Em entrevista apresentada por Paulo Melo, da TV Inovação, do Grupo Inova, candidato a deputado federal falou sobre origem no Recanto das Emas, experiência como empresário e administrador regional, saúde, empreendedorismo, terceiro setor, meio ambiente, mobilidade, tecnologia e articulações políticas
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O candidato a deputado federal Carlos Dalvan, número 4411, participou do Isso é Brasília Podcast, apresentado por Paulo Melo, da TV Inovação, do Grupo Inova, para uma conversa extensa sobre sua trajetória pessoal e política, a experiência na gestão pública e as propostas que pretende defender para o Distrito Federal.
Logo na abertura, Paulo Melo apresentou o programa como um espaço dedicado às histórias, desafios, oportunidades e às pessoas que participam da construção de Brasília. Dalvan foi apresentado como candidato a deputado federal, empresário, ex-administrador regional e com atuação ligada à tecnologia e à gestão do terceiro setor.
Ao longo da entrevista, Dalvan falou sobre infância e juventude, relembrou os primeiros anos do Recanto das Emas, contou como passou de garçom e vendedor a empresário, explicou sua entrada na política e fez um balanço de sua passagem pela Administração Regional do Recanto das Emas.
Também apresentou propostas e opiniões sobre creches, limpeza urbana, reciclagem, empreendedorismo, geração de empregos, terceiro setor, atendimento aos idosos, saúde pública, tratamento oncológico, transporte, metrô, juventude e tecnologia. Na parte política, falou da relação com Rôney Nemer, do apoio a Celina Leão e de sua atual campanha.
Das raízes nordestinas ao Recanto das Emas
Ao ser questionado sobre quem era Carlos Dalvan antes dos cargos e da política, o candidato iniciou a resposta pelas origens familiares. Disse ser filho de nordestinos, com raízes cearenses, e recordou o período em que a família vivia de aluguel em Ceilândia antes de conseguir um lote no Recanto das Emas.
Dalvan relacionou sua própria história ao desenvolvimento da região.“Falar da nossa história é algo que remete às minhas raízes. Meus pais, um casal de nordestinos, cearenses, e eu tenho muito orgulho dessas minhas raízes nordestinas. Morávamos lá na Ceilândia, numa casa de aluguel e, no tempo do ‘papai Roriz’, como o pessoal gosta de falar, conseguimos um lote lá no Recanto das Emas. Chegamos no Recanto das Emas no tempo da lama, da poeira, da água de chafariz. É uma cidade que eu tenho muito orgulho de morar e também orgulho de ajudar a transformar a história da cidade.”
Antes de ingressar na gestão pública, contou, trabalhou como garçom e vendedor e posteriormente abriu restaurantes no Recanto das Emas e em Samambaia.“Fui comerciante no Recanto das Emas. Antes trabalhei como garçom, vendedor, montei um restaurante no Recanto, outro na Samambaia. E, através desses restaurantes, Paulo, eu comecei a desenvolver um projeto social chamado Resort Solidário. Eu sou muito apaixonado pelo terceiro setor.”
A conversa sobre os restaurantes trouxe também uma lembrança pessoal. Dalvan contou que os pais participavam da operação de um dos estabelecimentos e explicou que a morte da mãe, a pandemia e as exigências da gestão pública contribuíram para o encerramento da atividade.“Quem tomava conta daquele restaurante comigo era minha mãe, meu pai, e aí minha mãe veio a falecer e teve a pandemia. Então foi uma sequência de situações. E a gestão pública, cuidar de uma cidade do tamanho do Recanto das Emas, exige muito esforço, muito tempo, muita dedicação. Eu tive que empenhar boa parte do meu tempo para essa missão, cuidar do Recanto das Emas.”
“Esse negócio de política não é minha praia”
Segundo Dalvan, sua aproximação inicial com a política ocorreu a partir da atuação social. O Resort Solidário, criado a partir do restaurante, teria ampliado seu contato com pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ele disse que, em 2017, começou a receber incentivos de amigos para disputar uma eleição, mas inicialmente rejeitou a possibilidade.“A gente conseguiu ajudar muitas pessoas e eu nem imaginava ser político, não era minha praia. Alguns amigos começaram a me procurar: ‘Dalvan, por que você não sai candidato?’. Isso em 2017. Ano que vem, ano de eleição e tal. E eu: ‘Sai fora, estou fora. Esse negócio de política aí não é minha praia’. Porque realmente a política nos causa um certo temor. A gente vê vários maus exemplos.”
O convite que mudou sua decisão, de acordo com Dalvan, veio de Rôney Nemer. “Um amigo, no caso o deputado Rôney Nemer, que na época era presidente do Progressistas e deputado federal, me convidou. Falou assim: ‘Dalvan, você já ajuda muita gente, cara. E a política é uma ferramenta de potencializar o que você já faz, ajudar as pessoas’. E foi daí que surgiu essa minha caminhada política.”
Dalvan afirmou que sua atual candidatura está ligada principalmente à representação das regiões administrativas. “Hoje nós estamos nessa candidatura a deputado federal para que as cidades satélites possam ter voz, possam ter um deputado que entenda o dia a dia das pessoas, que não tenha medo de ir para a rua, de representá-las, escutar os problemas. Porque a maioria dos políticos, o sentimento que eu tenho, é que tem medo de olhar nos olhos dos eleitores, tem medo de ir lá na ponta e escutar as demandas: ‘Será que eu vou dar conta de resolver?’. A proximidade traz resultado. É nisso que eu acredito.”
Eleições de 2018 e 2022
Ao relembrar sua primeira disputa eleitoral, Dalvan afirmou ter recebido 6.111 votos em 2018. Segundo ele, a campanha foi realizada com poucos recursos e praticamente nenhuma experiência eleitoral. “Em 2018 eu não entendia nada de política. Não que eu entenda muito hoje, mas esses oito anos na caminhada política me deram uma experiência bem maior do que eu tinha em 2018. Em 2018 a gente conseguiu alcançar 6.111 votos na nossa primeira eleição. Pouquíssimo recurso, sempre fiz campanha assim, com pouco recurso, já estou bem acostumado. Experiência zero.”
Sobre 2022, disse que chegou a 16.227 votos, mas que a estratégia partidária não resultou na eleição. “Fomos de novo ser testados nas urnas e aí nós quase triplicamos a votação. De 6.111 nós pulamos para 16.227. Na maioria dos partidos de Brasília eu teria sido eleito, mas, como eu fiz uma mudança de partido na última hora pela questão de estratégia política que a gente achou que seria o melhor caminho, não deu certo e eu fiquei de fora. Mas, como eu prefiro entender, não era o tempo de Deus.”
Dalvan classificou o resultado como frustrante, mas disse ter considerado gratificante receber a confiança dos eleitores. “Foi frustrante o resultado da eleição, mas saber que 16.227 pessoas confiaram no discurso de uma pessoa que não compra cabo eleitoral, não usa de má-fé para fazer política, que faz a política do dia a dia, de olhar nos olhos das pessoas, de correr atrás, de ter amigos que ajudam a fazer essa caminhada, foi gratificante.”
Administração regional: “A população entende você como um prefeitão”
Uma parte significativa da entrevista foi dedicada à passagem de Dalvan pela Administração Regional do Recanto das Emas.
Para ele, a função de administrador regional reúne grande cobrança da população e, ao mesmo tempo, limitações administrativas e financeiras. “Ser administrador regional é um desafio muito grande. Eu costumo dizer que é um dos cargos mais complicados do país. O orçamento é baixo, a autonomia política é pouca, a autonomia política e financeira é muito pouca. E a população entende você como um ‘prefeitão’ que tem que resolver tudo.”
Ele prosseguiu dizendo que questões de saúde, educação e segurança frequentemente chegam à administração regional, embora a solução dependa de outros órgãos. “Você não tem essa autonomia. Um problema na saúde, infelizmente você não tem autonomia de chegar no secretário de Saúde e falar: ‘Olha, nós precisamos rever isso aqui’. Às vezes nem atende a gente. Da mesma forma a educação, tem a regional de ensino que representa a educação na cidade; segurança pública, da mesma forma. E todo mundo entende que a responsabilidade dessas pautas é toda do administrador regional. Acaba que a gente fica engessado pela estrutura de poder que nós temos hoje aqui em Brasília.”
Apesar das limitações descritas, Dalvan avaliou positivamente sua passagem pela administração e citou o viaduto da entrada do Recanto das Emas entre as entregas do período. “Foi gratificante. Nós conseguimos tirar várias obras do papel. Realizamos grandes conquistas em nossa comunidade. Um grande exemplo é o viaduto na entrada da cidade. Foi prometido por vários governos, vários gestores. Está entregue. O viaduto diminuindo engarrafamento e trazendo qualidade de vida para as pessoas, menos tempo no trânsito.”
Creches e mães que precisavam trabalhar
Dalvan também dedicou parte da entrevista à educação infantil. Segundo seu relato, quando assumiu a administração em 2019 havia cerca de 2,1 mil crianças aguardando vagas em creches no Recanto das Emas.
“Nós conseguimos, Paulo, zerar a fila de creche. Quando eu assumi a administração do Recanto das Emas em 2019, nós tínhamos uma proximidade muito boa com a regional de ensino e tinham 2.100 crianças fora da creche. Duas mil e cem mães de família que precisavam ir trabalhar, às vezes mãe solo, e não tinham com quem deixar seu filho para trabalhar, para correr atrás do seu objetivo.”
Ele citou ainda a atuação ao lado de instituições parceiras e o acompanhamento de iniciativas relacionadas à ampliação das vagas.
“Sempre que era algo relacionado à pauta de gerar vagas de creche, a gente estava acompanhando, seja construir, sejam as parcerias. O Cartão Creche a gente sempre estava acompanhando porque a gente sabia a dor das pessoas, conhecia de perto.”
Segundo Dalvan, a fila foi zerada e novas unidades estavam em construção no momento da entrevista.
“A gente conseguiu zerar a fila de creche no Recanto das Emas. Hoje tem três creches sendo construídas no Recanto das Emas nesse exato momento, sendo que a fila de creche foi zerada. Nós vamos começar agora a zerar o berçário no Recanto das Emas. Isso é uma conquista muito grande para nossa comunidade. Com certeza é um legado do nosso trabalho.”
Lixo: “É dinheiro que vai para o ralo”
Questionado sobre um problema que exigiu uma solução diferente durante sua gestão, Dalvan escolheu o descarte irregular de lixo. “Nós enfrentamos diariamente um problema do descarte irregular de lixo e é vergonhoso para Brasília, capital do país, a gente sofrer dessa forma. Não é uma peculiaridade do Recanto das Emas. A grande maioria das cidades satélites sofre com isso, com os lixões a céu aberto, com descarte irregular de lixo, e fica aquele enxugar gelo. De manhã a administração manda as máquinas, limpa; quando é de tarde, os sujões, os porcões, vão lá e jogam lixo.”
Dalvan contou que sua gestão chegou a oferecer R$ 50 via Pix para quem fornecesse imagens que permitissem identificar responsáveis por descarte irregular em determinada área. “Nós chegamos, em um momento da nossa gestão, a fazer uma iniciativa de contemplar com Pix de R$ 50 quem divulgasse imagens que identificassem quem estava descartando o lixo de forma irregular em uma certa região do Recanto das Emas. Depois que nós fizemos isso, ninguém mais jogou lixo lá, Paulo. Ninguém mais descartou lixo lá.”
Para ele, o problema também representa desperdício de recursos públicos.“O descarte de lixo é dinheiro que vai para o ralo e a gente tem que ter zelo, sim, com dinheiro público. Dinheiro público poderia ser investido em outras áreas, igual a gente sofre hoje muito com a demora no atendimento da saúde pública de Brasília, que precisa ser melhorado. Dinheiro público que poderia ser investido num parquinho infantil para uma criança brincar, em rodovias de melhor qualidade, em uma cidade melhor, mas está lá pagando para limpar a cidade.”
Agência Brasília Limpa, reciclagem e educação ambiental
Como proposta, Dalvan defendeu a criação de uma estrutura denominada por ele de Agência Brasília Limpa, que reuniria diferentes áreas do governo para enfrentar o problema. “A criação da Agência Brasília Limpa seria uma agência onde ia unir toda a força do DF, seja de fiscalização, seja de limpeza, seja de infraestrutura, para que nós tenhamos um Distrito Federal que a gente tenha orgulho de falar: ‘Brasília é limpa’.”
Além da fiscalização e limpeza, ele defendeu políticas de logística reversa, reciclagem e educação ambiental. “Podemos pensar numa logística reversa aqui em Brasília de melhor qualidade. Reciclagem é algo que as grandes economias do mundo pensam e Brasília não está pensando nisso. Então nós temos que investir em logística reversa, nós temos que investir em educação ambiental, mas de uma forma mais concreta com os nossos jovens.”
Dalvan citou como exemplo o Desafio Verde, iniciativa que, segundo ele, foi desenvolvida durante sua passagem pela administração. “O objetivo era estimular os alunos a falar de conscientização ambiental. Surgiu cada ideia de grupo de alunos de lá, coisas fantásticas. E, se a gente faz isso em grande escala, em poucos anos a gente começa a colher os frutos de iniciativas como essa. Porque a Brasília que eu acredito, o DF que eu acredito, é uma cidade mais limpa, mais bem cuidada. É isso que a gente quer, uma cidade melhor de se viver, e tem como ser feito com iniciativas e uma gestão eficiente.”
Empreendedorismo: “Qual gabinete representa você?”
Ao entrar no tema da economia, Paulo Melo perguntou qual seria atualmente a maior dificuldade para quem deseja empreender e gerar empregos em Brasília. Dalvan respondeu com uma palavra: representatividade.
Na sequência, fez uma crítica à atuação política voltada ao setor. “Qual é o deputado federal que representa o empreendedor em Brasília? Representa os comerciantes? [...] Eu vou perguntar agora para você, comerciante, para você empresário, para você empreendedor: qual é o gabinete de deputado federal que te representa aqui em Brasília hoje? Infelizmente, a resposta é: nenhum.”
A avaliação é do próprio candidato, que afirmou pretender construir um gabinete voltado também às demandas dos empreendedores. “Nós vamos ter um gabinete na Câmara Federal que vai representar esse corajoso, porque o cara tem que ser corajoso, viu, Paulo? Abrir um CNPJ em Brasília no meio desse desafio de um Estado que não tem a maturidade de entender que o cara que cria o CNPJ é o cara que vai gerar emprego, diminuir o problema social, trazer riquezas para o Estado através dos impostos.”
Dalvan citou especificamente MEI, Simples Nacional e reforma tributária entre os assuntos que pretende acompanhar. “O meu compromisso com o empresário e com o empreendedor, Paulo, é dar representatividade para ele, lutar pelas pautas necessárias. A gente fala de MEI, a gente fala de Simples Nacional, são pautas em que um deputado federal pode contribuir muito.”
Do primeiro emprego à defesa da geração de oportunidades
Dalvan voltou à própria biografia para explicar sua visão sobre empreendedorismo. Disse que teve o primeiro emprego formal aos 18 anos, como garçom, e posteriormente trabalhou como vendedor. “Eu comecei a trabalhar de forma registrada, minha carteira assinada, aos 18 anos, como garçom. Depois de garçom, eu fui ser vendedor. Para ser garçom, tinha que ter uma pessoa que teve coragem de abrir um CNPJ, alugar uma loja, pagar uma conta de água cara, uma conta de energia cara.”
Para ele, a discussão sobre empresas deve estar diretamente ligada à geração de oportunidades.“Quando a gente gera emprego, eu não estou preocupado se o cara que abre o atacadão lá vai ganhar mais dinheiro. Não. Que ele ganhe. Mas eu estou preocupado se vai dar oportunidade para o jovem trabalhar, para a mãe de família, para o pai de família, para a pessoa de meia-idade que precisa trabalhar ainda.”
Dalvan ressaltou que sua defesa do setor produtivo não significa oposição à valorização dos servidores. “Nós temos um sentimento em Brasília, e é até algo que está no nosso DNA, que Brasília é para o servidor público. E nós temos que enaltecer, sim, muito o servidor público, porque o servidor público em Brasília tem que ser mais bem valorizado, e essa é uma das minhas bandeiras, sim. Mas uma coisa não anula a outra. Nós temos que ter essa sensibilidade com o setor produtivo, que é o setor que gira a economia em Brasília hoje.”
Empresas, polo logístico e compras públicas
Na discussão sobre atração de empresas, Dalvan afirmou que o DF precisa oferecer áreas adequadas, ambiente econômico competitivo e condições tributárias capazes de evitar a migração de empresas para estados vizinhos.
Ele apresentou o Recanto das Emas como exemplo e citou empreendimentos logísticos que, segundo seu relato, estavam sendo implantados na região. “Quando a gente fala de novas empresas, indústrias em Brasília, nós temos que pensar em alguns fatores: área, terreno. Lá no Recanto das Emas agora teve uma iniciativa de criar um polo logístico. [...] Com isso, a gente pode replicar isso para outras regiões, porque, quando as empresas crescem, a oferta de emprego também cresce.”
Dalvan também propôs mudanças relacionadas às compras públicas do Governo do Distrito Federal. Segundo ele, empresas locais enfrentariam desvantagens em algumas licitações diante de concorrentes estabelecidos em estados com tributação diferente.
“Nós temos que ter uma lei onde as empresas de Brasília tenham prioridade e preferência para ganhar as licitações do GDF, que é um grande comprador. Infelizmente, hoje não é essa realidade.”
“O terceiro setor vai chegar onde o Estado não consegue”
O terceiro setor foi um dos assuntos mais pessoais da entrevista. Dalvan afirmou que sua própria formação foi influenciada pela participação em projetos sociais durante a adolescência. “O terceiro setor vai chegar onde o Estado não consegue. É aquele braço amigo que muitas vezes também é preconceituado.”
Na avaliação do candidato, investimentos em infraestrutura são necessários, mas devem caminhar ao lado das políticas voltadas diretamente às pessoas. “Grandes obras, Paulo, são importantes. Um viaduto, uma iluminação, tudo isso é importante, uma creche, um hospital. Mas cuidar de pessoas é o mais importante, amigo. E o terceiro setor é especialista nisso, em cuidar de pessoas.”
Dalvan então contou como a mãe o colocou em um projeto social quando tinha aproximadamente 13 ou 14 anos. “Eu sou fruto disso, cara. Eu tinha lá meus 13, 14 anos, aquela idade que a gente é mais rebelde. E aí minha mãe, observando ali a movimentação, as amizades, foi lá e me empurrou no projeto social. Eu ficava pela manhã na escola, ia para casa, almoçava, pegava outro ônibus e ia para o projeto social.”
O projeto, segundo ele, combinava esporte com preparação profissional. “Lá eu ia jogar meu futebol, que eu sou apaixonado — só nunca aprendi, mas sou apaixonado. Depois do meu futebol, ia aprender alguma coisa voltada para a carreira profissional: um curso de jardinagem, fiz curso de jardinagem; um curso de marceneiro, fiz curso de marceneiro; um curso de iniciação ao trabalho, como se portar numa entrevista, como preencher um ofício, como fazer um currículo. Isso tira o jovem do caminho errado.”
Para Dalvan, Brasília possui organizações e empreendedores sociais capacitados, mas ainda enfrenta dificuldades de financiamento. “Aqui em Brasília nós temos vários empreendedores sociais que sabem fazer a coisa acontecer. Só falta oportunidade. A captação de recursos em Brasília ainda é muito limitada, é muito dependente das emendas de deputados.”
“Creche do idoso”: centro-dia para pessoas idosas
Entre as propostas apresentadas durante a entrevista está a criação de uma estrutura que Dalvan chamou popularmente de “creche do idoso”, cujo nome técnico, conforme explicou, seria centro-dia da pessoa idosa.
Segundo ele, a ideia foi inspirada em uma experiência de Osasco, em São Paulo. “A creche do idoso é um nome popular. O nome técnico é o centro-dia da pessoa idosa. O idoso vai chegar no espaço onde ele vai ter todo o acompanhamento com psicólogo, fisioterapeuta, vai aprender um artesanato, vai dançar um forró.”
O espaço também teria atividades de convivência e orientação sobre golpes digitais. “Vai fazer uma aula de dança, vai confraternizar com outras pessoas, vai aprender, Paulo, como evitar cair num golpe de internet, que é algo muito comum hoje. Vai ter um dia de qualidade. E à noite ele volta para casa, vai pegar o neto no colo, vai conversar com o filho, vai contar as experiências dele, como foi o dia.”
Dalvan relacionou a proposta à preocupação com idosos que permanecem sozinhos durante grande parte do dia e defendeu mais políticas públicas destinadas a esse público. As relações de saúde mencionadas por ele durante essa resposta representam a avaliação do próprio entrevistado. “Boa parte dos nossos idosos passa o dia sozinho em casa [...] e muitas vezes passa mal sozinho, não tem ninguém para dar ali um cuidado. É por isso que a gente tem que ter políticas públicas, sim, voltadas para o idoso aqui em Brasília.”
Relação com Rôney Nemer
Na parte política da entrevista, Paulo Melo perguntou diretamente sobre a relação de Dalvan com Rôney Nemer.
Dalvan classificou Nemer como amigo e uma das principais referências de sua trajetória política. “O Rôney é um grande amigo. É uma pessoa que eu tenho uma admiração enorme pela forma que ele faz política. É uma política do dia a dia, não é a política de quatro em quatro anos, como a gente vê muitos políticos fazendo, a famosa política Copa do Mundo, dos caras que aparecem de quatro em quatro anos.”
Ele disse que passou a conhecer mais de perto Nemer a partir de 2018 e afirmou que foi indicado por ele para assumir a Administração Regional.
“Em 2018, quando eu conheci, nesse convite dele para ser candidato, eu não conhecia o Rôney dos bastidores da política, da preocupação com os parceiros do grupo político. E a gente começou a fazer essa caminhada. [...] A amizade foi crescendo. Ele me indicou para administrador lá em 2018, confiou no meu trabalho.”
Sobre os atuais projetos eleitorais dos dois, Dalvan disse que as candidaturas são distintas, mas convergem politicamente.
“Ele tem um projeto dele, distrital, e eu tenho meu projeto federal. Os dois convergem muito e é natural isso na política. [...] Ele convive com minha família, vai na minha casa, conhece os meus filhos. Da mesma forma eu com a família dele.”
Apoio a Celina Leão
Questionado por Paulo Melo sobre sua relação com Celina Leão, Dalvan declarou apoio político à governadora e relacionou essa posição à aliança entre União Brasil e Progressistas.
Ao ser perguntado diretamente se apoiava Celina, respondeu: “Meu material é tudo 11. Eu sou do União, União Progressista. [...] O meu número é o 44, do União Brasil; 11, do Progressistas.”
Antes, Dalvan havia dito que considera positiva sua relação política com Celina e também comentou a proximidade de Rôney Nemer com o Progressistas. As avaliações sobre o desempenho político da governadora e sobre cenários eleitorais feitas durante a entrevista representam as opiniões dos participantes do podcast.
Saúde: “O problema emergencial de Brasília hoje”
Quando Paulo Melo perguntou qual problema de Brasília mais o preocupava, Dalvan não hesitou em apontar a saúde pública.
“O problema emergencial de Brasília hoje é a saúde. É nela que nós entendemos que os esforços, os investimentos, que nós temos que ter políticos unidos para dar uma resposta imediatamente.”
A resposta ganhou caráter pessoal quando o candidato falou sobre a morte da mãe em decorrência de um câncer. “Eu perdi minha mãe há quatro anos, Paulo, por conta de um câncer. E, assim, foi o momento mais difícil da minha vida. Mas eu quero falar do tratamento de câncer. Eu não vou falar da perda da minha mãe. Eu lembro que ela tinha que fazer uma biópsia.”
Dalvan afirmou que teve condições financeiras de pagar pelo procedimento, mas disse acompanhar reclamações de pacientes sobre demora na rede pública. “Graças a Deus eu tinha condições de pagar, mas, se fosse pela rede pública, ia ser seis meses, oito meses, como eu vejo muita gente hoje reclamando, dois anos. E a biópsia é um primeiro passo, fazer um exame para saber o que realmente a pessoa tem.”
Em seguida, defendeu que a saúde seja tratada como prioridade política. “Foi diagnosticado com câncer. Aí demora radioterapia, demora quimioterapia, a vida vai embora. Então nós temos que parar um pouco para pensar assim: ‘Olha, enquanto Brasília não equalizar a saúde, nós temos que ser muito responsáveis para falar de outras pautas’.”
Hospital oncológico: “É um projeto pelo qual eu vou lutar muito”
O tema do câncer levou Paulo Melo a perguntar sobre a implantação de um hospital oncológico em Brasília.
Dalvan defendeu a estrutura. “Para a capital do país e uma pauta tão importante, uma doença tão séria como o câncer, nós não termos um hospital oncológico é vergonhoso ainda.”
Caso eleito, afirmou que pretende acompanhar o projeto e buscar recursos para infraestrutura, equipamentos e pessoal. “Eu serei, sim, um deputado federal que estará acompanhando cada etapa, correndo atrás do recurso, porque a primeira parte é o quê? A infraestrutura, construir o prédio, paredes. Aí depois vêm materiais, equipamentos, recursos humanos, que são de suma importância.”
A morte da mãe, segundo Dalvan, dá uma dimensão pessoal à proposta. “Esse é um projeto, até mesmo pela história que eu tenho de ter perdido minha mãe por conta de um câncer, pelo qual eu vou lutar muito. O hospital oncológico de Brasília, nós vamos lutar bastante para tirar do papel, mas não só no discurso, gente, com ação, correndo atrás. Se tiver que bater atrás de gabinete de senador, de não sei de quem, nós vamos atrás dos recursos. O importante é esse hospital funcionar e atender as famílias do DF que precisam.”
Hospital do Recanto das Emas
Dalvan também comentou a construção do Hospital do Recanto das Emas. Segundo ele, a obra havia avançado para a segunda laje e ganhado ritmo. “O Hospital do Recanto das Emas também está bem, está na segunda laje, está caminhando. Demorou muito para desengatar, estava engasgado, parecia que estava se arrastando ali, mas agora começou a acelerar um pouco mais a obra, os recursos estão vindo.”
Na avaliação do candidato, a unidade teria impacto regional, atendendo não apenas moradores do Recanto. “É um hospital que vai trazer qualidade no atendimento de saúde não só para o Recanto das Emas. Vai atender boa parte da Samambaia [...] vai atender Riacho Fundo II, vai atender Água Quente, que é uma região administrativa importante que muitas vezes é esquecida. Ponte Alta também, núcleo rural, núcleo rural Monjolo, Caubir. Então toda aquela região vai ganhar um hospital.”
Metrô pela EPNB até Gama e Santa Maria
Mobilidade foi outro tema detalhado na entrevista. Dalvan apresentou uma proposta de expansão do metrô utilizando o eixo da EPNB.
Ao falar de investimentos estruturantes que Brasília poderia realizar, citou diretamente o projeto. “O que nós podemos hoje colocar no nosso radar é um crescimento do setor produtivo para que essa arrecadação aumente mais ainda e nós possamos sonhar com obras gigantescas, como é o meu objetivo: lutar pelo metrô que ligue a Asa Sul até o Recanto das Emas, passando pela EPNB, para diminuir o engarrafamento da EPNB.”
Na sequência, detalhou um trajeto ainda mais amplo. “Nosso projeto é mais audacioso, do Recanto das Emas até o Gama. É uma estação de metrô entre Bandeirante e Candangolândia para atender aquela região. Nós vamos subir a EPNB, passando de um lado Arniqueira, Areal, ali do outro lado Riacho Fundo I, e vai subindo.”
Dalvan afirmou que a proposta seria de metrô, e não de BRT, seguindo pelo eixo entre Riacho Fundo II e Recanto das Emas. “Vamos cortar entre o Riacho Fundo II e o Recanto das Emas, vamos subindo entre Ponte Alta e Caubir. Vamos atender o Gama, cortando o Gama, e vai acabar lá em Santa Maria.”
Para ele, trata-se de uma proposta que pode avançar. “É algo que é possível sair do papel, o metrô na EPNB, e é algo pelo qual nós vamos lutar bastante.”
Dalvan disse ainda que, no ano anterior à entrevista, participou de uma reunião na Secretaria de Mobilidade, ao lado de Rôney Nemer, para apresentar a ideia. “Eu estive na Secretaria de Mobilidade junto com o deputado Rôney Nemer, numa reunião com o Zeno. O Zeno era secretário de Mobilidade à época e nós levamos a ideia para ele, a proposta. Ele acatou, começou a fazer o estudo técnico, fez o estudo preliminar.”
Segundo o relato de Dalvan, a proposta teria avançado para análises de viabilidade técnica e ambiental.
Juventude: concurso público e outros caminhos
Ao falar diretamente para os jovens, Dalvan rejeitou a ideia de que seja necessário escolher entre concurso público e iniciativa privada. “Tem que pensar em concurso público e nos outros caminhos também. Eu comecei a trabalhar no comércio e aí a gente pode pensar: o jovem pode começar a trabalhar no comércio para pagar sua faculdade, o ensino que ele deseja; ou pode estudar para passar na UnB; ou pode, sim, estudar para fazer um concurso público e daqui a pouco ser um servidor público, que é o sonho de muitos jovens de Brasília hoje.”
Para ele, a prioridade deve ser ampliar as alternativas disponíveis. “O que a gente não pode, Paulo, é deixar de ter oportunidade para os nossos jovens. Brasília é uma cidade de oportunidades.”
Tecnologia e financiamento do terceiro setor
Dalvan avaliou que Brasília avançou na área de tecnologia, mas ainda precisa desenvolver um ambiente capaz de receber e reter profissionais do setor. “Brasília tem que amadurecer ainda para receber essa pessoa que quer trabalhar com tecnologia. Nós conseguimos alguns avanços nos últimos anos [...] mas ainda precisa ser feito muito mais para que a gente possa ser referência e criar mais oportunidades para os nossos jovens.”
Em relação ao terceiro setor, voltou a defender mudanças no acesso a recursos públicos. “Brasília está amadurecendo muito no que diz respeito ao terceiro setor. Comparada a oito, nove anos atrás, Brasília está vivendo essa chave de entender que o terceiro setor é necessário e importante para ajudar a cuidar das pessoas.”
Segundo ele, porém, o modelo de financiamento ainda precisa ser democratizado. “O que precisa hoje é a captação de recurso ser mais democrática. É o que eu vejo muitas instituições sérias, que querem fazer um grande trabalho, reclamando. É meio que hoje ainda um cenário de cartas marcadas, e a gente precisa entender que o terceiro setor está fazendo uma parte importante que o Estado não consegue, que é cuidar das pessoas.”
Campanha e relação partidária
Na reta final, Paulo Melo perguntou sobre a relação de Dalvan com a direção partidária e a composição eleitoral de União Brasil e Progressistas.
Dalvan afirmou estar nas ruas e disse contar com equipes e voluntários em diferentes regiões. “Nós estamos nas ruas já, trabalhando bastante. Nós temos várias cidades com equipes, com pessoas vestindo nossa camisa, a grande maioria voluntários, por acreditar no nosso projeto, por saber da nossa seriedade, da nossa forma de trabalho.”
Ele também apresentou sua própria avaliação sobre a composição da chapa e as possibilidades eleitorais dos candidatos. Essas considerações constituem análise política do entrevistado, e não uma projeção independente de resultado.
No bate-bola: Brasília é “casa”
No encerramento, Paulo Melo propôs uma rodada de respostas rápidas.
Ao ouvir “Brasília em uma palavra”, Dalvan respondeu: “Casa.”
Para uma qualidade indispensável a um bom gestor: “Compromisso.”
Empreender em Brasília, oportunidade ou desafio? “Desafio.”
Tecnologia, ameaça ou oportunidade? “Oportunidade.”
E terceiro setor? “Cuidar de pessoas.”
Perguntado sobre o que mudaria imediatamente em Brasília, respondeu: “O descarte de lixo.”
Sobre o que não pode faltar a um administrador: “Comprometimento com a população.”
E, ao falar de quem o inspira, citou: “Meu pai e minha mãe.”
Quando Paulo Melo perguntou onde gostaria de estar em cinco anos, Dalvan respondeu: “Na rua fazendo a reeleição para deputado federal.”
Gabinete itinerante e presença nas cidades
Depois do bate-bola, Dalvan voltou a defender renovação política e afirmou que pretende criar um gabinete que não funcione apenas dentro da Câmara dos Deputados. “Chegou a hora de renovar. Ter um gabinete que seja referência para Brasília, para as cidades, que atenda à demanda da população, que seja de portas abertas. E não só de portas abertas, tá, Paulo? Que seja um gabinete itinerante.”
A ideia, segundo ele, é levar a estrutura política às regiões administrativas para ouvir demandas diretamente. “O meu compromisso é estar na sua rua. Meu compromisso é estar aí.”
Compromisso com pessoas com fibromialgia
Já nos minutos finais, Dalvan acrescentou uma pauta que não havia sido aprofundada anteriormente: políticas voltadas às pessoas com fibromialgia.
O candidato citou uma estimativa de mais de 150 mil pessoas com fibromialgia no DF — número apresentado por ele durante a entrevista — e prometeu abrir o gabinete para representantes e pacientes ligados à pauta. “Eu quero aqui também deixar um recado para as pessoas com fibromialgia de Brasília. São mais de 150 mil pessoas com fibromialgia no DF e nós não temos nenhum deputado que levante essa bandeira de forma efetiva. E aqui é um compromisso meu: vocês vão ter um gabinete de portas abertas para a gente lutar junto por respeito, por tratamento de qualidade, mas, sobretudo, por cuidados.”
“Eu gosto dessa relação direta”
Na despedida, Paulo Melo abriu espaço para que Dalvan deixasse seus contatos e uma mensagem final aos espectadores.
O candidato destacou que disponibiliza o próprio telefone no material de campanha e afirmou utilizar o mesmo número há mais de 16 anos. “Talvez eu seja, Paulo, um dos poucos candidatos de Brasília que tem coragem de deixar o telefone pessoal no material de campanha. Esse é meu número, gente, há mais de 16 anos. Eu gosto dessa relação direta.”
Ao longo de toda a entrevista no Isso é Brasília Podcast, Dalvan procurou associar sua candidatura à experiência acumulada no Recanto das Emas, à atuação empresarial e no terceiro setor e ao contato direto com as regiões administrativas.
Saúde pública, geração de emprego, valorização do empreendedor, fortalecimento do terceiro setor, limpeza urbana e mobilidade aparecem entre os principais eixos apresentados pelo candidato durante a conversa com Paulo Melo.
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