Um conjunto de 12 municípios do primeiro anel da Região Metropolitana de Curitiba fazem parte do projeto Rede EcoAção Socioambiental RMC, iniciativa coletiva executada pelo Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (CEFURIA), em parceria com a Itaipu Binacional. Com duração prevista de 12 meses, o projeto busca aproximar organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, movimentos sociais, universidades e poder público na identificação de desafios socioambientais e na construção de propostas para políticas públicas.
O projeto nasce a partir de trabalhos junto aos Núcleos de Cooperação Socioambiental, iniciativa da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec, espaço coletivo de articulações voltadas para a construção de políticas de participação social e governança participativa.
Entre as ações previstas estão diagnóstico territorial participativo, ciclos de formação, assessoramento a cooperativas de catadores, a criação de coletivos territoriais e a realização de três Caravanas de Mobilização e Incidência Política. Ao final do processo, as propostas serão reunidas em um Caderno de Soluções, construído a partir das demandas identificadas nos territórios participantes.
Segundo o coordenador do projeto pelo CEFURIA, Lucas Paulatti, o mapeamento inicial está em fase de conclusão, com 36 organizações identificadas nos 12 municípios. A próxima etapa é aprofundar o diagnóstico sobre as características e necessidades de cada território. Entre os grupos mapeados estão organizações de catadores de materiais recicláveis, iniciativas de agricultura familiar e urbana, como hortas comunitárias, instituições de ensino, comunidades tradicionais e indígenas e organizações não governamentais que trabalham com educação e proteção ambiental.
Após a etapa de diagnósticos, serão realizados ciclos de oficinas e formações com as organizações participantes. O projeto também prevê a escolha de duas organizações de catadores para receber investimentos destinados à infraestrutura produtiva e adequação dos espaços utilizados na separação e destinação de materiais recicláveis.
Da identificação das demandas à articulação com o poder público
Outra frente do projeto será a formação de coletivos
territoriais socioambientais. A proposta é criar espaços de governança
territorial, integração entre as organizações para troca de experiências e
discussão das demandas identificadas durante o diagnóstico, além do
levantamento de novas demandas.
A articulação com gestores públicos deverá fazer parte desse processo. A expectativa, segundo Lucas, é que os encontros permitam apresentar as demandas levantadas e construir compromissos para seu encaminhamento. “A ideia é que esses gestores se comprometam com as demandas que foram identificadas pelo projeto ao longo do processo e termos esse momento de pactuação, de comprometimento para a construção de políticas públicas a partir das demandas levantadas”, afirma.
O processo deverá avançar posteriormente para as três Caravanas de Mobilização e Incidência Política. Os encontros serão realizados nas diferentes regiões abrangidas pelo projeto, priorizando os territórios com maior concentração de organizações e participação.
A previsão é que as Caravanas ocorram entre dezembro de 2026
e abril de 2027. Os encontros deverão reunir organizações e gestores públicos
para apresentar e discutir as propostas construídas ao longo das etapas
anteriores.
Participação direta
O projeto tem como público-alvo direto cerca de 400 pessoas
que vivem e atuam nos territórios, incluindo catadoras e catadores organizados
em cooperativas, educadores socioambientais populares, povos originários e
comunidades tradicionais. A proposta é que esses participantes contribuam
diretamente para o diagnóstico, a elaboração das propostas e o processo de
diálogo com o poder público. As atividades abrangem Almirante Tamandaré,
Araucária, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Fazenda Rio
Grande, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, São José dos Pinhais e Curitiba.
Os municípios compartilham desafios relacionados à gestão de resíduos, aos recursos hídricos, à desigualdade social e aos impactos da emergência climática. É a partir dessas questões comuns, mas também das especificidades identificadas em cada localidade, que o projeto pretende organizar suas ações e construir propostas para a atuação pública.
Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Cada ação
do projeto está em consonância com a Agenda 2030, alinhada aos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao fortalecer a gestão de resíduos, a
proteção das águas e a ação climática, o projeto contribui para os ODS 6 (Água
Potável e Saneamento), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e
Produção Responsáveis) e 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima). Ao
promover a formação cidadã, a inclusão socioprodutiva de catadores e a geração
de trabalho e renda, o projeto avança sobre os ODS 1 (Erradicação da Pobreza),
4 (Educação de Qualidade), 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), 10
(Redução das Desigualdades) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
A
iniciativa também se articula com o Fórum de Participação Social do Paraná,
instância vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, que reúne
movimentos sociais, redes e entidades da sociedade civil. Essa integração
fortalece a política pública federal de participação social, assegurando que as
ações apoiadas pela Itaipu e executadas pelo CEFURIA sejam coerentes e
complementares às estratégias nacionais de diálogo social e monitoramento de
políticas públicas. Ao compartilhar agendas e instrumentos de acompanhamento, o
projeto contribui para a democratização das decisões, para a transparência na
gestão pública e para a consolidação de mecanismos permanentes de controle
social.
.gif)


.gif)