Velocidade fora das pistas pode custar vidas: especialista alerta para riscos de traumatismo craniano no trânsi


Velocidade nas pistas é espetáculo. Fora delas, exige responsabilidade (Foto: Freepik)

Com aumento do interesse por motos e velocidade, cuidados simples como uso correto do capacete fazem diferença

O fim de semana movimentado em Goiânia, com a realização do Grande Prêmio do Brasil de MotoGP, chama a atenção para um tema que vai muito além das pistas: a segurança no trânsito. Enquanto pilotos profissionais competem em ambiente controlado, nas ruas o cenário é bem diferente — e os riscos podem ser fatais.

O traumatismo cranioencefálico (TCE), conhecido como trauma no cérebro causado por impacto, está entre as principais consequências de acidentes de trânsito e uma das maiores causas de morte e sequelas graves no Brasil. Segundo dados nacionais, acidentes de trânsito provocam mais de 33 mil mortes por ano no país.

Para o neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Marco Aurélio Borges, a diferença entre pista e rua é determinante para o risco. “A velocidade só é segura em ambiente controlado, com estrutura adequada, equipes médicas e pilotos treinados. No trânsito comum, qualquer erro pode ter consequências graves, especialmente para o cérebro, que é extremamente sensível ao impacto”, destaca.

A gravidade do trauma aumenta diretamente com a velocidade. Estudos mostram que, a cada 1% de aumento na velocidade média, o risco de morte cresce cerca de 4%. Além disso, ao contrário de outros tipos de lesão, o TCE pode causar danos imediatos e também sequelas permanentes.

Além do risco imediato, pode deixar sequelas permanentes, que vão além do momento do acidente. Ele alerta que o paciente pode desenvolver déficits cognitivos, alterações de comportamento, epilepsia e até incapacidade funcional ao longo do tempo.

Comportamento de risco

Eventos que envolvem alta velocidade podem despertar interesse pelo tema, mas é importante não reproduzir esse comportamento fora das pistas. Infraestrutura inadequada, presença de pedestres, veículos imprevisíveis e ausência de áreas de escape tornam o trânsito urbano um ambiente de alto risco.

Nesse contexto, fatores como excesso de velocidade, uso de celular ao volante, consumo de álcool ou drogas, ultrapassagens perigosas e condução agressiva aumentam significativamente a chance de acidentes graves. No Brasil, esse cenário atinge principalmente homens entre 20 e 40 anos, especialmente motociclistas.

Capacete salva vidas

Entre as medidas de proteção, o uso do capacete é o principal fator de redução de risco para lesões graves na cabeça. Estudos indicam que o equipamento pode reduzir a mortalidade em até 40% e o risco de lesões graves em cerca de 70%. No entanto, o uso incorreto ainda é comum.

“Não basta usar o capacete, ele precisa estar bem ajustado, com a cinta fechada e sem danos. Um capacete solto, por exemplo, pode se desprender no impacto e perder totalmente sua função de proteção”, alerta o neurologista.

Além do capacete, outros cuidados são fundamentais, como respeitar os limites de velocidade, evitar o uso do celular, não dirigir sob efeito de álcool ou drogas e manter a manutenção do veículo em dia.

Sinais de alerta

Após um acidente, mesmo em situações aparentemente leves, é importante observar sinais como perda de consciência, confusão, vômitos repetidos, dor de cabeça intensa, sonolência e convulsões. Nessas situações, a orientação é acionar o atendimento de emergência e evitar movimentar a vítima, especialmente se houver suspeita de lesão na cabeça ou na coluna.

Mesmo traumas leves podem gerar consequências tardias, principalmente quando se repetem. No trânsito, a responsabilidade faz toda a diferença entre evitar um acidente e lidar com suas consequências.

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