Doença
de Crohn e Retocolite Ulcerativa podem provocar sintomas persistentes e exigir
acompanhamento contínuo
No Maio Roxo, campanha de conscientização sobre condições inflamatórias que afetam o intestino, o alerta é para sintomas que muitas vezes acabam sendo ignorados ou confundidos com problemas passageiros. Diarreia frequente, dor abdominal, perda de peso sem explicação e alterações persistentes no funcionamento intestinal estão entre os principais sinais de atenção.
“Essas condições acontecem quando o sistema imunológico passa a reagir de forma exagerada no intestino, mantendo uma inflamação contínua ao longo do tempo. Fatores genéticos, ambientais e alterações da microbiota intestinal também participam desse processo”, explica o gastroenterologista do Hospital Anchieta Ceilândia, Guilherme Galetti.
Entre os quadros mais conhecidos estão a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa que, apesar de apresentarem sintomas semelhantes, possuem características diferentes. A Retocolite Ulcerativa acomete o intestino grosso, geralmente começando pelo reto, enquanto a Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, além de afetar camadas mais profundas da parede intestinal.
Os sinais costumam surgir de forma gradual, o que muitas vezes contribui para o atraso no diagnóstico. Diarreia prolongada, presença de sangue ou muco, cólicas frequentes, urgência para evacuar, sensação de esvaziamento incompleto do intestino, cansaço excessivo e perda de peso sem motivo aparente estão entre as manifestações mais comuns.
A
necessidade de acordar durante a noite para evacuar também merece atenção e
pode indicar que não se trata apenas de uma alteração intestinal passageira.
Além dos sintomas intestinais, alguns pacientes também podem apresentar dores nas articulações, alterações nos olhos e lesões na pele. “O processo inflamatório pode provocar repercussões em diferentes partes do organismo, por isso o acompanhamento adequado é fundamental”, ressalta o gastroenterologista.
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| Gastroenterologista do Hospital Anchieta Ceilândia, Guilherme Galetti (Foto: Divulgação) |
Diagnóstico
precoce ajuda a evitar complicações
Essas condições podem surgir em qualquer idade, embora sejam mais frequentes entre adolescentes e adultos jovens. Também há aumento dos diagnósticos após os 60 anos, principalmente nos casos de Retocolite Ulcerativa.
A identificação do problema envolve avaliação clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e principalmente a colonoscopia, que permite visualizar o intestino e realizar biópsias quando necessário.
Embora ainda não exista cura definitiva, os tratamentos evoluíram significativamente nos últimos anos. Hoje existem medicamentos capazes de controlar a inflamação, reduzir crises e evitar agravamentos, permitindo que muitos pacientes mantenham boa qualidade de vida.
A alimentação também exerce papel importante no tratamento. Dietas ricas em ultraprocessados estão associadas a maior risco de desenvolvimento dessas condições, enquanto uma alimentação equilibrada ajuda no funcionamento intestinal e no equilíbrio da microbiota.
“Quanto mais cedo o paciente procura avaliação especializada, maiores são as chances de controle da inflamação e de manutenção da qualidade de vida”, conclui Guilherme Galetti.

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