PP aciona TRE-DF contra instituto contratado por Bia Kicis por suposta manipulação em pesquisa sobre Celina Leão

 O Partido Progressista (PP) protocolou nesta quinta-feira (14) uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) contra o Instituto Veritá, responsável por uma pesquisa eleitoral divulgada nesta semana.

A legenda acusa o instituto de adotar métodos capazes de distorcer os resultados e influenciar negativamente a imagem da governadora Celina Leão, que deve disputar a reeleição.

O levantamento, publicado na quarta-feira (13), foi encomendado pelo PL do Distrito Federal, presidido pela deputada Bia Kicis. O partido integra atualmente a base de apoio do governo local.

Na ação, o PP aponta cinco supostas irregularidades consideradas centrais. Entre elas, o uso de perguntas com caráter indutivo. Segundo a análise apresentada, o questionário teria utilizado estratégias de “enquadramento negativo” para conduzir os entrevistados a percepções desfavoráveis sobre a governadora.

Um dos exemplos citados envolve a pergunta de número 29, que menciona Celina Leão em referência à Operação Dracom — investigação antiga que não resultou em condenação. Para os autores da ação, a abordagem teria sido usada para provocar associação negativa antes das perguntas relacionadas à intenção de voto.

O documento também questiona a distribuição da amostra nas regiões administrativas do DF. De acordo com a ação, algumas localidades registraram centenas de entrevistas, enquanto Sobradinho teve apenas um entrevistado e o Lago Norte, cinco.

Para o partido, a diferença na coleta de dados pode indicar direcionamento metodológico com objetivo de alcançar determinados resultados. A ação ainda destaca inconsistências no perfil de renda dos entrevistados. Embora a faixa de pessoas com renda acima de cinco salários mínimos represente cerca de 25% da população, ela teria ultrapassado 50% da amostra analisada.

Outro ponto levantado é o suposto descumprimento das regras do registro eleitoral, já que o instituto incluiu perguntas relacionadas à disputa presidencial. O PP também contesta a adoção da metodologia PPT, normalmente aplicada com base em municípios — estrutura que não existe administrativamente no Distrito Federal.

Segundo os advogados do partido, os indícios apresentados são consistentes. Pela legislação eleitoral, institutos que divulgam pesquisas consideradas fraudulentas podem receber multas de até R$ 80 mil, além de responsabilização criminal, com pena prevista de seis meses a um ano de detenção, conforme estabelece a Lei 9.504/97.

O processo aguarda análise da Justiça Eleitoral, que deverá decidir se a pesquisa poderá continuar circulando ou se haverá medidas para impedir eventual impacto no cenário político e eleitoral do DF.

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