
Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado | Foto: Secom-GO
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), teceu duras críticas ao presidente Lula da Silva (PT) e ao recente encontro com Donald Trump em Washington. Segundo Caiado, o interesse de Lula pelas terras raras é um "aprendizado tardio" impulsionado pelo protagonismo de Goiás no setor. "O Lula acordou e aprendeu a falar desse assunto depois que nós ensinamos para ele", disparou Caiado durante coletiva de imprensa no evento "Pra Frente Goiás", em Rio Verde.
Caiado, que é pré-candidato à Presidência da República, classificou a postura de Lula como "fragilizada". Ele sugeriu que o presidente petista teria tentado usar a pauta mineral como um aceno de simpatia para demover Trump da ideia de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. "Veja a que ponto nós estamos chegando: um presidente da República ser porta-voz do narcotráfico para pedir, pelo amor de Deus, para o Trump não incluir o narcotráfico como terrorista aqui em nosso país. É isso que é", afirmou o ex-governador, minimizando a repercussão das promessas feitas na reunião bilateral.
Estratégia de Goiás x União
Caiado defendeu que a estratégia de Goiás com as terras raras é mais sofisticada do que a apresentada pela União. Ele criticou o modelo de apenas "abrir o mercado", defendendo a transferência de tecnologia e a industrialização local. "O que eu quero é ampliar nossa capacidade de não estar exportando material bruto. Não podemos ser um eterno exportador de Pau-Brasil como fomos na época da Colônia", comparou. Ele citou os memorandos de entendimento que o Governo de Goiás já firmou com o Japão e os Estados Unidos como exemplos de como o Estado avançou na criação de uma cadeia de valor completa, incluindo a separação e o refino dos minérios.
Embates Anteriores e a Polêmica Atual
O embate entre Caiado e Lula sobre o subsolo goiano não é recente. A polêmica intensificou-se no mês passado, quando Lula criticou publicamente os acordos diretos de Caiado com empresas e governos estrangeiros, acusando-o de "vender o Brasil" e invadir a competência da União. Caiado, por sua vez, rebateu afirmando que, enquanto o governo federal se prende à burocracia, Goiás oferece segurança jurídica e atrai investimentos para o Nordeste Goiano, a região mais carente do Estado.
Com a possível volta de Donald Trump à Casa Branca e sua política de "tarifação total", o Brasil busca usar as terras raras como um trunfo para negociar isenções comerciais. Para Caiado, no entanto, Lula estaria "queimando" esse trunfo ao misturar a pauta estratégica com a agenda de segurança pública e a defesa de interesses que, segundo ele, não representam o povo brasileiro.

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