Capelli ou Grass: quem a esquerda do DF deve escolher — e quem pode ficar de fora da disputa pelo Buriti?

Na corrida pelo Governo do Distrito Federal em 2026, dois nomes disputam o mesmo espaço dentro do campo da esquerda local: Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT). Ambos demonstram interesse em concorrer ao Palácio do Buriti, mas acabam dividindo um eleitorado que historicamente já é limitado no Distrito Federal.

Antes mesmo desse cenário se consolidar, o PT do DF havia articulado internamente a retirada do nome de Magela, que também cogitava disputar o governo. Na ocasião, a estratégia foi direcionar o partido a apoiar Leandro Grass como principal representante da legenda na corrida pelo GDF.

Com o passar do tempo, porém, o quadro político mudou com a entrada de Ricardo Cappelli no debate eleitoral local. A presença dele passou a alterar o equilíbrio dentro do campo progressista, já que os dois políticos buscam conquistar praticamente o mesmo grupo de eleitores.

Cappelli ganhou projeção nacional após ser indicado pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para atuar como interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os acontecimentos de 8 de janeiro. Desde então, ele tem ampliado sua presença no debate político local e adotado uma postura crítica ao atual governo do DF. Ao mesmo tempo, Cappelli também enfrenta questionamentos relacionados a uma denúncia sobre suposto uso político da máquina pública no caso envolvendo a ABDI.

Já Leandro Grass tem experiência recente em disputas eleitorais no DF. Ele concorreu ao governo em 2022, mas acabou sendo derrotado ainda no primeiro turno. Apesar do resultado modesto nas urnas, Grass mantém interlocução próxima com setores tradicionais da esquerda local e, segundo observadores políticos, conta com maior simpatia de parte da base petista no Distrito Federal.

Com isso, a disputa interna tende a se concentrar entre os dois nomes. Como ambos miram o mesmo campo político, cresce a avaliação de que apenas um deles deverá se consolidar como candidato viável da esquerda na eleição de 2026.

Esse cenário também evidencia um desafio recorrente para os partidos de esquerda no DF: a dificuldade de ampliar sua base eleitoral e, ao mesmo tempo, manter unidade entre as diferentes correntes políticas do campo progressista.

Diante dessa disputa por protagonismo, os próximos meses serão decisivos para indicar qual dos dois conseguirá reunir mais apoio político e estruturar uma candidatura competitiva. Enquanto isso, permanece a dúvida que ronda os bastidores da política local: quem será escolhido para representar a esquerda na disputa pelo Buriti — e quem acabará ficando pelo caminho.

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