O cenário político do Distrito Federal ganhou novos contornos após declarações recentes do ex-governador Ibaneis Rocha, que acabaram gerando interpretações de possível desgaste na relação com a governadora Celina Leão e levantando especulações sobre um eventual rompimento dentro do grupo político que governa o DF desde 2019.
No último sábado (16), durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, Ibaneis havia negado qualquer articulação alternativa para a sucessão ao Palácio do Buriti em 2026. Questionado sobre rumores envolvendo o deputado federal Rafael Prudente como possível candidato ao Governo do Distrito Federal, tendo Maiara Noronha como eventual vice, o ex-governador foi enfático ao reafirmar fidelidade política à atual governadora.
“Assim como a Celina é uma mulher de palavra, eu também sou um homem de palavra. Eu lancei a candidatura da Celina lá no início do meu segundo governo e sempre cumpri esse compromisso”, declarou Ibaneis durante a entrevista.
Na ocasião, o ex-governador reforçou que o grupo político permanecia unido em torno da reeleição de Celina Leão ao Palácio do Buriti.
Entretanto, poucos dias depois, uma nova movimentação política causou repercussão nos bastidores. Em reunião realizada na residência de Ibaneis, ao lado do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do deputado Rafael Prudente e do presidente do MDB-DF, Wellington Luiz, o ex-governador afirmou que o partido seguirá unido, mas destacou que o MDB “não abrirá mão do protagonismo político” construído nos últimos anos.
A declaração foi interpretada por aliados e observadores políticos como um sinal de insatisfação e possível reposicionamento estratégico do MDB dentro da base governista, sobretudo diante das recentes decisões adotadas pela atual gestão do GDF.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o discurso de Ibaneis acabou contradizendo o posicionamento apresentado anteriormente, quando havia descartado qualquer plano alternativo à candidatura de Celina Leão.
A relação entre os dois líderes políticos sempre foi marcada por forte alinhamento. Durante o afastamento temporário de Ibaneis Rocha por 66 dias, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, Celina Leão permaneceu ao lado do então governador e conduziu o Executivo local em meio à crise institucional.
Outro fator que ampliou o desgaste político nos últimos meses foi a crise envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master, alvo de repercussões após a Operação Compliance Zero da Polícia Federal. O episódio trouxe questionamentos sobre operações bilionárias e gerou impactos na imagem política do grupo ligado ao ex-governador.
Desde que assumiu o comando efetivo do governo, Celina Leão passou a adotar medidas de contenção administrativa e reorganização interna. Entre as ações estão pedidos de investigação, trocas em secretarias estratégicas, cancelamento de contratos considerados milionários, revisão de emendas parlamentares e suspensão de recursos de chamadas “emendas fonte 100”.
As medidas, segundo avaliações de bastidores, teriam provocado desconforto em setores políticos e grupos que integravam a base de sustentação do antigo governo. Integrantes da ala governista avaliam que a postura mais rígida da governadora ocorre diante da necessidade de reorganizar as contas públicas e garantir capacidade financeira para honrar compromissos, entre eles o pagamento do funcionalismo público.
Apesar das especulações sobre um possível rompimento, lideranças do MDB ainda evitam tratar publicamente o tema como uma ruptura definitiva. Nos bastidores, contudo, cresce a percepção de que o processo eleitoral de 2026 poderá redefinir alianças históricas dentro da política do Distrito Federal.

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