Evento gratuito reuniu mais de 45 mil pessoas no Parque da Cidade e reafirmou a democratização do acesso à arte e à cultura; agenda do Sesc-DF continua com Festclown, Virada Cultural, Sesc + Rap e Sesc + Rabiscão

O 4º Festival de Inverno do Sesc reuniu mais de 45 mil pessoas no estacionamento 11 do Parque da Cidade, nos dias 25 e 26 de julho. O número representa o maior público registrado desde a criação do evento e reforça a demanda da população por atividades culturais gratuitas e pela ocupação qualificada dos espaços públicos do Distrito Federal.
Realizado em uma área de 121 mil metros quadrados, o festival contou com cinco palcos, biblioteca itinerante, área infantil, espaço de bem-estar, praça de alimentação e centro de compras. Mais de 40 atrações passaram pelo evento, entre elas BaianaSystem, Céu, Mundo Livre S/A, Claudette King, Tássia Reis e Vanguart.
Nos bastidores, mais de mil profissionais trabalharam na produção, na montagem da estrutura, na segurança e no atendimento ao público. Toda a programação teve entrada gratuita.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Costa Freire, o público recorde demonstra que iniciativas culturais abertas e acessíveis cumprem uma função estratégica para o desenvolvimento da cidade. “Quando mais de 45 mil pessoas se reúnem de forma pacífica para viver a música, a arte e a convivência, fica evidente que a população deseja ocupar a cidade. O Festival de Inverno mostra que investir em cultura também é investir em cidadania, bem-estar e qualidade de vida”, afirma José Aparecido.
Segundo o presidente, a realização do evento também movimenta diferentes setores da economia e gera oportunidades de trabalho e renda. “A cultura possui uma importante dimensão social, mas também tem grande capacidade de movimentar a economia criativa, gerar empregos e fortalecer empreendedores locais. O resultado desta edição confirma que é possível unir desenvolvimento econômico, inclusão e acesso gratuito a uma programação de qualidade”, destaca.
Cultura como espaço de encontro
A diversidade do público foi um dos destaques da edição. Crianças, jovens, adultos e idosos participaram das apresentações e das atividades oferecidas durante os dois dias de festival.
“O sucesso está em ver a cultura chegar a todos. Tivemos crianças, jovens, adolescentes, adultos e pessoas de todas as idades, que usufruíram desse espaço de forma gratuita e viveram momentos de encontro, compartilhamento e alegria”, afirma a diretora de Programas Sociais do Sesc-DF, Cíntia Gontijo.
Para o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo, democratizar o acesso à produção artística é parte essencial da atuação da instituição.
“O Sesc tem como um de seus propósitos a democratização do acesso à cultura e à arte, pois é dessa forma que se promove o desenvolvimento social. Arte e cultura não são privilégios, mas direitos essenciais, que ampliam a nossa qualidade de vida e fortalecem nossa identidade e autonomia”, ressalta.
A percepção sobre os benefícios da cultura encontra respaldo na sexta edição da pesquisa nacional “Hábitos Culturais”, realizada pelo Datafolha e divulgada em 2025. De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados afirmaram que a participação em atividades culturais contribuiu para a redução do estresse e da ansiedade. Outros 57% relataram diminuição da tristeza, enquanto 56% perceberam redução na sensação de solidão.
Moradora de Taguatinga, a estudante Carolina Ferreira, de 26 anos, considera que eventos gratuitos podem transformar a relação das pessoas com a cidade.
“Para mim, eventos como esse mudam tudo. A tristeza vai embora, a gente se sente vivo novamente e a qualidade de vida melhora muito. Faz a gente lembrar que há muitas coisas boas para viver”, relata.
O fundador e líder da banda Mundo Livre S/A, Fred Zero Quatro, também destacou a importância das experiências coletivas proporcionadas pelo festival.
“Cada vez mais, a sociedade precisa sair das telas e das redes sociais e voltar a ter experiências como essa, de coletividade, de ocupação e de reinvenção da noção de cidade e de comunidade. É um prazer imenso contribuir com uma experiência como essa”, avalia.
Pertencimento e valorização dos espaços públicos
Além do público recorde e da dimensão da estrutura, o resultado do 4º Festival de Inverno reforça o reconhecimento da cidade como espaço de convivência e pertencimento.
Na avaliação de José Aparecido Costa Freire, ampliar as possibilidades de ocupação cultural também contribui para valorizar e preservar os espaços urbanos.
“Quando a comunidade ocupa os espaços públicos com cultura, lazer e convivência, ela desenvolve um sentimento maior de pertencimento e cuidado com a cidade. Esses eventos também ajudam a chamar a atenção para a necessidade permanente de iluminação, segurança, mobilidade e infraestrutura adequada”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio-DF.
Programação cultural continua
O calendário cultural do Sesc-DF seguirá com atividades diversas, plurais e gratuitas. A agenda dá continuidade a eventos já realizados em 2026, como as festas juninas, o Sesc + W3, o Sesc + Axé e o Sesc SoundSystem.
Na quinta-feira, 30 de julho, será realizada a abertura oficial do 24º Sesc Festclown, considerado o maior festival de arte circense da América Latina. A programação começará às 20h, no Sesc Cultural, localizado na 511 Norte, com a participação do mágico e ilusionista argentino Gustavo Raley.
Reconhecido como um dos grandes nomes da mágica contemporânea, Raley possui mais de 70 intervenções originais e já se apresentou em aproximadamente 40 países. A abertura também contará com o espetáculo “Arca de Arabesco”, que combina fogo, técnica e poesia visual, além de acrobacias aéreas e uma apresentação do Globo da Morte.
Nos dias 15 e 16 de agosto, o Setor Comercial Sul receberá a Virada Cultural, com mais de 30 horas ininterruptas de apresentações musicais.
Em 29 de agosto, Ceilândia sediará mais uma edição do Sesc + Rap, iniciativa voltada à valorização da cultura urbana e dos artistas do rap local e nacional.
Entre 18 e 20 de setembro, o Sesc Cultural receberá o Sesc + Rabiscão. O evento reunirá mais de 150 artistas gráficos em uma feira aberta ao público, além de palestras, encontros e rodas de diálogo.
“O recorde alcançado pelo Festival de Inverno aumenta a nossa responsabilidade de continuar criando oportunidades para que a cultura chegue a todas as regiões e a diferentes públicos. O Sistema Fecomércio-DF, por meio do Sesc, continuará trabalhando para oferecer experiências que aproximem as pessoas, valorizem os artistas e contribuam para uma cidade mais viva, inclusiva e democrática”, conclui José Aparecido Costa Freire.

Fotos: Pedro Santos.
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