A proposta encaminhada pelo Governo do Distrito Federal à Câmara Legislativa para autorizar a recomposição e o fortalecimento do capital do BRB coloca os deputados distritais diante de uma decisão que ultrapassa as fronteiras partidárias.
Está em jogo garantir que o banco público do DF mantenha índices adequados de capital, atenda às exigências dos órgãos reguladores e preserve a continuidade dos serviços oferecidos à população. Rejeitar a matéria sem apresentar uma alternativa técnica consistente aproxima a decisão mais da disputa política do que do compromisso com o interesse público.
O projeto prevê autorização para recompor e ampliar o patrimônio líquido e o capital social da instituição, além de permitir garantias patrimoniais. De acordo com o Executivo, a iniciativa segue as diretrizes do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central e integra um plano de capital já em curso, conduzido pela atual diretoria, com o objetivo de assegurar liquidez e reforçar os indicadores financeiros do banco.
O debate é legítimo e necessário. Cabe à oposição fiscalizar, questionar e exigir clareza. Contudo, converter uma discussão essencialmente técnica sobre estrutura de capital em confronto ideológico pouco contribui para a solução do desafio apresentado.
O BRB não desempenha um papel periférico. A instituição é responsável por operacionalizar parte significativa da folha de pagamento de servidores, apoiar políticas públicas e conceder crédito a milhares de famílias e empreendedores no Distrito Federal. Sua estabilidade reflete diretamente na dinâmica econômica local.
Barrar o projeto por cálculo político pode gerar ruídos no mercado, abalar a confiança de investidores e clientes e, em consequência, atingir empregos e serviços. São milhares de postos de trabalho, entre funcionários e terceirizados, vinculados à solidez da instituição. Desconsiderar esse impacto é ignorar os efeitos práticos de uma decisão legislativa.
A retórica de oposição automática pode produzir visibilidade e engajamento nas redes sociais. Entretanto, o ônus recai justamente sobre aqueles que estão fora do embate partidário: servidores, correntistas, pequenos empresários e cidadãos que dependem diariamente do banco.
Caso existam discordâncias sobre o formato da proposta, que sejam apresentadas emendas, ajustes e instrumentos adicionais de controle. Se houver questionamentos, que se promovam audiências públicas e se ouçam especialistas e representantes do Banco Central. O que não parece razoável é rejeitar a matéria como gesto simbólico, sem oferecer um caminho alternativo viável.
Capitalizar um banco público não significa conceder carta branca. Implica exigir transparência, governança eficiente e fiscalização permanente — responsabilidades que também cabem à Câmara Legislativa. No entanto, impedir a medida sem propor solução técnica coloca em risco a estabilidade de uma instituição estratégica para o DF.
Os parlamentares foram eleitos para agir com visão institucional, e não apenas com foco no calendário eleitoral. A votação sobre o futuro do BRB representa, sobretudo, uma escolha sobre responsabilidade administrativa. Politizar um tema técnico pode gerar ganhos partidários imediatos, mas, no horizonte mais amplo, os custos tendem a ser compartilhados por toda a sociedade.
A oposição tem o direito de discordar. Mas precisará igualmente responder à sociedade caso transforme uma discussão sobre sustentabilidade financeira em simples palco de disputa política.
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