Estudos apontam
que experiências de voluntariado contribuem para o desenvolvimento emocional e
social de crianças e adolescentes; escolas têm incorporado essas práticas à
rotina escolar
A formação dos estudantes vai
além do desempenho acadêmico. Cada vez mais, especialistas em educação defendem
que experiências fora da sala de aula, especialmente aquelas ligadas ao
voluntariado e à convivência social, têm papel importante no desenvolvimento
emocional, ético e coletivo de crianças e adolescentes.
Pesquisas recentes reforçam essa
percepção. Um estudo internacional publicado em 2025 na revista científica BMC
Psychology, realizado com 630 universitários da Arábia Saudita, apontou que
jovens envolvidos em ações voluntárias apresentaram níveis mais elevados de
felicidade, autoestima, conexão social e bem-estar emocional. O levantamento
também identificou que o engajamento em atividades solidárias fortalece o senso
de pertencimento e a participação coletiva entre os estudantes.
A discussão acompanha uma
tendência crescente no ambiente educacional. Organizações como a UNESCO e a
OCDE vêm destacando a importância das chamadas competências socioemocionais
como empatia, cooperação, responsabilidade social e comunicação no desenvolvimento
de crianças e adolescentes. No Brasil, a própria Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê a formação cidadã e socioemocional como parte do processo
educacional.
Em 2024, o Brasil participou pela
primeira vez da pesquisa internacional “Social and Emotional Skills for Better
Lives”, da OCDE, que avalia habilidades socioemocionais entre estudantes. O
levantamento reforça a importância de competências ligadas à empatia,
colaboração, responsabilidade e pertencimento no ambiente escolar e social. No
Distrito Federal, iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas habilidades
também têm avançado. Em 2026, a Secretaria de Educação do DF lançou o programa
“Saberes Socioemocionais”, desenvolvido para estimular competências
relacionadas à convivência, consciência coletiva e desenvolvimento emocional
entre estudantes da rede pública.
Além dos impactos emocionais,
educadores observam que o contato com diferentes realidades sociais amplia a
visão de mundo dos estudantes e estimula competências ligadas à liderança,
convivência e participação social.
Na prática, os efeitos aparecem
no cotidiano escolar. A estudante Maria Luiza Silva Rocha, do Colégio Ideal de
Brasília, participa de campanhas sociais promovidas pela instituição desde 2023
e afirma que a experiência mudou sua percepção sobre solidariedade.
“Eu já tinha visto algumas
campanhas em outras escolas, mas nunca com a mesma mobilização. Quando tivemos
contato com as instituições beneficiadas e ouvimos os relatos das pessoas
atendidas, comecei a entender o impacto real das ações. Hoje sinto que os alunos
se tornam mais participativos e conscientes da importância de ajudar o
próximo”, relata.
Do aprendizado à prática
No Distrito Federal, algumas
escolas têm incorporado projetos sociais ao calendário pedagógico como parte
das atividades de formação cidadã. Entre as iniciativas mais comuns estão
campanhas de arrecadação, mobilizações em datas comemorativas e ações de apoio
a comunidades em situação de vulnerabilidade.
No Colégio Ideal, por exemplo, as
ações acontecem ao longo do ano e envolvem estudantes, famílias e
colaboradores. A proposta, segundo a instituição, é aproximar os alunos de
diferentes contextos sociais e estimular o protagonismo juvenil.
Uma das mobilizações recentes foi
a campanha de Páscoa Solidária, que arrecadou alimentos destinados a famílias e
instituições sociais do Distrito Federal. Segundo a coordenação da escola, o
momento da entrega costuma ser o mais significativo para os estudantes.
“Quando os representantes das
instituições vêm até a escola receber as doações e compartilhar suas histórias,
os alunos conseguem compreender de forma mais concreta a importância da
solidariedade. É um contato que gera reflexão e aproxima os estudantes de
realidades diferentes das que vivem diariamente”, afirma Jackeline Mendes,
coordenadora de ação social da unidade de Taguatinga.

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