A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), indicou de forma mais explícita sua preferência para a disputa ao Senado em 2026.
Durante evento do Partido Liberal (PL), realizado no lançamento da pré-candidatura do deputado distrital Thiago Manzoni à Câmara dos Deputados, Celina manifestou apoio aos nomes de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, para as duas vagas do DF no Senado.
A declaração teve forte peso político. Ao comentar a importância da presença feminina na política, Celina afirmou que espera ver duas mulheres representando o Distrito Federal no Senado Federal. A fala foi registrada pelo GPS Brasília e colocou a governadora em posição de destaque dentro da articulação conservadora local, ao mesmo tempo em que diminuiu o espaço do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), também citado nos bastidores como possível candidato ao Senado.
A movimentação é relevante porque, nas eleições de outubro de 2026, os eleitores do Distrito Federal escolherão dois representantes para o Senado. A disputa fará parte da renovação de dois terços da Casa. De acordo com a Justiça Eleitoral, 54 cadeiras estarão em jogo em todo o país, sendo duas por estado e duas pelo DF.
O gesto de Celina ocorre em meio ao desgaste na relação política com Ibaneis. A tensão entre os dois se intensificou após a transição no Palácio do Buriti. Em 30 de março, a Câmara Legislativa confirmou Celina no comando do Executivo local depois da renúncia de Ibaneis, que deixou o governo para se habilitar à disputa eleitoral de 2026.
Ao demonstrar preferência por Michelle e Bia Kicis, Celina fortalece sua aproximação com o eleitorado bolsonarista e com o PL, partido considerado estratégico para uma chapa majoritária competitiva no Distrito Federal. Michelle Bolsonaro comanda o PL Mulher e consolidou-se como uma das principais lideranças nacionais do campo conservador. Já Bia Kicis exerce mandato de deputada federal pelo PL-DF, com atuação prevista na Câmara dos Deputados até 2027.
O ato também projetou Thiago Manzoni dentro dos planos eleitorais da legenda. Deputado distrital pelo PL, Manzoni apresentou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados ao lado de nomes influentes da direita brasiliense. O evento, portanto, funcionou não apenas como um lançamento individual, mas como uma prévia da composição política que Celina busca consolidar para outubro. Na política, muitas vezes, a imagem pública vem antes da formalização nos bastidores.
A sinalização atinge diretamente o MDB-DF. Ibaneis assumiu o governo em 2019, foi reeleito em 2022 tendo Celina como vice e deixou o cargo em 2026 com a expectativa natural de disputar uma vaga no Senado. No entanto, o apoio público da governadora a duas pré-candidatas do PL altera esse cenário e pressiona o MDB a decidir se mantém candidatura própria ou se tenta negociar espaço dentro de uma composição liderada por Celina.
Nos últimos dias, a crise interna do MDB no Distrito Federal também ganhou novos capítulos, com disputas pelo controle regional da sigla e divergências sobre os rumos políticos do grupo. Segundo o GPS Brasília, o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, escalou o deputado federal Isnaldo Bulhões para atuar como interventor político e tentar reduzir as tensões locais.
Durante o evento, Celina também comentou as dificuldades enfrentadas desde que assumiu o governo. A governadora disse ter assumido o Executivo em um momento sensível e afirmou que estar à frente do Palácio do Buriti significa assumir publicamente a responsabilidade pela gestão. Ela também atribuiu parte das pressões que vem sofrendo a retaliações ligadas à administração anterior, de acordo com o GPS Brasília.
Apesar da movimentação política, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ainda estão na condição de pré-candidatas. A oficialização das candidaturas depende das etapas previstas no calendário eleitoral, como convenções partidárias, registro das chapas e homologação pela Justiça Eleitoral. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro.
Com a manifestação desta terça-feira, Celina enviou um recado claro ao cenário político do Distrito Federal: sua prioridade para a disputa ao Senado passa pelo PL e por duas candidaturas femininas identificadas com o campo conservador. Para Ibaneis, o sinal é menos favorável. O ex-governador, que participou da construção do grupo político que comanda Brasília há mais de sete anos, vê agora seu caminho ao Senado sair da previsibilidade e entrar em uma disputa mais aberta e competitiva.
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