incentivada. “O regime tem potencial para fortalecer o setor, mas precisa estimular a competitividade interna e preservar a soberania digital do Brasil”, afirma.
Já o vice-presidente da Confederação, Rodrigo Fragola, integrante do CNCiber do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ressalta que o debate não deve se limitar à captação de grandes investimentos. “É essencial que o país detenha controle, governança e acesso direto à sua infraestrutura crítica de dados. Trata-se de um tema estratégico para o interesse nacional”, destaca.
A Confederação Assespro observa ainda que aportes em pesquisa, desenvolvimento e inovação são fundamentais, mas não substituem o acesso direto à capacidade computacional. Por essa razão, a entidade defende que os incentivos públicos priorizem o atendimento ao mercado interno e preservem o equilíbrio entre a exportação de serviços e o fortalecimento da economia digital brasileira.
A Entidade informa que mantém diálogo permanente com o governo federal e com o Congresso Nacional, contribuindo de forma técnica e propositiva para o aprimoramento do Redata e para a consolidação de uma política que favoreça, de maneira efetiva, o desenvolvimento tecnológico do Brasil..
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