Banco Master: a ponta do ICEBERG

Como médico, aprendi que ignorar um sintoma grave não cura a doença, apenas permite que ela avance. O caso Banco Master é a ponta do iceberg e, no diagnóstico político, um sinal patognomônico de uma enfermidade antiga: a promiscuidade entre interesses privados e estruturas do Estado, agravada pela sensação de que alguns homens se tornaram maiores do que as instituições que deveriam servir.

O relatório da Polícia Federal trouxe elementos de extrema gravidade: ao menos oito encontros apontados entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes; mensagens enviadas pelo banqueiro às vésperas de sua prisão, inclusive questionando sobre a conveniência de deixar o país; e a participação atribuída ao ministro na edição da minuta de um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de sua esposa.

As respostas do ministro não foram recuperadas e os fatos ainda exigem investigação, contraditório e julgamento. Entretanto, cautela jurídica não pode ser transformada em pretexto para a inércia. A gravidade dos indícios impõe apuração independente, completa e transparente.

Cobrar explicações não é atacar o Supremo Tribunal Federal. Ao contrário: é defendê-lo da corrosão provocada pela ausência de limites. O Estado de Direito não admite toga como salvo-conduto, cargo como blindagem nem proximidade com o poder como atalho. Quem exerceu autoridade extraordinária em nome da democracia possui um dever igualmente extraordinário de transparência.

É moralmente insustentável aplicar rigor máximo aos adversários e reservar indulgência máxima aos que orbitam o poder.

O governo Lula e sua base transformaram a palavra “democracia” em instrumento de conveniência política. Democracia, porém, não é retórica para perseguir adversários e proteger aliados. É a submissão de todos à mesma Constituição, principalmente daqueles que concentram poder.

O Senado Federal também precisa romper o silêncio. A Constituição lhe confiou a responsabilidade de examinar eventuais crimes de responsabilidade cometidos por ministros do Supremo. Diante de indícios tão graves, retardar, arquivar ou simplesmente fingir que nada aconteceu não representa prudência republicana; representa uma omissão que ameaça converter-se em blindagem institucional.

Por essas razões, voltei a assinar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Não por vingança pessoal ou hostilidade ao Judiciário, mas porque autoridade sem responsabilidade degenera em arbítrio. O pedido não substitui a investigação: exige que o Senado cumpra seu dever constitucional e permita que os fatos sejam examinados com transparência, direito de defesa e as devidas consequências.

Ao eleitor brasileiro, digo: não desanime. O Brasil tem solução, mas ela depende de coragem cívica, consciência e memória. Nas próximas eleições, precisamos rejeitar o projeto de poder de viés socialista do governo Lula e escolher presidente, senadores e deputados verdadeiramente comprometidos com a verdade, a seriedade e a liberdade.

Resgatar o Brasil não significa destruir as instituições, mas fazê-las voltar a servir à Constituição e ao povo.

Nenhum homem é maior do que a República. Nenhuma toga está acima da lei. E nenhum Senado tem o direito de abdicar de seu dever.

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