Sistema Transporte leva debate sobre resiliência climática à Alemanha

 CNT apresenta levantamento sobre impactos das mudanças climáticas e realiza painel de alto nível sobre resiliência durante o ITF Summit 2026

O Sistema Transporte participou do painel “Além da redução de riscos: Destravando o valor da infraestrutura resiliente a desastres” (Beyond Risk Reduction: Unlocking the Value of Disaster Resilient Infrastructure for the Transportation Sector), nesta quinta-feira (7), em um dos principais fóruns globais sobre transporte, na cidade de Leipzig, na Alemanha, o ITF Summit 2026.

Representando a Confederação Nacional do Transporte, o consultor técnico Bruno Batista e a gerente executiva Ambiental Érica Marcos levaram ao debate internacional a perspectiva do setor de transporte brasileiro e promoveram discussões técnicas de relevância acerca do tema. A participação da CNT começou com apresentação do consultor sobre os impactos climáticos no setor de transporte brasileiro, que tem tido sua infraestrutura, operações e economia afetadas.

Em seguida, aconteceram os debates de especialistas representando entidades internacionais, quando foram discutidas soluções voltadas à adaptação climática no setor de transporte. A sessão contou com Radu Dinescu, presidente da International Road Transport Union (IRU); Savina Carluccio, diretora executiva da International Coalition for Sustainable Infrastructure (ICSI); Reinaldo Fioravanti, especialista líder do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); e Danang Parikesit, professor de Economia da Engenharia e Política de Transportes da Universitas Gadjah Mada, na Indonésia.

O presidente da IRU compartilhou formas de se ampliar a resiliência climática com a atuação do setor. Segundo ele, é preciso que as empresas de transporte tenham equipes bem-preparadas para seguir e desenvolver protocolos de segurança para trabalhar em conjunto com os grupos de resgate. 

As concessionárias normalmente trabalham na reconstrução das infraestruturas danificadas, mas é fundamental que também estejam disponíveis serviços de apoio e capital humano, além de plataformas e sistemas de informação integrados e processos aduaneiros mais padronizados, facilitando, por exemplo, a passagem entre fronteiras.

A diretora executiva Savina Carluccio apontou que os desastres naturais trazem um elemento bastante preocupante para o setor de transporte, que é a incerteza. “Temos percebido que os eventos são mais severos. Casos concretos bem-sucedidos incluem o do Camboja, que tem desenvolvido sistemas de drenagem nas rodovias e bioengenharia”. Savina complementou com casos como o de Moçambique, que possui infraestrutura híbrida, com a combinação de convencional e resiliente.

Já Reinaldo Fioravanti destacou que é preciso analisar projetos pensando em componentes de custo-benefício e análise de longevidade e performance da infraestrutura implementada. “Os bancos de fomento conseguem financiar cerca de 5% do total necessário dos projetos. Isso demonstra a necessidade de participação de outras fontes de recurso, incluindo os setores público e privado”, analisou.

Por fim, o experiente professor Danang Parikesit ressaltou a importância de dispor de informações confiáveis, integradas e, nos casos de emergência (inundações, terremotos, incêndios), que sejam compartilhadas o quanto antes, para que as ações necessárias sejam realizadas de forma mais precisa e ágil. O risco é que a fragmentação de dados das diferentes esferas prejudique a rápida tomada de decisão.

O painel integrou a programação oficial do ITF Summit 2026, que este ano reuniu lideranças globais para discutir o financiamento do transporte resiliente. A agenda incluiu sessões técnicas, mesas de alto nível e encontros estratégicos voltados à construção de políticas públicas e cooperação internacional.

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