A poucos dias das convenções partidárias em Goiás, programadas para 4 e 5 de agosto, aumentou no Google o interesse dos eleitores pelos quatro principais pré-candidatos ao governo estadual e pela eleição de outubro. Dados levantados pelo jornal A Redação a partir do Google Trends mostram que a disputa pelo Palácio das Esmeraldas entra em uma etapa decisiva também no ambiente digital.
A análise considera apenas pesquisas feitas em Goiás nos últimos 12 meses. O avanço, contudo, não aconteceu da mesma forma para todos. Daniel Vilela ganhou atenção com a posse no comando do Estado; Wilder Morais, com a apresentação de sua pré-candidatura; Marconi Perillo, por buscas em que é comparado a adversários; e Luís César Bueno praticamente não apresentou reação relevante do público.
Mais do que o número de pesquisas, as razões por trás de cada pico ajudam a mostrar o que tem despertado a curiosidade do eleitor goiano na internet.
Com as convenções se aproximando do fim do prazo eleitoral, os partidos passam agora por uma das fases mais importantes do calendário. É quando nomes antes tratados como possibilidades passam a ser formalmente confirmados na corrida pelo governo.
A proximidade desse momento explica parte da retomada das buscas em julho. No entanto, o maior salto de interesse observado ao longo do ano começou em abril.
Calendário
Dois acontecimentos ocorridos em abril alteraram o cenário eleitoral. O primeiro foi a posse de Daniel Vilela no governo de Goiás, após Ronaldo Caiado deixar o cargo para concentrar esforços em sua pré-candidatura à Presidência da República.
O segundo foi 4 de abril, prazo definido pela Resolução TSE nº 23.760/2026 para filiação partidária, transferência de domicílio eleitoral e desincompatibilização de ocupantes de cargos do Executivo, seis meses antes do primeiro turno.
Para a cientista política Camila Duarte, especialista em dados digitais, a coincidência entre dois marcos institucionais no mesmo mês não é comum. “Quando isso ocorre, o pico de buscas costuma ser maior e mais concentrado do que em uma eleição normal, porque o eleitor recebe dois estímulos simultaneamente”, afirma.
Após esse período, o interesse diminuiu, mas retomou gradualmente o crescimento — movimento que ganha intensidade com a chegada das convenções.
Daniel Vilela
Entre os quatro nomes analisados, Daniel Vilela (MDB) teve o avanço mais acentuado: 1.400% de crescimento no interesse de busca em comparação com o ano anterior. O principal pico ocorreu em abril, no período de sua posse. Uma nova elevação apareceu em junho, seguida de estabilização em julho.
Segundo Camila Duarte, parte da atenção ainda está ligada a definições pendentes. O MDB agendou sua convenção para 5 de agosto, último dia permitido pela legislação, enquanto a escolha do candidato a vice-governador permanece em disputa entre três nomes do PSD: o ex-secretário Adriano da Rocha Lima, o ex-senador Luiz do Carmo e o presidente licenciado da Faeg, José Mário Schreiner.
Vilela afirma publicamente que pretende manter o projeto político iniciado por Caiado. Entre as pesquisas relacionadas ao seu nome estão “Caiado”, com queda de 30% ligada ao processo sucessório, e buscas de caráter pessoal, como “Daniel Vilela idade”, que subiu 70%, e “Maguito Vilela”, seu pai e ex-governador. Os dados indicam curiosidade não apenas sobre sua candidatura, mas também sobre sua trajetória pessoal.
Marconi Perillo
Marconi Perillo registra crescimento de 170% nas buscas, também com maior intensidade em abril. O comportamento de quem procura pelo tucano, porém, tem uma particularidade: as pesquisas frequentemente incluem outros pré-candidatos.
“Daniel Vilela” aparece entre os termos relacionados ao nome de Perillo, com alta de 100%, enquanto “Wilder Morais” figura entre as consultas que mais cresceram. Para Camila Duarte, esse padrão sugere um eleitor ainda em fase de comparação. “Quando a pesquisa por um nome vem acompanhada da busca por outro, normalmente é sinal de alguém tentando se posicionar entre as alternativas, e não de um voto já definido”, analisa.
Parte do interesse em torno de Marconi também se relaciona a desgastes de imagem associados a 2018, quando ele foi detido pela Polícia Federal na Operação Cash Delivery, que apurava suspeitas de pagamento de propina em campanhas eleitorais. À época, ele disputava uma vaga ao Senado e terminou a eleição em quinto lugar. O caso foi arquivado pela Justiça Eleitoral em 2024.
A candidatura de Perillo ao governo em 2026 ainda depende da definição do vice na chapa de Daniel Vilela, segundo o partido.
Wilder Morais
O senador Wilder Morais teve crescimento de 250% nas buscas, com um movimento diferente dos demais. Os maiores picos ocorreram em fevereiro e maio, antes do lançamento oficial de sua pré-candidatura, realizado em 27 de junho, no Tatersal de Elite do Parque de Exposições Agropecuárias, em Goiânia.
O ato contou com a participação do senador Flávio Bolsonaro e de Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende e pré-candidata a vice-governadora. Com isso, Wilder se tornou o único entre os quatro nomes a apresentar uma chapa completa antes das convenções.
Depois do evento, entretanto, as pesquisas pelo seu nome perderam intensidade, com leve recuperação apenas no fim de julho. O padrão contrasta com o de Daniel Vilela: no caso de Wilder, o interesse surgiu antes do fato político, e não depois dele.
Dificuldades
Luís César Bueno (PT) foi o único pré-candidato sem volume expressivo de buscas durante o período analisado.
O resultado evidencia uma dificuldade já debatida nos bastidores do PT e de outras siglas de centro-esquerda em Goiás. Embora tenha sido aprovado pelo diretório estadual como pré-candidato, sua capacidade de ganhar projeção é questionada internamente e entre partidos aliados. O PSB, por exemplo, considera disputar apenas o Senado e apoiar Lula no Estado.
Agosto
Para Camila Duarte, a diferença entre os quatro comportamentos digitais é o aspecto mais revelador do levantamento. “Um pico institucional, uma busca comparativa, um interesse antecipado e uma reação irrelevante contam quatro histórias distintas sobre a mesma eleição. Nenhuma, isoladamente, define o resultado”, resume.
A tendência, segundo ela, é que esses movimentos se aproximem a partir de agosto, quando as convenções oficializarem as candidaturas e a campanha eleitoral entrar em seu período mais intenso.
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