Uma economia anual superior a R$ 43,6 milhões e a mitigação de 15 mil toneladas de CO2: esses são os principais benefícios estimados da operação do sonhado Anel Viário Metropolitano de Goiânia.
Recentemente, a proposta deu um passo decisivo com a aprovação do anteprojeto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Integrado ao Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do governo federal, o empreendimento atua diretamente na diminuição do Custo Brasil, um dos objetivos da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), alinhado ao Mapa Estratégico da Indústria, coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O presidente da Fieg, André Rocha, afirma que a construção do Anel Viário atende a uma demanda antiga do Estado e contribui para melhorar o fluxo nas rodovias, reduzir gargalos e facilitar o transporte da produção.
“Não há como falar do desenvolvimento de Goiás sem olhar para o transporte. Para um Estado com forte presença industrial, ter rodovias que conectem empresas, mercados e portos ajuda a reduzir custos, dar mais agilidade ao escoamento da produção e gerar impactos positivos para quem produz e para o consumidor”, diz.
Para o empresário e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg, Célio Eustáquio de Moura, a obra é vetor de competitividade, capaz de economizar mais de R$ 39,2 milhões em capital local, segundo dados da federação. "A reorganização logística estabelece um novo patamar de eficiência, permitindo ao setor ampliar investimentos em inovação e capacidade fabril. A medida beneficia não só o empresário, mas toda a cadeia produtiva e de consumo ao reduzir o custo de produção gasto na vazão de produtos e ao gerar empregos com a expansão industrial", destaca.
O projeto tem por objetivo solucionar o gargalo da malha urbana saturada. Para se ter uma dimensão, o trecho atual do Anel Viário e o perímetro urbano da BR-060 registram um fluxo médio diário de aproximadamente 90 mil veículos. A nova via expressa almeja substituir esse tráfego por um fluxo contínuo.
De acordo com análise da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, a velocidade média no trecho deve subir de 25 km/h para 70 km/h, colocando fim ao sistema “anda e para” que encarece o transporte e desperdiça combustível. Outra vantagem estimada seria o menor desgaste das frotas e a maior confiabilidade nas cadeias de suprimentos.
Custo Brasil
O Custo Brasil é o conjunto de despesas que encarece o produto final, sendo influenciado por diversos fatores, dentre eles, a má infraestrutura rodoviária. Goiás depende fortemente da malha rodoviária, e enquanto ela apresentou 68% de melhora geral, segundo o Relatório de Infraestrutura de Goiás de Transportes de 2026, publicado pelo Coinfra-Fieg no último mês, o trajeto atual não consegue dar vazão ao volume e incide em custos de tempo, combustível e manutenção de veículos, além do elevado risco de acidentes.
Segundo André Rocha, reduzir o Custo Brasil e defender a indústria goiana seguem entre as prioridades da Federação. “A Fieg atua junto ao poder público e entidades empresariais para apoiar melhorias na logística, ampliar a competitividade de Goiás e criar condições para novos investimentos. O objetivo é contribuir com soluções que fortaleçam o setor produtivo e reduzam impactos para empresas e consumidores”, completa.
Para o empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag), Maxwell Coelho, a via que opera acima de sua capacidade resulta em um problema que cai no bolso do empresário goiano e impacta a competitividade das empresas e o crescimento estadual. “O trecho urbano da BR-153 se tornou um grande gargalo logístico que atrasa entregas, aumenta o custo do frete, gera perda de produtividade e dificulta o deslocamento de trabalhadores e mercadorias.”
De acordo com Coelho, além do aumento de gastos operacionais, o gargalo também resulta no atraso no transporte de matéria-prima e na distribuição de produtos. Esse resultado também reflete no mercado internacional, já que os exportadores brasileiros encontram mais dificuldades em colocar seus produtos na vitrine internacional.
O novo traçado
Com aproximadamente 44 km de pistas duplicadas, o contorno conectará os polos industriais de Goianápolis, Senador Canedo, Goiânia, Aparecida de Goiânia e Hidrolândia. O novo traçado facilitará o acesso a Anápolis, centro logístico multimodal do Centro-Oeste, e vai integrar corredores da BR-153 e a BR-060.
Segundo o DNIT, a expectativa é de que o edital para a contratação do projeto executivo e das obras seja publicado ainda neste semestre. Além da fluidez, o órgão também prevê benefícios estruturais como a redução de sinistros (acidentes), a eliminação de pontos críticos e avanços socioambientais.
Eficiência e Meio Ambiente
A projeção da Fieg indica um salto de 57% na eficiência do trajeto, reduzindo em quase 40 minutos o tempo de percurso. No aspecto ambiental, a economia líquida está prevista para ser de 2,8 litros de combustível para cada veículo pesado.
No total, a obra evitaria a queima de 17 mil litros de combustível por dia, poupando mais de R$ 119 mil diariamente e impedindo a emissão de 41,9 toneladas de CO2 a cada 24 horas. Além do aspecto econômico, o Anel Viário de Goiânia consequentemente contribuiria para a política de transição energética.
Célio Eustáquio reforça que o novo sistema permite mais agilidade e competitividade às empresas e atua como um atrativo para investimentos. Segundo ele, “a melhoria do transporte e as economias no combustível atuam na redução do Custo Brasil, tornando toda a cadeia produtiva mais viável de forma equilibrada, sustentável e rentável, o que favorece a indústria e o consumidor e contribui diretamente na economia de Goiás.”
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