A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi anexou ao processo que apura denúncias de importunação sexual laudos médicos que apontam comprometimento da função sexual do magistrado

Foto: Renato Santos.
Os documentos foram apresentados no procedimento que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga duas denúncias contra Buzzi. A defesa sustenta que as condições clínicas descritas nos exames seriam incompatíveis com parte do relato de uma das denunciantes.
Segundo os laudos, obtidos pela reportagem, o ministro apresenta disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo — condição relacionada à produção insuficiente de testosterona — e ausência de ejaculação anterógrada.
A avaliação médica também cita histórico de cirurgia de próstata, diabetes, hipertensão, uso contínuo de medicamentos e outras condições clínicas que, de acordo com a defesa, poderiam comprometer a função sexual.
O laudo, datado de 6 de fevereiro de 2026, afirma que o conjunto de evidências clínicas “não respalda hipótese de função sexual exacerbada” e aponta comprometimento da função sexual masculina.
À reportagem, um médico urologista ouvido em caráter técnico afirmou que a disfunção erétil se torna mais frequente com o envelhecimento e pode estar associada a doenças crônicas.
“Em homens acima dos 60 anos, especialmente quando há fatores como diabetes, hipertensão, alterações hormonais, cirurgia prostática prévia e uso contínuo de medicamentos, a prevalência de algum grau de disfunção erétil pode se aproximar de 70%, dependendo do perfil clínico e dos critérios usados na avaliação”, explicou o especialista.
A defesa afirma que os documentos foram anexados para contestar o depoimento de uma jovem que acusou o ministro de importunação sexual durante um banho de mar em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Segundo o relato da denunciante, ela teria percebido contato corporal de natureza íntima enquanto estava na água com o magistrado. Os advogados de Buzzi sustentam que a condição clínica descrita nos exames inviabilizaria a situação narrada.
Além dos laudos médicos, a defesa anexou ao processo o depoimento de uma testemunha que afirmou ter visto os dois no mar. Segundo essa testemunha, eles permaneceram separados por cerca de um metro e meio e não teria havido contato físico enquanto estavam na água.
A testemunha declarou ainda que, ao deixarem o mar, o ministro apenas ofereceu a mão para auxiliar a jovem na saída.
Relembre o caso
Marco Buzzi está afastado do STJ desde fevereiro de 2026. Ele é investigado após ser acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do magistrado, durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú.
De acordo com a denúncia, o episódio ocorreu em janeiro de 2026, quando os dois entraram no mar. A jovem relatou que o ministro tentou segurá-la em mais de uma ocasião. Buzzi nega todas as acusações.
Posteriormente, uma servidora terceirizada do STJ também apresentou denúncia de importunação sexual contra o magistrado.
Além do procedimento no Superior Tribunal de Justiça, o caso é apurado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça. Em 11 de junho de 2026, cerca de 20 testemunhas foram ouvidas pelo STJ no âmbito do processo disciplinar.
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