Peptídeos injetáveis: o que está por trás da tendência que viralizou nas redes sociais


 

Substâncias como o GHK-Cu prometem longevidade e melhora estética, mas ainda não têm aprovação da Anvisa para uso injetável no Brasil

O uso consciente de procedimentos estéticos nunca foi tão importante. Nos últimos meses, os peptídeos injetáveis viralizaram nas redes sociais, impulsionados por influenciadores e celebridades internacionais como Jennifer Aniston e Hailey Bieber. Vendidos como uma solução moderna para longevidade e “reprogramação” corporal, esses compostos têm despertado curiosidade, mas também preocupação entre especialistas.

Um dos protagonistas dessa febre é o GHK-Cu (peptídeo de cobre), conhecido por sua capacidade teórica de regenerar tecidos e estimular a produção de colágeno. Segundo a dermatologista Dra. Andressa Vargas, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é preciso cautela antes de aderir à tendência. “Os chamados peptídeos injetáveis, como o GHK-Cu, são cadeias de aminoácidos que atuam como mensageiros celulares. Eles vêm sendo divulgados como aliados potentes na firmeza da pele, mas é fundamental separar o uso tópico, já consagrado em cremes, da aplicação injetável, que ainda carece de comprovação científica robusta para fins estéticos”, explica.

A médica reforça que, no Brasil, a segurança do paciente deve sempre estar em primeiro lugar. “É fundamental optar por tratamentos regulamentados pela Anvisa, que passaram por critérios rigorosos de avaliação. O GHK-Cu, embora seja um insumo permitido em cosméticos de uso externo, não possui registro para ser aplicado via injeção com objetivos estéticos. Qualquer procedimento deve ser indicado de forma individualizada e com substâncias autorizadas”, destaca.

Sobre o cenário regulatório, o alerta é claro. “Atualmente, esses peptídeos não têm aprovação da Anvisa para a via injetável no país. Isso significa que não há garantias sobre a pureza do material, a segurança da aplicação ou a eficácia a longo prazo. O mais prudente é aguardar estudos clínicos mais profundos e a devida regulamentação antes de considerar esse tipo de terapia”, afirma a especialista.

Enquanto isso, existem alternativas seguras e já consolidadas na dermatologia. “Hoje temos diversas opções aprovadas, como bioestimuladores de colágeno, lasers e protocolos de skincare que podem inclusive conter peptídeos de cobre em sua formulação tópica, oferecendo resultados reais com segurança comprovada”, explica Dra. Andressa.

A dermatologista reforça que seguir tendências sem respaldo pode trazer riscos sérios à saúde. “Nem tudo que viraliza é seguro. O paciente precisa ter senso crítico e sempre buscar orientação médica. A estética deve caminhar lado a lado com a ciência e com as normas regulatórias vigentes”, finaliza.


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