Rede de apoio e equilíbrio emocional vêm sendo reconhecidos como fatores importantes para a qualidade de vida e a prevenção de doenças
No Dia dos Namorados, celebrado em 12 de
junho, os sentimentos costumam ganhar espaço nas homenagens e demonstrações de
carinho. Mas os benefícios de uma relação equilibrada podem ir além do
bem-estar emocional.
Estudos científicos têm mostrado que
vínculos afetivos positivos também contribuem para a saúde do coração. Em
contrapartida, a solidão e o isolamento social estão associados a um maior
risco de doenças cardiovasculares.
A relação entre emoções e saúde cardíaca
tem sido cada vez mais reconhecida pela medicina. Hoje, já se sabe que fatores
como estresse, ansiedade, depressão e qualidade dos relacionamentos influenciam
diretamente o funcionamento do corpo e podem favorecer o surgimento ou o
agravamento de diversas doenças.
Segundo o cardiologista intervencionista
da Rede Medical, Bernardo Kremer, o coração não responde apenas aos fatores de
risco tradicionais, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo.
"Relacionamentos saudáveis e uma
rede de apoio consistente ajudam a reduzir os efeitos do estresse e favorecem
hábitos que protegem a saúde cardiovascular", explica.
A influência das emoções sobre o corpo é
tão significativa que existe uma condição conhecida como síndrome do coração
partido, ou cardiomiopatia induzida pelo estresse.
O quadro pode surgir após situações de
forte impacto emocional e provoca alterações temporárias no funcionamento do
músculo cardíaco, demonstrando como eventos intensos também podem afetar o
organismo.
Solidão também pode fazer mal ao coração
Se relações positivas funcionam como
fator de proteção, a ausência delas pode trazer consequências importantes.
Nos últimos anos, diversos estudos
identificaram associação entre isolamento social e aumento do risco de infarto,
acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e mortalidade por
doenças cardiovasculares.
De acordo com o cardiologista, a solidão
favorece uma condição de alerta permanente, elevando a produção de hormônios
relacionados ao estresse e aumentando processos inflamatórios que podem
comprometer o bem-estar.
"Essa condição produz efeitos que
vão além do aspecto emocional e pode aumentar o risco de problemas de saúde ao
favorecer a ansiedade, a piora da qualidade do sono e hábitos
prejudiciais", afirma.
Além dos impactos físicos, o isolamento
também costuma reduzir o estímulo para a adoção de hábitos saudáveis e para a
manutenção do acompanhamento médico regular, fatores considerados fundamentais
na prevenção de doenças.
A força dos vínculos afetivos
Mais do que ter alguém para compartilhar
momentos especiais, contar com uma rede de apoio formada por familiares, amigos
ou um companheiro pode representar um importante fator de proteção.
Pessoas que mantêm relações de confiança
e apoio costumam apresentar menor nível de estresse, melhor controle da pressão
arterial, mais facilidade para praticar atividade física e maior adesão aos
tratamentos prescritos pelos médicos.
A qualidade das relações costuma ser mais
importante do que a quantidade. Relações de confiança ajudam a enfrentar
desafios, reduzem a sobrecarga emocional e contribuem para uma vida mais
equilibrada.
Além da alimentação equilibrada, da
prática regular de exercícios físicos e do controle dos fatores de risco
tradicionais, preservar o equilíbrio emocional e investir em relações saudáveis
também faz parte da prevenção.
"Cuidar da saúde emocional também é uma forma de cuidar do coração. O equilíbrio entre corpo, mente e bons relacionamentos contribui para mais qualidade de vida e longevidade", finaliza Bernardo Kremer.

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