Ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal relembrou a infância em Brasília, apresentou projetos de combate à criminalidade, comentou temas nacionais e confirmou sua pré-candidatura a deputado federal

Foto; Renato Oliveira.
O 7x7 Podcast recebeu Sandro Torres Avelar para uma conversa ampla sobre segurança pública, vida pessoal, Polícia Federal, tecnologia, violência contra a mulher, participação comunitária e política. Durante aproximadamente uma hora e meia, o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal também relembrou episódios da infância, falou sobre família, fé, música, futebol e explicou os motivos que o levaram a disputar um cargo eletivo.
Apresentado por Aderbal, o programa foi transmitido pela Brasil no Ar TV, no YouTube, e pela Rádio Brasília no Ar FM, com participação do público durante a transmissão. Logo no início, Avelar defendeu que a segurança pública seja debatida de maneira transparente e com envolvimento direto da população.
Para ele, o tema não deve permanecer restrito às corporações policiais ou aos gestores públicos. O entrevistado lembrou que a Constituição estabelece a segurança como dever do Estado e responsabilidade de todos, destacando a necessidade de aproximar governo, forças de segurança, imprensa e comunidades.
Família, fé e raízes em Brasília
Nascido em Goiânia, Sandro Avelar retornou para Brasília ainda com poucos meses de vida. Filho de um servidor público que trabalhava no Senado, ele cresceu e estudou na capital federal, afirmando considerar-se, ao mesmo tempo, goiano e brasiliense.
Durante a entrevista, Avelar destacou a importância da família e da educação na formação das pessoas. Pai de Hugo e Bianca, ele afirmou que esses dois pilares são fundamentais para transformar a realidade de um país. Também demonstrou preocupação com crianças que permanecem fora das escolas e acabam expostas à criminalidade e a outras formas de vulnerabilidade.
O convidado falou ainda sobre os irmãos, o relacionamento com os filhos e a influência dos pais em suas decisões. Uma das frases que carrega consigo, ensinada por sua mãe, diz: “Se for para o bem, que Deus guie; se não for, desvie”.
A religião também ocupa um espaço importante em sua trajetória. Criado entre familiares católicos e evangélicos, Avelar declarou-se cristão e católico. Segundo ele, princípios como amor, cuidado, responsabilidade e disposição para ajudar devem orientar quem ocupa uma posição de autoridade.
Infância na Asa Sul, futebol e música
Boa parte da conversa foi dedicada às lembranças da juventude na 313 Sul. Avelar contou que cresceu em uma geração de amigos que ocupava quadras, pilotis e áreas públicas de Brasília para brincar, jogar futebol e andar de bicicleta.
Entre os moradores da região estavam o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt e o jornalista Tadeu Schmidt. Avelar recordou a convivência com os irmãos e contou que muitos dos amigos daquela época continuam próximos até hoje.
Conhecido pelo apelido de “Tomate”, o entrevistado falou com bom humor sobre os apelidos dados aos integrantes da turma. Ao mesmo tempo, relembrou um episódio no qual um amigo pediu para não ser chamado por um apelido de que não gostava. Avelar afirmou que respeitou imediatamente o pedido, preservando a amizade.
Torcedor do Fluminense, ele contou que se destacava no futebol entre os amigos. A paixão pelo clube também aparece nos nomes dos animais de estimação, como Fred e Deco, escolhidos em homenagem a jogadores ligados ao time carioca.
Na música, o convidado revelou preferências variadas. Disse gostar de sertanejo raiz, citando duplas como Milionário & José Rico e Matogrosso & Mathias, mas também destacou a influência do rock produzido em Brasília. Legião Urbana, Capital Inicial e diferentes bandas da cena brasiliense fizeram parte de sua juventude. A banda Titãs, no entanto, foi apontada como uma das que mais marcaram sua vida.
Direito, Polícia Federal e experiência na segurança pública
Avelar formou-se em Direito pela Universidade de Brasília. Segundo ele, a escolha do curso aconteceu depois de conversas com o pai, que considerava a formação jurídica uma base importante para diferentes carreiras.
Posteriormente, ingressou na Polícia Federal e construiu uma extensa trajetória no serviço público. Entre as funções mencionadas durante o programa estão a direção da área de combate ao crime organizado, a presidência da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, a direção do Sistema Penitenciário Federal, o posto de adido da Polícia Federal em Londres e o comando da
Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
O entrevistado também foi professor da Academia Nacional de Polícia, onde ministrou aulas de direitos humanos e de polícia de imigração. Além disso, integrou, em 2009, a comissão responsável pela discussão da reforma do Código de Processo Penal no Senado.
Ao comentar sua passagem pela Universidade de Brasília, Avelar relatou uma experiência ocorrida em 2015, quando tentou ingressar em um mestrado. Na avaliação pessoal do entrevistado, a seleção não teria valorizado profissionais com experiência prática. Ele defendeu que as universidades públicas promovam maior diversidade de ideias e uma aproximação mais efetiva entre teoria e prática.
Participação comunitária e os Conselhos de Segurança
Um dos principais assuntos do podcast foi a participação popular na formulação das políticas de segurança. Avelar afirmou que fortaleceu os Conselhos Comunitários de Segurança durante suas gestões à frente da secretaria.
Segundo ele, cada região administrativa do Distrito Federal possui características e necessidades diferentes. Por essa razão, medidas aplicadas em Ceilândia, Taguatinga, Planaltina, Gama, Plano Piloto ou outras localidades precisam considerar a realidade dos moradores.
Avelar citou como exemplo a decisão de limitar o funcionamento de distribuidoras de bebidas durante a madrugada. De acordo com seu relato, a medida foi adotada depois de reclamações apresentadas pelas comunidades sobre perturbação do sossego, tráfico, brigas e outros crimes registrados nas proximidades desses estabelecimentos.
O ex-secretário afirmou no programa que, após a implantação da restrição, houve redução de 31% nas ocorrências analisadas e queda superior a 70% nos crimes registrados durante as madrugadas nas proximidades das distribuidoras. Os percentuais foram apresentados pelo entrevistado durante o podcast como resultados da política adotada.
Câmeras, integração de dados e o programa DF 360
Outro projeto destacado foi a ampliação do videomonitoramento no Distrito Federal. Avelar explicou que, em 2012, foi lançado o programa Ação pela Vida, que dividiu o DF em quatro áreas integradas de segurança pública.
O modelo reuniu representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Departamento de Trânsito e Corpo de Bombeiros, permitindo o acompanhamento dos índices de cada região e a cobrança de resultados dos respectivos coordenadores.
A instalação de câmeras começou em 2013 e, posteriormente, foi ampliada com o programa DF 360. Segundo Avelar, o sistema passou a reunir imagens da Secretaria de Segurança Pública, de outros órgãos do governo e também de estabelecimentos privados, bancos e propriedades rurais.
Durante o programa, o entrevistado afirmou que o número de equipamentos integrados passou de aproximadamente 1.600 para 12 mil. A principal mudança, entretanto, teria sido a comunicação entre os bancos de dados das diferentes corporações.
Com essa integração, câmeras instaladas em locais como estações de metrô e estabelecimentos comerciais podem auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça. Conforme Avelar, centenas de prisões já teriam sido realizadas com o apoio desse sistema.
Servidor de Estado e combate à polarização
Avelar defendeu que os profissionais da segurança atuem de maneira institucional, independentemente de o governo ser de esquerda, de direita ou de centro. Para ele, o servidor público deve aplicar o conhecimento técnico e buscar os melhores resultados para a população.
O ex-secretário também falou sobre sua passagem pela presidência do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública. Segundo ele, a entidade reuniu representantes dos 26 estados e do Distrito Federal para discutir uma proposta alternativa de emenda constitucional para a segurança pública.
Avelar criticou a ausência inicial dos profissionais da área em determinadas discussões conduzidas pelo Ministério da Justiça. Também defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública independente, argumentando que o setor possui atribuições, desafios e necessidades próprias.
Novos profissionais para combater crimes cibernéticos
O crescimento dos crimes digitais também esteve entre os temas abordados. Na avaliação de Sandro Avelar, os concursos das polícias judiciárias precisam reservar espaço para profissionais com formação específica em tecnologia, segurança da informação e investigação cibernética.
Ele argumentou que candidatos altamente qualificados nessas áreas podem acabar eliminados por critérios físicos que não estão diretamente relacionados às funções que exerceriam. A proposta defendida pelo entrevistado seria criar um percentual de vagas para profissionais com esse perfil, mantendo as avaliações de conhecimento, mas adaptando determinadas exigências físicas.
Para Avelar, as corporações não devem depender apenas da formação posterior de servidores generalistas. O recrutamento de pessoas que já possuem experiência tecnológica poderia acelerar a resposta aos golpes virtuais e a outras modalidades de crime cibernético.
Jô Soares, Lava Jato e confiança na Polícia Federal
Em um momento mais descontraído, Avelar relembrou uma entrevista concedida a Jô Soares. O ex-secretário descreveu o apresentador como uma pessoa acessível, inteligente e com grande conhecimento sobre diferentes assuntos.
Avelar também relatou que, após a entrevista, os dois conversaram fora do ar sobre equipamentos utilizados pelas forças policiais. O episódio foi apresentado como uma lembrança curiosa de seu encontro com um dos maiores comunicadores da televisão brasileira.
Ao falar sobre a Operação Lava Jato, afirmou ter colaborado de forma periférica, oferecendo suporte aos colegas envolvidos. Em sua opinião, a operação acabou excessivamente politizada e estigmatizada. Ele reconheceu a existência de erros, mas defendeu que o trabalho realizado não seja integralmente desconsiderado.
Avelar ainda afirmou confiar na Polícia Federal e na atuação das equipes responsáveis pelas investigações. Segundo ele, o caráter coletivo dos trabalhos dificulta interferências destinadas a impedir completamente uma apuração.
Redes sociais e transparência
Sandro Avelar contou que começou a utilizar o Instagram durante o período em que atuava como adido da Polícia Federal em Londres, entre 2018 e 2021.
Durante a pandemia, ele foi convidado a participar de uma transmissão do podcast Última Ratio. Pouco antes da entrevista, descobriu que precisaria de um perfil no Instagram para participar. A partir daquele episódio, criou a conta e passou a utilizar as redes sociais como instrumento de comunicação.
Para o entrevistado, a imprensa, os podcasts e as plataformas digitais ajudam a divulgar políticas públicas, prestar contas à sociedade e informar a população sobre serviços que muitas vezes são desconhecidos.
Feminicídio e o programa Viva Flor
Ao tratar da violência contra a mulher, Avelar destacou que o feminicídio não pode ser encarado somente como responsabilidade das forças de segurança. Ele afirmou que muitas agressões acontecem durante meses ou anos dentro das residências, enquanto vizinhos, familiares, amigos e funcionários dos condomínios percebem os sinais, mas não denunciam.
O convidado apresentou o Viva Flor, programa voltado à proteção de mulheres ameaçadas. O sistema pode funcionar por meio de um equipamento semelhante a um telefone celular ou de um aplicativo instalado no aparelho da vítima.
A ferramenta possui GPS e botão de emergência. Quando acionada, envia um alerta prioritário para as equipes de segurança, permitindo o deslocamento de uma viatura até a localização da mulher.
Nos casos em que o agressor utiliza tornozeleira eletrônica, o sistema também pode identificar sua aproximação. Segundo Avelar, se o homem entrar em um raio determinado de distância, a vítima e as autoridades são avisadas.
O entrevistado afirmou que centenas de vidas já foram protegidas com o auxílio do programa. Ele também pediu que a sociedade abandone a ideia de que não deve interferir em agressões ocorridas entre casais e reforçou a importância das denúncias.
Política como oportunidade de servir
Ao explicar sua entrada na política, Sandro Avelar afirmou enxergar o mandato como uma oportunidade de servir à população. Ele criticou o que chamou de “políticos de Copa do Mundo”, que aparecem apenas durante os períodos eleitorais e não apresentam resultados concretos.
Avelar também condenou a compra de apoio político e a escolha de candidatos baseada somente em recursos financeiros. Por outro lado, disse respeitar parlamentares eleitos pelo chamado voto de opinião, mesmo quando representam posições ideológicas diferentes das suas.
O ex-secretário relatou que decidiu disputar sua primeira eleição depois de ser incentivado pelo então vice-governador Tadeu Filippelli e pelo próprio pai. Na ocasião, obteve uma votação expressiva, ficou como suplente e, posteriormente, retornou ao comando da segurança pública.
No 7x7 Podcast, Avelar foi apresentado como pré-candidato a deputado federal pela União Progressista, federação formada por União Brasil e Partido Progressistas.
Resultados apresentados na segurança do DF
Durante a entrevista, Avelar atribuiu a melhora dos índices de segurança do Distrito Federal a um trabalho contínuo de integração e valorização das corporações.
Ele afirmou que o programa implantado a partir de 2012 permitiu uma redução progressiva dos homicídios. Como comparação, declarou que o DF teria registrado 78 homicídios em fevereiro de 2012 e cinco no mesmo mês de 2026.
Avelar também sustentou que Brasília teria alcançado a posição de capital mais segura do país. Tanto os dados quanto as posições nos rankings foram apresentados pelo convidado durante a entrevista e atribuídos por ele a informações oficiais do Ministério da Justiça.
O ex-secretário defendeu a valorização da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Departamento de Trânsito e Polícia Penal. Em sua avaliação, boas condições de trabalho, remuneração adequada e reconhecimento profissional aumentam a motivação dos servidores e melhoram o atendimento à população.
Saúde pública e pautas nacionais
Apesar de ter a segurança pública como principal área de atuação, Avelar também comentou problemas da saúde. Ele classificou como inadmissível que crianças, idosos e outros pacientes passem horas esperando atendimento por falta de médicos.
Para o entrevistado, a organização das escalas médicas representa um dos principais desafios do sistema público e precisa receber atenção especial.
Em uma rodada de perguntas objetivas, Avelar apresentou posições pessoais sobre temas que podem ser discutidos na Câmara dos Deputados. Declarou-se contrário à liberação ampla do aborto, admitindo sua realização apenas em situações específicas. Também se posicionou favoravelmente à redução da maioridade penal.
O entrevistado defendeu a discussão sobre prisão perpétua para autores de crimes graves e sobre a castração química de estupradores. Em relação ao porte de armas, afirmou que o tema precisa ser analisado com critérios, avaliação de perfil e punições rigorosas para quem fizer uso indevido. Todas essas colocações foram apresentadas no programa como opiniões e propostas políticas do entrevistado.
Oito de janeiro e valorização dos policiais
Avelar também falou sobre o período em que assumiu a Secretaria de Segurança Pública após os atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo ele, encontrou uma Polícia Militar intimidada e um comando receoso diante das investigações e das repercussões dos acontecimentos. O ex-secretário reconheceu que houve falhas de planejamento e execução, defendendo que os responsáveis individuais respondam por seus atos.
Ao mesmo tempo, afirmou que a instituição não deveria ser condenada de maneira generalizada. Em sua avaliação, policiais militares entraram nos prédios invadidos, restabeleceram a ordem e evitaram uma tragédia de proporções ainda maiores.
Avelar contou que trabalhou para promover e condecorar agentes que teriam praticado atos de bravura. Para ele, reconhecer policiais que se colocam em risco para proteger cidadãos é uma forma de valorizar as corporações e incentivar boas atuações.
Participação política e responsabilidade do eleitor
Nas considerações finais, Sandro Avelar direcionou uma mensagem aos eleitores que deixam de votar por desânimo ou por acreditarem que todos os políticos são iguais.
Segundo ele, a abstenção daqueles que desejam mudanças abre espaço para que candidatos sem compromisso com o interesse público sejam escolhidos. Avelar defendeu que os cidadãos pesquisem a trajetória dos concorrentes, analisem propostas e participem do processo democrático.
Para o entrevistado, existem pessoas qualificadas que pretendem ocupar espaços na política para realizar bons projetos, mas a mudança depende diretamente das escolhas feitas pela sociedade.
O significado do 7x7 Podcast
No encerramento, Avelar foi perguntado sobre o significado do nome do programa. Ele relacionou o 7x7 à união entre as pessoas e ao princípio de que todos precisam trabalhar por todos.
O apresentador explicou que o nome também foi inspirado na passagem bíblica que fala sobre perdoar “setenta vezes sete”. A proposta representa um diálogo permanente, baseado na ideia de que o perdão deve ser contínuo e de que sempre haverá espaço para novas conversas.
O 7x7 Podcast encerrou o episódio reforçando sua característica de bate-papo aberto, com informação, opinião, histórias pessoais, participação popular e discussões sobre os principais desafios do Distrito Federal e do Brasil.
Para conhecer todos os detalhes, acompanhar as declarações completas de Sandro Avelar e conferir os momentos descontraídos que marcaram a conversa, assista ao vídeo completo do 7x7 Podcast no canal Brasil no Ar TV, no YouTube. Inscreva-se no canal, ative o sininho e compartilhe a entrevista com outras pessoas.
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