Proposta prevê articulação ainda durante a transição, calendário permanente de entretenimento, atrações internacionais, preços acessíveis e programação descentralizada pelas regiões administrativas
Após acompanhar neste sábado (29) o Hot Wheels Monster Trucks Live, na Arena BRB Mané Garrincha, Elisson Ferreira apresentou uma proposta para ampliar a utilização dos grandes equipamentos de Brasília e estabelecer um calendário permanente de cultura, esporte e entretenimento no Distrito Federal.
O espetáculo da Hot Wheels chegou pela primeira vez a Brasília com uma produção internacional destinada ao público familiar, reunindo Monster Trucks, motocross freestyle e outras atrações na Arena Mané Garrincha.
Durante o evento, Elisson afirmou ter observado principalmente a presença expressiva de famílias e crianças e disse que esse tipo de programação demonstra o potencial da capital para receber atrações de grande porte durante todo o ano.
Segundo a proposta apresentada, ainda durante o período de transição seria iniciada uma articulação envolvendo poder público, iniciativa privada, produtores, arenas, setores de turismo, hotelaria, gastronomia, comércio e economia criativa. A partir do primeiro dia de governo, a intenção seria estabelecer um calendário de longo prazo para a atração de shows internacionais, grandes partidas de futebol, espetáculos familiares, eventos esportivos e produções culturais.
“Um estádio como o Mané Garrincha precisa estar integrado à vida da cidade. Futebol, grandes shows, eventos familiares e atrações internacionais movimentam hotéis, restaurantes, transporte, comércio, trabalhadores e centenas de pequenas empresas. A proposta é trabalhar em parceria para que Brasília tenha uma programação permanente e planejada”, afirmou.
FESTIVAL DA CAPITAL
Entre as iniciativas apresentadas está a criação de um grande evento anual, provisoriamente denominado Festival da Capital — Brasília, Música e Cultura.
A intenção é criar uma programação própria da cidade, realizada no período de meio de ano, combinando grandes shows nacionais e internacionais, música produzida no Distrito Federal, manifestações culturais das regiões administrativas, gastronomia, economia criativa e atividades destinadas às famílias.
O projeto também incorporaria um grande circuito de cultura junina e julina, valorizando quadrilhas, artistas locais e tradições populares do Distrito Federal.
A proposta não pretende substituir festivais que Brasília já possui. A capital conta atualmente com eventos consolidados em diferentes segmentos, entre eles o Porão do Rock, o Na Praia e o tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A ideia apresentada é criar uma programação de caráter institucional e abrangente, concebida desde o início como uma marca anual da própria cidade.
Elisson citou como referência a capacidade que diferentes regiões brasileiras tiveram de transformar determinadas celebrações em símbolos de seus territórios — como o Festival de Parintins, no Amazonas, e os grandes carnavais brasileiros.
“Brasília tem condições de construir também uma grande tradição própria. Não copiando o Rio, São Paulo, Salvador ou Parintins, mas criando alguma coisa com a identidade de Brasília. Música, cultura brasileira, cultura candanga, gastronomia, nossas regiões administrativas e grandes atrações reunidas em um acontecimento que entre para o calendário nacional.”
Uma das premissas apresentadas é manter parte significativa da programação gratuita ou com ingressos a preços acessíveis, combinando patrocínio privado, receitas comerciais e formatos de parceria que reduzam a dependência direta de recursos públicos.
ESTÁDIO, ESPLANADA E REGIÕES ADMINISTRATIVAS
O planejamento prevê três escalas de programação.
A primeira reúne grandes produções na Arena Mané Garrincha e em espaços da região central capazes de receber públicos elevados. A segunda envolve eventos de médio porte. A terceira estabelece um circuito descentralizado nas regiões administrativas, com atrações locais, atividades para crianças e famílias, apresentações culturais e oportunidades para comerciantes e produtores das próprias cidades.
A proposta é impedir que a política de entretenimento fique concentrada apenas no Plano Piloto.
“Quando falamos de uma grande programação no centro, precisamos pensar também em Ceilândia, Samambaia, Gama, Santa Maria, Brazlândia, Planaltina, Sobradinho e todas as outras regiões. Nem todo evento precisa reunir dezenas de milhares de pessoas. Uma programação de bairro ou de cidade também gera convivência, lazer, trabalho e movimenta a economia local.”
EXPERIÊNCIA NO SETOR
Elisson é diretor licenciado da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) e afirmou que pretende aproveitar a experiência adquirida no segmento para estabelecer diálogo permanente entre governo e cadeia produtiva.
Fundada em Brasília em 1992, a ABRAPE representa empresas e profissionais ligados à produção e promoção de eventos culturais e de entretenimento e atua nacionalmente na defesa e desenvolvimento do setor.
A entidade é atualmente presidida por Doreni Caramori Júnior no biênio 2026/2027 e mantém atuação institucional junto ao Congresso Nacional e ao poder público em temas relacionados ao ambiente regulatório, tributário e econômico do setor.
Dados divulgados pela própria ABRAPE neste ano apontam ainda a forte relação do setor de eventos com outras atividades econômicas. No primeiro trimestre de 2026, enquanto o núcleo diretamente ligado aos eventos registrou saldo superior a 3,1 mil empregos formais, as atividades associadas somaram mais de 50 mil postos.
Para Elisson, essa experiência permite tratar eventos não apenas como entretenimento, mas como uma atividade econômica ligada ao turismo, geração de empregos e fortalecimento de pequenos negócios.
“Existe o artista no palco, mas existem também técnicos, carregadores, produtores, seguranças, fornecedores, empresas de alimentação, motoristas, hotéis, restaurantes, comunicação e uma enorme cadeia de pequenos empresários. A experiência da ABRAPE mostrou ao país a importância de organizar e representar esse setor.”
SERVIÇOS ESSENCIAIS E ECONOMIA CRIATIVA
Na apresentação da proposta, Elisson afirmou ainda que o investimento em entretenimento deve ocorrer paralelamente às prioridades dos serviços públicos.
Segundo ele, saúde, segurança e educação precisam permanecer como áreas centrais da gestão, enquanto cultura, esporte, turismo e entretenimento devem integrar a estratégia econômica e de qualidade de vida do Distrito Federal.
A proposta prevê, portanto, que o calendário seja estruturado prioritariamente por meio de planejamento antecipado, parceria com o setor privado, atração de patrocinadores e organização dos equipamentos públicos.
O objetivo anunciado é que Brasília amplie sua participação no circuito brasileiro e internacional de grandes eventos e, ao mesmo tempo, construa uma programação própria capaz de criar uma nova tradição anual da capital.
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