Produção digital aborda jornada de trabalho, valorização profissional e projetos em tramitação no Congresso Nacional.
A marchinha de Carnaval criada pelo deputado federal Sargento Portugal ganhou repercussão nas redes sociais ao transformar em música temas ligados à segurança pública no Rio de Janeiro. Para acompanhar a composição, foi produzido um desfile virtual inspirado na Marquês de Sapucaí, com uso de Inteligência Artificial.
A canção traz versos que dialogam com a realidade enfrentada por policiais e bombeiros militares, abordando sobrecarga de jornadas, condições de viaturas, estrutura de unidades como as Unidades de Polícia Pacificadora e o debate sobre recomposição salarial.
O desfile digital apresenta alegorias simbólicas que representam pautas recorrentes defendidas pelo parlamentar. A narrativa também chama atenção para a situação de veteranos e pensionistas, frequentemente citados como negligenciados após anos de serviço. O conteúdo reforça a necessidade de valorização contínua desses profissionais, inclusive no período após a passagem para a inatividade.
A repercussão entre policiais e servidores foi imediata. Nas redes sociais, seguidores afirmaram se sentir representados pela mensagem, com comentários destacando a identificação com o tema e o uso da cultura popular como forma de mobilização.
Do samba ao Parlamento
As críticas presentes na marchinha refletem propostas legislativas apresentadas pelo deputado. Entre elas está o Projeto de Lei nº cinco mil novecentos e sessenta e sete, de dois mil e vinte e três, que estabelece limite máximo de cento e quarenta e quatro horas mensais para a jornada de policiais e bombeiros militares em todo o PAÍS. A iniciativa atualiza o Decreto nº 667, norma anterior à Constituição Federal de 1988, que não define parâmetros nacionais claros de carga horária.
A proposta está em análise na Câmara dos Deputados e prevê criação de banco de horas, remuneração adicional pelas horas excedentes, pagamento diferenciado para serviços extraordinários aos domingos e feriados, além da uniformização nacional das regras aplicáveis às corporações militares estaduais.
Durante a tramitação na Comissão de Administração e Serviço Público, o relator Coronel Meira apresentou parecer favorável com substitutivo, sugerindo aprimoramentos no tratamento das horas excedentes e possibilidade de compensação por meio de banco de horas.
Debate nacional sobre jornada
Especialistas destacam que o regime jurídico de policiais e bombeiros militares possui características próprias, com definição de carga horária por normas estaduais. Isso pode gerar diferenças significativas entre regiões.
No Rio de Janeiro, além das escalas regulares, há adoção do Regime Adicional de Serviço, inclusive em modalidade compulsória, ampliando a jornada mensal e impactando descanso e saúde ocupacional.
Ao utilizar a linguagem tradicional do Carnaval, historicamente marcada por críticas sociais, aliada à tecnologia, a iniciativa amplia o alcance do debate público sobre jornada, recomposição salarial e valorização dos profissionais da segurança. O tema segue em discussão no Congresso Nacional e entre representantes das categorias.

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