Presidente do Sistema Cofeci-Creci defende silêncio consciente como instrumento de inteligência emocional, discernimento e preservação pessoal
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Foto: Pedro Santos.
O presidente do Sistema Cofeci-Creci, João Teodoro da Silva, abordou a importância do silêncio como ferramenta de autocontrole, maturidade e inteligência emocional em artigo publicado em 12 de setembro de 2026. Neurocientista comportamental, Teodoro relaciona o tema a princípios do estoicismo e à chamada “Regra dos Três Silêncios”, difundida por Lamartine Posella.
Em meio a um ambiente marcado pela exposição constante nas redes sociais e pela rapidez das manifestações no meio digital, João Teodoro sustenta que nem toda provocação exige uma resposta imediata. Para ele, saber escolher o momento de falar pode representar mais força do que reagir impulsivamente.
“O silêncio não é ausência; é densidade presencial, fomento à maturidade. A palavra dita fora de hora nos torna reféns da reação alheia”, afirma João Teodoro.
Segundo o presidente do Sistema Cofeci-Creci, o primeiro silêncio está relacionado ao crescimento pessoal e profissional. A recomendação é evitar a exposição prematura de ideias, planos e projetos, especialmente quando ainda estão em fase de desenvolvimento.
“Trabalhar em segredo preserva os ideais contra opiniões desmotivadoras e as invejas disfarçadas de conselho”, destaca. Para ilustrar o pensamento, Teodoro recorre à imagem da natureza: “A semente cresce silenciosamente sob a terra; no tempo certo, o fruto aparece para todos.”
Silêncio diante da raiva
O segundo princípio abordado está relacionado ao controle das reações em momentos de raiva, sobretudo diante de provocações ou insinuações. Na avaliação de João Teodoro, responder sob forte emoção pode produzir consequências difíceis de reparar.
“Na raiva, a melhor resposta é o silêncio!”, afirma. Segundo ele, a ira pode comprometer o equilíbrio emocional e fazer com que palavras ditas impulsivamente provoquem danos que nem sempre são corrigidos por um pedido de desculpas.
Nesse contexto, Teodoro diferencia o silêncio da omissão. “Não há de se falar de covardia ou repressão ao sentimento, mas de inteligência emocional, que nos preserva de ser controlados pelo interlocutor”, explica.
Como reagir às críticas pelas costas
O terceiro silêncio defendido pelo presidente do Sistema Cofeci-Creci diz respeito à reação diante de críticas, ataques ou comentários feitos pelas costas. Embora o impulso inicial possa ser o confronto público, Teodoro propõe uma reflexão antes de qualquer resposta.
“Vale a pena responder e descer ao nível do detrator?”, questiona. Para ele, em muitas situações, alimentar o confronto significa oferecer ao provocador justamente aquilo que ele procura: atenção e desequilíbrio emocional.
“Seguir em frente, mantendo íntegra a nossa conduta demonstra muito mais força do que qualquer discurso de defesa. O tempo, aliado ao nosso comportamento, revelará quem realmente somos”, afirma.
Silêncio não significa passividade
Apesar de defender o autocontrole, João Teodoro ressalta que silenciar não significa aceitar injustiças ou permanecer indiferente diante de situações que exigem posicionamento.
“O silêncio deve ser estratégico e temporário, uma ferramenta de discernimento, não de isolamento”, pontua. Segundo ele, é necessário estabelecer limites claros quando há violação direta e contínua de valores, assim como reconhecer situações em que firmeza e coragem são indispensáveis.
A proposta, portanto, não é abandonar o diálogo ou evitar conflitos necessários, mas desenvolver a capacidade de distinguir aquilo que merece uma resposta daquilo que apenas consome energia e alimenta confrontos improdutivos.
Um exercício diário de autocontrole
João Teodoro reconhece que colocar esse comportamento em prática exige treinamento. Em debates acalorados, redes sociais ou situações profissionais e pessoais, a reação impulsiva pode surgir antes da reflexão.
Por isso, ele propõe três perguntas antes de responder a uma provocação: a situação precisa ser respondida naquele momento? É realmente necessário que aquela pessoa responda? E qual é a maneira adequada de se manifestar?
Quando não houver uma resposta clara para essas questões, a opção pelo silêncio pode ser a atitude mais prudente.
“Se não houver respostas, experimentemos o silêncio! Nossa paz é mais importante do que eventual fugaz vitória!”, conclui João Teodoro da Silva, presidente do Sistema Cofeci-Creci.
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