Para o pré-candidato do PSD, reunião com 42 representantes diplomáticos deveria ter sido usada para promover interesses econômicos do país
O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, publicou nesta quarta-feira (22.jul.2026) uma série de críticas ao também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter utilizado um encontro com 42 embaixadores estrangeiros, em Brasília, para levantar suspeitas sobre o sistema de urnas eletrônicas brasileiras. Para Caiado, a ocasião representou uma oportunidade desperdiçada de atrair investimentos e abrir mercados para produtos brasileiros.
"Dava para vender soja, não falar de urna"
Em postagem nas redes sociais, Caiado sintetizou a crítica em tom irônico: "42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!"
. O ex-governador de Goiás defendeu que o Brasil deveria priorizar pautas econômicas e comerciais em espaços diplomáticos, valorizando o agronegócio, a indústria e a geração de empregos.
Alegação sobre Smartmatic já foi desmentida
Durante a reunião — promovida pelo portal The Brazilian Report e pela agência Novo Selo —, Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam "a mesma origem" das fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic, citando o suposto envolvimento da companhia em um esquema de fraude nas eleições da Venezuela. A alegação, porém, é falsa: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já negou em diversas ocasiões que a Smartmatic forneça urnas ou softwares para o sistema eleitoral brasileiro
Pedido de observadores internacionais
Apesar de afirmar que "não estava questionando o sistema de votação brasileiro", Flávio pediu aos embaixadores que seus países enviassem o maior número possível de observadores para as eleições de outubro. A fala foi interpretada por adversários como uma tentativa de reforçar narrativas de desconfiança sobre o processo eleitoral
Paralelo com episódio de 2022
A reunião de Flávio evoca um episódio semelhante ocorrido em 2022, quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, convocou embaixadores para um encontro no Palácio do Planalto no qual atacou sem provas o sistema eleitoral. Aquele evento, transmitido pela TV pública, levou o TSE a declarar Bolsonaro inelegível no ano seguinte, por uso da máquina pública com desvio de finalidade
Repercussão e tentativa de diferenciação política
Outros pré-candidatos, como Renan Santos (Missão), também criticaram a escolha de Flávio por pautas eleitorais em vez de temas econômicos .
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, reagiu às críticas afirmando que a fala do colega foi "descontextualizada" e que não houve questionamento à integridade do sistema eleitoral
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