Mudança no mercado de trabalho pressiona empresários a rever
liderança, ambiente corporativo e gestão de equipes
A dificuldade de contratar e reter profissionais tem
provocado mudanças na forma como empresas brasileiras estruturam liderança,
cultura organizacional e gestão de equipes. Em um cenário de maior
competitividade, pressão por produtividade e transformação tecnológica,
empresários passaram a rever modelos tradicionais de gestão para tentar manter
crescimento e eficiência operacional.
A mudança acontece em meio ao avanço da escassez de talentos
no mercado. Segundo pesquisa recente realizada pela ManpowerGroup, 79% dos
empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar profissionais
qualificados, um dos maiores índices já registrados no País. O levantamento
aponta que as empresas têm respondido ao problema com iniciativas relacionadas
à qualificação profissional, flexibilização do trabalho e fortalecimento da
cultura organizacional.
Para Guilherme Barbosa, co-founder do Masterboard Club,
ecossistema empresarial que reúne mais de 800 empresas no Brasil, o cenário vem
alterando a lógica de funcionamento de companhias de médio porte, especialmente
aquelas em fase de expansão. “Antes existia a percepção de que bastava
substituir um profissional que saísse da empresa. Mas isso mudou. O empresário
agora percebe que o crescimento de sua empresa depende diretamente da
habilidade de atrair, desenvolver e reter os profissionais certos”, afirma.
Segundo Barbosa, empresas que antes concentravam esforços
apenas em vendas e operação passaram a tratar gestão de pessoas como um tema
estratégico para a sustentabilidade do negócio. A transformação está
acompanhada por mudanças no comportamento profissional. Flexibilidade, cultura
organizacional e propósito passaram a ter mais peso nas decisões de carreira, o
que exige adaptação das empresas para atrair e reter talentos.
De acordo com a pesquisa “State of the Global Workplace” da
Gallup, realizada em 2024, 60% dos trabalhadores brasileiros se consideram
desengajados no trabalho. A pesquisa revela que ambientes de trabalho com baixo
engajamento estão diretamente relacionados à alta rotatividade e queda de
desempenho operacional. Esses números reforçam a necessidade das empresas de
focar na construção de ambientes que incentivem o engajamento e a satisfação
profissional.
“Muitos empresários foram acostumados a gerenciar suas
empresas com modelos mais centralizadores e menos focados em pessoas. Agora, a
demanda por uma adaptação cultural e gerencial é clara. O mercado está mudando
e, para prosperar, as empresas precisam entender que, no fim das contas,
crescimento depende de pessoas”, destaca Barbosa.
Esse contexto tem impulsionado um movimento nas empresas que
investem em programas de qualificação interna e requalificação profissional.
Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae em 2024, 42% das empresas de pequeno e
médio porte estão adotando programas de treinamento e qualificação para reduzir
a rotatividade e aumentar a competitividade.
Para Barbosa, empresas que conseguirem adaptar cultura,
liderança e tecnologia de forma integrada terão uma vantagem significativa nos
próximos anos. “O empresário agora entende que a gestão de pessoas não é mais
uma área de suporte, mas sim um componente essencial para garantir crescimento,
eficiência e competitividade. As empresas que investirem nisso terão a
capacidade de navegar por esse cenário desafiador e prosperar”, conclui.
Sobre o Masterboard Club
Criado em 2017, o Masterboard Club reúne atualmente
mais de 800 empresas em seu ecossistema e 170 membros ativos no modelo Club,
formado por empresas com faturamento entre R$ 2 milhões e R$ 50 milhões por
ano. Em 2025, o grupo ampliou sua atuação para novas regiões, realizando 49
imersões empresariais em cidades como Londrina, Maringá, Florianópolis, Porto
Alegre e interior de São Paulo, alcançando mais de 1.440 empresas
participantes.
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