O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou estar otimista com a audiência marcada para esta quinta-feira (13), no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro deverá discutir alternativas para enfrentar a crise financeira da instituição, que se agravou após a compra de carteiras de crédito do Banco Master.
Em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (12), Souza disse esperar que a reunião, conduzida pelo ministro Luiz Fux, reúna os principais envolvidos na busca por uma solução para o banco.
“Nossa expectativa é a melhor possível. Nós temos grandes atores participando dessa audiência, sob a coordenação do ministro Luiz Fux, o Banco Central, a própria União, por meio do Ministério da Fazenda, a AGU, além do GDF e do BRB. É um pacto federativo”, declarou.
Modelo de empréstimo pode ser alterado
Segundo o presidente do BRB, a proposta homologada pelo STF foi apresentada pelo Ministério da Fazenda, então sob condução de Dario Durigan. O formato, entretanto, poderá ser modificado durante as negociações.
O modelo inicialmente previsto estabelecia que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concederia um empréstimo ao Governo do Distrito Federal. O GDF, por sua vez, faria um aporte de capital no BRB.
Como garantia da operação, um grupo de bancos ofereceria fiança, enquanto o governo distrital apresentaria como contragarantia as cotas a que tem direito nos fundos de participação dos estados e dos municípios.
A operação não avançou porque as instituições financeiras não aceitaram prestar a fiança nas condições propostas.
Bancos apontaram entraves jurídicos
Questionado sobre os motivos da recusa, Nelson Antônio de Souza afirmou que os bancos demonstraram preocupação com a segurança jurídica da contragarantia oferecida pelo GDF. Também teriam sido levantadas questões relacionadas a contratos e ao relacionamento bancário entre as instituições.
“Eles acharam que precisariam de um aspecto jurídico maior com relação à utilização dessa contragarantia, e outros colocaram algumas ações pontuais que são decorrentes de relacionamentos bancários”, explicou.
Para o presidente do BRB, os pontos levantados podem ser resolvidos durante a negociação.
“São itens solucionáveis”, afirmou.
Aval soberano é uma das alternativas
Souza disse que, desde a homologação do acordo, surgiram outras possibilidades para viabilizar o empréstimo. Entre elas está a concessão de um aval soberano pela União.
De acordo com o presidente do BRB, o ajuste fiscal promovido pelo governo do Distrito Federal teria deixado as contas públicas no azul e permitido que o GDF obtivesse nota A na Capacidade de Pagamento (Capag).
Essa classificação poderia abrir caminho para que a União oferecesse garantia à operação.
“Decorrido esse prazo de dois meses, desde 28 de maio até agora, outras opções surgiram. Uma delas é o próprio aval soberano. Hoje pode ser dado”, disse Souza.
FGC cobra publicação de balanços
Em documento enviado à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e ao STF, o FGC informou que o pedido de empréstimo ainda não havia sido analisado. Segundo o fundo, o BRB não publicou os balanços referentes ao exercício de 2025 e ao primeiro semestre de 2026.
Ao comentar a manifestação, Souza afirmou que o banco já encaminhou ao FGC, ao Banco Central e ao sindicato de instituições financeiras um plano de negócios e um plano de capital.
Na avaliação dele, esses documentos, somados às informações enviadas desde março, seriam suficientes para permitir uma análise da situação financeira do banco, mesmo antes da publicação dos balanços.
BRB aguarda auditoria antes de divulgar números
O presidente do BRB explicou que a instituição ainda não publicou os dados financeiros porque a atual diretoria pretende garantir a correção das informações antes da divulgação.
Segundo Souza, a decisão está relacionada às fraudes identificadas no banco.
“Tendo em vista as fraudes que ocorreram, a diretoria atual entendeu que precisa dos números corretos”, afirmou.
Ele disse que uma primeira etapa do balanço já foi concluída, mas ainda é necessária a auditoria por uma empresa independente. Depois disso, o documento deverá ser encaminhado ao Conselho de Administração e publicado em jornal de grande circulação.
“A primeira etapa está pronta, mas precisa ser auditada, ter o parecer de auditoria independente, que vai para o Conselho de Administração. Em seguida, o balanço é publicado em jornal de grande circulação”, explicou.
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