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| Dr. Rafael João, neurologista, destaca a importância do acompanhamento médico (Foto: Divulgação) |
Neurologista explica como orientação adequada e acompanhamento médico fazem diferença no dia a dia
Celebrado na segunda segunda-feira do mês de fevereiro, o Dia Internacional da Epilepsia reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no mundo e ainda cercada de preconceito. Para o neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Rafael João, hospital referência no atendimento e com centro de excelência em epilepsia, falar sobre o tema é essencial para mudar a forma como a sociedade enxerga a doença.
“A epilepsia ainda é cercada de mitos que afastam as pessoas do diagnóstico e do tratamento. Informação correta salva vidas e devolve qualidade de vida às pessoas”, destaca o especialista.
A condição neurológica é caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, causadas por atividade elétrica cerebral anormal. Um dos principais equívocos é associá-la apenas a crises convulsivas.
De acordo com Rafael João, nem toda manifestação envolve convulsão ou perda de consciência. Em muitos casos, os episódios são sutis, como lapsos de atenção, confusão mental ou movimentos automáticos, que acabam passando despercebidos ou sendo confundidos com ansiedade ou desatenção.
Epilepsia no mundo
Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a epilepsia afeta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo uma das doenças neurológicas mais prevalentes. No Brasil, milhões de pessoas convivem com a condição, muitas ainda sem diagnóstico ou acompanhamento adequado.
Para o médico, o preconceito ainda é um dos maiores desafios enfrentados por quem convive com a condição. Há uma ideia equivocada de que a pessoa não pode trabalhar, estudar ou ter uma vida normal, o que frequentemente não corresponde à realidade. Com tratamento adequado, a maioria dos indivíduos leva uma vida plenamente ativa e produtiva.
O controle das crises é possível na maior parte dos casos, principalmente com o uso correto de medicamentos. Em situações específicas, outras terapias e até procedimentos cirúrgicos podem ser indicados. “Uma parcela significativa das pessoas fica livre de crises ou apresenta uma redução muito expressiva na frequência das crises. Em alguns casos, é possível até reduzir ou suspender a medicação, sempre com acompanhamento médico rigoroso”, ressalta o neurologista.
O alerta também vale para fatores que podem desencadear crises, como privação de sono, estresse intenso, consumo excessivo de álcool, interrupção da medicação e algumas doenças. Dormir mal, beber em excesso ou parar o remédio por conta própria são causas frequentes de piora do quadro. O acompanhamento contínuo é fundamental para manter o controle.
Avaliação clínica é fundamental
O diagnóstico da epilepsia é clínico e depende de uma avaliação detalhada dos episódios, muitas vezes com relatos de familiares ou testemunhas. Exames como o eletroencefalograma (EEG) e a ressonância magnética contribuem para esclarecer o quadro e identificar possíveis causas. Outro ponto importante é saber como agir diante de uma crise convulsiva.
“O mais importante é manter a calma e seguir um passo a passo simples. Durante a crise, coloque a pessoa de lado, proteja a cabeça com algo macio e afaste objetos que possam causar ferimentos; se possível, retire os óculos e afrouxe roupas apertadas. Em seguida, monitore o tempo: se durar mais de cinco minutos ou se uma crise ocorrer logo após a outra, acione o atendimento de emergência (SAMU 192). Depois, acompanhe a pessoa até que recupere a consciência e esteja segura”, orienta Rafael João.
Para quem quer um guia fácil de lembrar, a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) em parceria com a AAME (Amigos Anti-Mortalidade em Epilepsia) disponibiliza o protocolo CALMA, com passos simples sobre como agir durante uma crise convulsiva.
O atendimento de emergência deve ser procurado se a crise durar mais de cinco minutos, se houver repetição sem recuperação da consciência, dificuldade para respirar, lesão importante ou quando se tratar da primeira crise. No caso de crianças e adolescentes, o cuidado também passa pelo ambiente escolar, onde informação e preparo contribuem para respostas mais seguras e para a redução do preconceito.
O médico deixa um recado direto à população: “A epilepsia é uma condição comum, tratável e que não define quem a pessoa é. Informação, respeito e apoio fazem toda a diferença para que essas pessoas vivam com dignidade, autonomia e qualidade de vida.”


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