Jornada de 40h pode elevar custo da folha de pagamento em até 10%

A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar em até 10% os custos com pessoal no comércio atacadista e distribuidor. O alerta é do presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor Gomes Neto, que defende uma análise dos impactos econômicos e operacionais da medida antes de qualquer mudança na legislação.

Segundo estimativas do sindicato, a redução de quatro horas representa uma queda de aproximadamente 9% na disponibilidade de mão de obra. Para manter o mesmo nível de funcionamento, muitas empresas precisariam ampliar seus quadros em cerca de 10%, assumindo novos gastos com salários, encargos, benefícios e treinamentos.

“Em uma empresa com 100 empregados, a contratação de cerca de dez novos colaboradores pode representar um aumento superior a R$ 700 mil por ano na folha. Em empresas maiores, esse impacto alcança milhões de reais”, afirma Alaor.

Os efeitos podem ser mais expressivos no atacado devido às características da atividade. Parte significativa das operações ocorre durante a madrugada, com equipes responsáveis pela separação de pedidos e pelo carregamento de caminhões que abastecem supermercados, farmácias, padarias e pequenos varejistas.

“O abastecimento da população depende de uma cadeia logística contínua. Se houver redução da jornada sem aumento de produtividade, será necessário contratar mais pessoas para manter o mesmo nível de serviço”, destaca.

O sindicato também aponta possíveis consequências para os vendedores, cuja remuneração costuma incluir comissões. A diminuição das horas ou dos dias efetivamente trabalhados pode afetar negativamente visitas comerciais, pedidos e ganhos variáveis.

Outro desafio é a dificuldade para contratar profissionais qualificados, especialmente motoristas, conferentes, operadores logísticos, separadores de pedidos e vendedores. Para a entidade, essa escassez pode dificultar a recomposição necessária das equipes para compensar a redução da carga horária.

O presidente defende que eventuais alterações sejam discutidas por meio de convenções e acordos coletivos. Para o sindicato, uma mudança dessa dimensão deve ser precedida de estudos técnicos, sobretudo em um cenário de juros elevados, crédito restrito, baixa produtividade, escassez de mão de obra e concorrência crescente do comércio eletrônico e de operadores internacionais.


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