Com a aproximação das eleições gerais, o Distrito Federal entra em mais um daqueles momentos em que o cenário político lembra menos uma estratégia bem desenhada e mais um tabuleiro prestes a desmoronar.
Encerrado o recesso informal do início do ano, o diagnóstico que se impõe é desalentador para a maioria dos partidos: faltam chapas competitivas para a Câmara dos Deputados — justamente o espaço que assegura visibilidade nacional e, sobretudo, acesso aos vultosos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.
No DF, conquistar uma cadeira de deputado federal vai muito além do prestígio. É, na prática, uma questão de sobrevivência das legendas. Sem uma nominata minimamente consistente, o risco não se resume a ficar fora de Brasília, mas a perder fôlego financeiro e peso político já no curto prazo.
Dentro desse quadro, o PSD surge como um dos exemplos mais evidentes de falta de rumo. A interferência direta do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, ao abrir espaço para o inelegível José Roberto Arruda, produziu um efeito imediato: a saída dos dois únicos deputados distritais do partido no DF.
O resultado foi o quase esvaziamento da legenda local, que agora segue sem uma chapa definida e sem um nome capaz de atrair votos de maneira consistente.
Alberto Fraga, que chegou a cogitar uma migração para o PSD, percebeu rapidamente o risco embutido na operação: sem um puxador de votos, a disputa vira uma aposta às cegas. O PL, partido no qual permanece por ora, também não oferece garantias robustas.
Já Izalci Lucas busca uma saída considerada honrosa da vida política, tentando se viabilizar como vice do inelegível Arruda. Por trás dessa lealdade quase incondicional, Izalci alimenta a esperança — e até faz torcida — para que Arruda siga inelegível em 2026, repetindo o roteiro de 2014, 2018 e 2022.
Assim como aconteceu quando Frejat substituiu Arruda em 2014, Izalci gostaria de ocupar o lugar do inelegível na disputa pelo Palácio do Buriti ainda neste ano.
No PL, o ambiente é um pouco menos nebuloso. Thiago Manzoni desponta como um nome com alguma densidade eleitoral. Ainda assim, persiste a dúvida se sua votação será suficiente para impulsionar a eleição de um segundo deputado federal. Ele não representa um fenômeno nos moldes de Bia Kicis, que acabou puxando Fraga em 2022. A incógnita segue aberta.
O partido bolsonarista corre, portanto, o risco de desperdiçar capital político na disputa pela Câmara, justamente em um território onde o eleitorado conservador continua numeroso e mobilizado.
União Brasil e PP enfrentam dificuldades semelhantes. As conversas nos bastidores são intensas, os nomes circulam, mas as chapas permanecem incompletas. A preocupação central é aritmética: alcançar o quociente eleitoral. Sem isso, qualquer articulação vira apenas discurso.
À esquerda, o cenário também é marcado por indefinições. A federação formada por PT, PV e PCdoB ainda não conseguiu responder à pergunta essencial: quem, de fato, tem chances reais de se eleger deputado federal? E quem ficará com o tradicional número 1313, historicamente associado a Erika Kokay?
No PSB, legenda que já comandou o DF, a escassez de quadros competitivos ameaça deixar Rodrigo Rollemberg sem base de sustentação — e politicamente isolado. A tentativa de reabilitar Cristovam Buarque soa mais como uma marca nostálgica do que como um projeto com lastro eleitoral. A longa ausência do ex-senador da cena política torna incerto qualquer potencial de voto.
O Solidariedade também vive uma incógnita concentrada na figura de José Antônio Reguffe. Fora do jogo há anos, resta saber se seu capital político sobreviveu ao tempo e ao silêncio.
Em meio a tantas indefinições, o Republicanos se destaca pela organização. Com nomes já definidos — Fred Linhares na dianteira, seguido por Júlio, Paulo Fernando e Cristiane Brito —, o partido entra na disputa com uma chapa estruturada e um discurso de previsibilidade raro neste início de calendário eleitoral.
O MDB, por sua vez, aparece em situação bem mais confortável na corrida proporcional do que em 2022. O deputado Rafael Prudente conta com uma nominata formada por nomes já testados nas urnas, como o deputado distrital Daniel Donizet, que ultrapassou os 30 mil votos.
Completam a lista o secretário de Governo, José Humberto Pesão, e a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. Pela soma dos votos, o partido tem chances reais de eleger dois deputados federais.
Já siglas como Avante, Agir, Mobiliza, PRD e Missão parecem destinadas a papéis secundários no tabuleiro político do DF. No máximo, algumas delas podem conseguir eleger representantes para a Câmara Legislativa.
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