Programa orienta profissionais sobre elaboração de pareceres em teleinterconsultas e fortalece a comunicação entre as unidades
Com o objetivo de fortalecer a comunicação entre as equipes e tornar os diagnósticos mais rápidos, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) apresentou, nesta terça-feira (17), cursos voltados à capacitação de profissionais assistenciais sobre a elaboração de pareceres em teleinterconsultas.
O formato foi apresentado inicialmente a gestores e estará disponível, a partir da próxima semana, para médicos plantonistas e enfermeiros da gestão de leitos na modalidade de ensino a distância (EAD).
O diretor de Atenção à Saúde do IgesDF, Edson Gonçalves, destaca que a implementação do sistema envolve diferentes áreas e exige integração entre as equipes. “Temos entraves burocráticos, mas a telessaúde vem avançando rapidamente, o que beneficia diretamente a população”, afirma.
O curso busca orientar tanto os colaboradores que realizam as solicitações quanto os especialistas responsáveis pelos atendimentos, com foco na elaboração e no acompanhamento adequado dos pareceres.
Segundo a chefe do Núcleo de Inovação e Saúde Digital, Amandha Roberta, a iniciativa surgiu a partir da identificação de solicitações com informações insuficientes. “Muitas vezes, faltavam dados importantes nas solicitações, o que gerava dúvida aos especialistas e necessidade de intervenção, diminuindo a efetividade que deveria existir nessa modalidade. Por causa disso, entendemos ser necessário criar um guia de orientações para todos os colaboradores, para que o fluxo possa seguir sem ruídos”, detalha.
Na avaliação do coordenador médico da UPA de Samambaia, Tiago Samuel, os cursos vão facilitar a troca de conhecimento entre as equipes médicas e aprimorar a circulação de informações.“Com certeza vai melhorar significativamente o tempo de avaliação de pacientes e, consequentemente, diminuir o tempo de internação”, alega.
Durante a apresentação, o secretário-executivo de Tecnologia da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), Deilton Silva, destacou os investimentos realizados pelo instituto para aprimorar os serviços. “Estamos avançando em áreas como segurança cibernética e otimização da rede, com melhorias que impactam diretamente tanto a gestão quanto a assistência ao paciente”, pontua.
Para a gerente de Comando Estratégico da Diretoria de Atenção à Saúde (Diase), Lillian Campos, as teleconsultas e teleinterconsultas representam uma estratégia consolidada para o atendimento na saúde pública. “A telessaúde não é mais considerada uma inovação, mas sim uma estratégia que precisa ser aplicada. Considerando as demandas e gargalos atuais, precisamos nos atualizar para enfrentar as dificuldades do dia a dia e oferecer o melhor para o nosso público”, completa.
O evento e as aulas foram organizados pelo Núcleo de Inovação e Saúde Digital (Nusad) e pela Gerência de Comando Estratégico (GCEST), em parceria com o Núcleo de Educação Permanente (Nudep) e o Núcleo de Tecnologias Educacionais (Nuted).
Como funciona
Reestruturada em 2025, a teleinterconsulta conecta médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a especialistas do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), do Hospital Regional de Santa Maria e do Hospital Cidade do Sol.
A estratégia amplia o acesso a avaliações especializadas, contribuindo para diagnósticos mais rápidos, redução de custos e melhoria da experiência dos pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS).
A modalidade funciona por meio de um sistema digital integrado ao prontuário eletrônico MVPEP. Nele, o médico registra as informações clínicas e exames do paciente e recebe, em pouco tempo, um parecer técnico que orienta a conduta.
Atualmente, a teleinterconsulta atende especialidades como psiquiatria, cardiologia, nefrologia, pediatria, pneumologia, neurologia, infectologia, hematologia, endocrinologia, cuidados paliativos e clínica médica.
A expectativa é ampliar o serviço para áreas cirúrgicas, padronizar fluxos em parceria com a Secretaria de Saúde e consolidar o modelo como referência nacional.
No último mês, foi inaugurado o primeiro Complexo de Telessaúde da rede pública do Distrito Federal, consolidando a teleassistência como política permanente de qualificação do atendimento no SUS.


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