André Fernandes: o lixo na política do Ceará que não precisa ser reeleito nas Eleições de 2026

Da punição por quebra de decoro no Ceará à condenação por ataques contra jornalista, passando pelo confronto com Flávio Dino e por votações controversas em Brasília, deputado acumula episódios que colocam sua atuação política no esgoto 


André Fernandes construiu sua carreira política em torno do confronto. A atuação nas redes sociais, os ataques a adversários e a disposição para transformar disputas políticas em embates públicos ajudaram a formar a imagem do deputado cearense. Mas, quando se deixa de lado o personagem das redes e se consulta o histórico oficial, aparecem episódios concretos que ajudam a dimensionar essa trajetória.
Ainda como deputado estadual no Ceará, Fernandes foi suspenso por 30 dias por quebra de decoro parlamentar após acusar o deputado Nezinho Farias de envolvimento com organização criminosa sem apresentar provas. A punição foi aplicada pela Assembleia Legislativa e tornou-se um dos primeiros episódios de grande repercussão envolvendo o estilo de atuação do parlamentar.

O caso é particularmente significativo porque envolve uma acusação extremamente grave apresentada publicamente sem a comprovação correspondente. É um padrão que voltaria a aparecer posteriormente em Brasília.

O confronto com Flávio Dino e o episódio dos 277 processos
Um dos capítulos mais emblemáticos ocorreu em 2023, durante a passagem de Flávio Dino pelo Ministério da Justiça.
Fernandes apresentou requerimento na Câmara para ouvir Dino sobre uma série de questões, incluindo uma suposta ligação entre o PT e o PCC. O requerimento foi formalmente apresentado pelo deputado e posteriormente transformado em convite. A audiência ocorreu e a proposição acabou arquivada depois do cumprimento de seu objeto.
Mas o momento que mais expôs o despreparo da argumentação utilizada por Fernandes veio quando o deputado tentou usar o Jusbrasil como suposta prova de que Dino respondia a 277 processos.
Durante a audiência, Fernandes afirmou que havia encontrado no site 277 processos relacionados ao então ministro.
O problema é que a informação estava errada.

Uma checagem do Aos Fatos mostrou que não era verdade que Flávio Dino respondia a 277 processos. O número correspondia aos resultados encontrados pelo nome do ministro no Jusbrasil. Esses resultados poderiam incluir processos em que Dino aparecia como autor, advogado ou simplesmente era mencionado. Também poderiam envolver homônimos. A checagem encontrou ainda que as certidões apresentadas por Dino ao Tribunal Superior Eleitoral não indicavam processos criminais ou cíveis contra ele nas condições alegadas.

O próprio Aos Fatos classificou a acusação como falsa e explicou posteriormente como o Jusbrasil vinha sendo utilizado para produzir interpretações enganosas sobre pessoas que apareciam em resultados de busca.

Dino respondeu ao deputado durante a audiência e ironizou a interpretação, afirmando que dizer, com base no Jusbrasil, que ele respondia a 277 processos estaria no mesmo “continente mental” de quem acredita que a Terra é plana.

O episódio é particularmente revelador porque Fernandes pretendia utilizar a informação para atingir a credibilidade de Dino, mas acabou apresentando como fato algo que uma checagem posterior demonstrou ser falso.

É justamente nesse tipo de episódio que seus críticos utilizam expressões como “burrice política”. Não como diagnóstico sobre a inteligência pessoal do deputado, mas para descrever uma estratégia que apresenta uma interpretação equivocada como prova contundente e a transforma em munição política diante das câmeras.

A guerra política contra Dino

O episódio dos 277 processos não foi isolado.

Fernandes manteve uma sequência de ataques contra Dino. Em discursos registrados oficialmente pela Câmara, acusou o ministro de mentiras e questionou sua atuação durante os acontecimentos relacionados ao 8 de Janeiro.

Em uma de suas manifestações, classificou a participação de Dino na Câmara como um “show de pirotecnia” e afirmou que o ministro teria ido ao Parlamento para mentir.

O confronto também saiu do campo verbal e contaminou as próprias audiências parlamentares. Uma audiência com Dino na Comissão de Segurança Pública terminou em gritaria, troca de acusações e tumulto, sendo encerrada de forma antecipada. A própria Câmara registrou o episódio.

O parlamentar continuou atacando Dino posteriormente, inclusive durante a discussão sobre sua indicação ao Supremo Tribunal Federal.

O histórico mostra, portanto, que não se tratou de uma divergência pontual. O confronto com Dino tornou-se uma das frentes permanentes da atuação política de Fernandes.

A condenação por ataques à jornalista Patrícia Campos Mello

Outro episódio grave ocorreu antes mesmo de sua chegada à Câmara dos Deputados.

Em 2021, a Justiça de São Paulo condenou Fernandes a pagar R$ 50 mil por danos morais à jornalista Patrícia Campos Mello, em razão de ataques de cunho sexual dirigidos à repórter.

No ano seguinte, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação por decisão unânime.

Aqui não se trata de uma crítica feita por adversários políticos. Existe uma condenação judicial e uma indenização determinada pela Justiça.

O episódio tornou-se um dos capítulos mais controversos da trajetória pública de Fernandes e integra o histórico de ataques contra profissionais de imprensa que marcou parte da comunicação política bolsonarista nas redes sociais.

O 8 de Janeiro

Fernandes também entrou no radar do Supremo Tribunal Federal no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023.

O deputado foi investigado por manifestações relacionadas aos atos que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

É importante registrar o desfecho com precisão: a investigação foi posteriormente arquivada, após manifestação da Procuradoria-Geral da República pela ausência de elementos suficientes para oferecer denúncia.

Portanto, o episódio não resultou em condenação criminal contra Fernandes.

O que permanece documentado é a existência da investigação e o fato de que sua atuação nas redes sociais antes e depois dos acontecimentos foi considerada relevante o suficiente para ser submetida à análise do Supremo.

Reforma tributária e cesta básica

No Congresso, os votos de Fernandes também deixaram registros que alimentam a controvérsia em torno de sua atuação.

O deputado votou contra o texto da Reforma Tributária aprovado pela Câmara.

A proposta incluía a criação da Cesta Básica Nacional de Alimentos com alíquota zero.

É importante fazer uma distinção: não é correto afirmar que Fernandes apertou o botão “não” especificamente contra a cesta básica. O voto foi contrário à reforma como um todo, e a reforma continha a previsão de alíquota zero para a cesta básica.

Ainda assim, o registro parlamentar permite afirmar objetivamente que Fernandes votou contra o texto que incluía essa política de desoneração.

Contra o arcabouço fiscal

Fernandes também votou contra o novo arcabouço fiscal em 2023.

Na bancada cearense, foi um dos dois deputados que votaram contra a proposta.

O voto colocou o parlamentar contra uma das principais medidas econômicas apresentadas pelo governo Lula naquele período.

O voto pela chamada PEC da Blindagem

Em setembro de 2025, Fernandes voltou a protagonizar uma votação de grande repercussão.

O deputado votou favoravelmente à PEC 3/2021, conhecida no debate público como PEC da Blindagem.

O registro oficial da Câmara mostra o voto “Sim” de Fernandes no primeiro e no segundo turno da proposta.

A proposta ampliava as proteções processuais de deputados e senadores, incluindo a exigência de autorização da Câmara ou do Senado para o prosseguimento de determinadas ações penais contra parlamentares.

O texto aprovado pela Câmara não avançou no Senado, mas o voto de Fernandes ficou registrado.

Um histórico que vai muito além das redes sociais

Quando esses episódios são reunidos, aparece um histórico político difícil de separar da controvérsia.

Há a suspensão por quebra de decoro no Ceará, após uma acusação sem provas contra outro deputado.

Há a condenação judicial de R$ 50 mil por ataques contra uma jornalista, posteriormente mantida em segunda instância.

Há o confronto permanente com Flávio Dino.

Há o episódio dos 277 processos, no qual uma busca do Jusbrasil foi apresentada como prova de que Dino respondia a centenas de ações, afirmação posteriormente classificada como falsa por checagem especializada.

Há uma investigação relacionada ao 8 de Janeiro, posteriormente arquivada.

Há o voto contra o arcabouço fiscal.

Há o voto contra a Reforma Tributária, cujo texto incluía a cesta básica com alíquota zero.

E há o voto favorável à chamada PEC da Blindagem.

É esse conjunto, e não um episódio isolado, que permite compreender a dimensão das críticas dirigidas ao deputado.

A expressão “burrice política” pode ser dura, mas encontra, nesse contexto, um sentido específico: a crítica à insistência em transformar confronto em método e acusações em espetáculo, mesmo quando a informação utilizada como munição política não suporta uma verificação básica.

O episódio dos 277 processos é especialmente simbólico. Fernandes pretendia usar o número encontrado no Jusbrasil para atingir Dino. O resultado foi exatamente o oposto: a informação foi checada, considerada falsa e passou a integrar o próprio histórico das controvérsias envolvendo o deputado.

No fim, a trajetória não precisa ser explicada por adjetivos. Os documentos, as decisões judiciais, as votações, os discursos e as checagens estão disponíveis para consulta.

E é justamente quando esses registros são colocados lado a lado que se torna possível discutir, com fatos, o modelo de atuação política representado por André Fernandes. Um lixo de candidato que não precisa ser reeleito nas eleições de 2026.

Lembrando de quem era o YouTuber André, antes de ser político: ele ensinava a pessoas como raspar o ânus e outras "gracinhas", tipo simulando a morte da namorada com facadas e fotos "de brincadeira" colocando bigodinho e fazendo poses imitando Hitler. Esse é quem você deseja na política brasileira?

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