Sandro Avelar fala sobre segurança pública, tecnologia, gestão e planos para o Congresso no FocoTalks

Em entrevista a Paulo Melo, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal abordou redução da criminalidade, integração das forças, DF360, inteligência artificial, Polícia Penal, mudanças na legislação e sua candidatura a deputado federal


O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e delegado da Polícia Federal Sandro Avelar participou do FocoTalks, apresentado por Paulo Melo, para uma ampla conversa sobre segurança pública, gestão, tecnologia, prevenção à criminalidade e os desafios enfrentados pelo Distrito Federal e pelo Brasil. Durante a entrevista, Avelar também falou sobre sua trajetória profissional e explicou os motivos que o levaram a disputar uma vaga de deputado federal.

Com uma carreira construída principalmente na área de segurança, Avelar ocupou diferentes funções na Polícia Federal e na administração pública. Entre os cargos citados durante o programa estão os de diretor executivo da Polícia Federal, adido policial no Reino Unido, diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e secretário de Segurança Pública do Distrito Federal em dois períodos.

Ao longo da entrevista, um dos principais pontos defendidos por Avelar foi a necessidade de integração entre os diferentes órgãos responsáveis pela segurança pública. Para ele, os resultados alcançados no Distrito Federal estão diretamente relacionados à construção de um modelo no qual as instituições atuam de maneira coordenada.

Segundo o ex-secretário, essa integração envolve Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran e, em sua concepção, também a Polícia Penal. Avelar afirmou que cada instituição deve preservar suas atribuições, mas trabalhar de forma conjunta na definição de estratégias e no enfrentamento da criminalidade.

Redução dos homicídios no Distrito Federal
A redução dos homicídios foi um dos assuntos de maior destaque da conversa. Ao comentar os números apresentados durante o programa, Avelar fez uma comparação entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2026. “Você sai de 78 homicídios no mês de fevereiro de 2012 para cinco homicídios no mês de fevereiro de 2026, o que mostra que a gente está num caminho correto”, afirmou.

Para Avelar, a redução não pode ser atribuída a uma única ação. Ele relacionou os resultados a um processo iniciado anos atrás, baseado em planejamento, integração, acompanhamento de indicadores e continuidade das políticas públicas.

O ex-secretário ressaltou que segurança pública exige estratégias de médio e longo prazo. Na avaliação apresentada durante a entrevista, programas que produzem resultados não deveriam ser abandonados simplesmente em razão de mudanças de governo.

Avelar também destacou a importância de analisar os dados de cada região do Distrito Federal para direcionar efetivo e ações policiais aos locais que apresentam maiores problemas.
Comunidade como parte da política de segurança

Outro aspecto abordado foi a participação da população na definição das prioridades da segurança pública. Avelar contou que buscou ampliar o diálogo com representantes das regiões administrativas e com os conselhos comunitários de segurança. “A comunidade é que tem que ditar aquilo que tem que ser tratado como prioridade pela segurança pública”, afirmou.

Segundo ele, indicadores de criminalidade são fundamentais para a gestão, mas não representam sozinhos todas as preocupações da população. Problemas que afetam diretamente a rotina dos moradores também precisam chegar aos responsáveis pelas políticas públicas.

Na avaliação apresentada por Avelar, aproximar os profissionais de segurança da comunidade contribui para aumentar a confiança da população nas instituições.


DF360 e expansão do videomonitoramento
A tecnologia ocupou uma parte importante da entrevista. Entre as iniciativas mencionadas por Sandro Avelar está o DF360, programa voltado à ampliação e integração do videomonitoramento no Distrito Federal.

Segundo Avelar, a estrutura de câmeras utilizada pela segurança pública cresceu significativamente e passou de aproximadamente 1,5 mil equipamentos para uma rede próxima de 15 mil câmeras.

O modelo apresentado por ele não depende apenas de equipamentos instalados diretamente pelo poder público. A proposta também inclui integração com câmeras de escolas, hospitais e outros espaços, além da possibilidade de participação de empresas, condomínios e cidadãos que possuam equipamentos direcionados para áreas públicas. “Qualquer rua, qualquer bairro, comércio, área rural, condomínios, qualquer pessoa pode hoje cadastrar a sua câmera, desde que ela seja voltada para a área pública”, explicou.

As imagens, segundo Avelar, podem auxiliar as forças de segurança na investigação e prevenção de crimes, especialmente quando combinadas com bancos de dados.

Reconhecimento facial e inteligência artificial
Avelar também destacou o reconhecimento facial e a inteligência artificial como instrumentos que podem ampliar a capacidade de atuação das forças de segurança.

No caso do videomonitoramento, ele explicou que o cruzamento de informações pode contribuir para localizar pessoas procuradas e identificar veículos relacionados a ocorrências policiais.

A inteligência artificial, segundo o ex-secretário, também pode ter aplicações preventivas. Um dos exemplos apresentados durante o FocoTalks foi o enfrentamento à violência contra a mulher.

Avelar explicou que registros anteriores de ameaça, agressão e outras ocorrências podem ser analisados para identificar situações em que existe maior possibilidade de escalada da violência. “A inteligência artificial nos ajuda muito a medir esse risco”, afirmou.

Segundo ele, a identificação antecipada desses casos pode permitir que as autoridades adotem medidas antes que a violência chegue a consequências mais graves. “Você consegue interromper esse processo antes que o feminicídio aconteça”, declarou.

Durante uma rodada de perguntas rápidas feita por Paulo Melo, Avelar apontou ainda o “feminicídio zero” como um objetivo desejado para o Distrito Federal.


Polícia Penal como quinto pilar
A situação da Polícia Penal também recebeu atenção durante a conversa. Sandro Avelar defendeu maior valorização da categoria e afirmou considerar a corporação parte fundamental da estrutura de segurança do Distrito Federal. “A Polícia Penal, se somando à Polícia Civil, à Polícia Militar, ao Corpo de Bombeiros e ao Detran, na minha concepção, configura o quinto pilar da segurança pública”, disse.

Avelar defendeu maior equilíbrio entre as instituições, inclusive em questões relacionadas à carreira, estrutura administrativa e remuneração.“Eu acho que tem que haver uma isonomia. Eu tenho defendido que tem que haver um equilíbrio entre todas as carreiras”, afirmou.

O ex-secretário também manifestou durante a entrevista a opinião de que a Polícia Penal deveria voltar a ser vinculada à Secretaria de Segurança Pública, preservando suas atribuições próprias e contando com uma estrutura de comando compatível com a importância que atribui à corporação.
Sensação de insegurança e problemas sociais

Mesmo diante da redução dos indicadores criminais mencionada durante a entrevista, Avelar reconheceu que a sensação de insegurança continua sendo uma preocupação para parte da população.

Segundo ele, essa percepção nem sempre está relacionada exclusivamente aos números de crimes violentos. Há problemas urbanos e sociais que acabam repercutindo diretamente na percepção de segurança.

Um dos temas citados foi a população em situação de rua. Avelar apresentou sua avaliação sobre decisões judiciais relacionadas à abordagem dessas pessoas e argumentou que é necessário encontrar um modelo que concilie proteção social, atuação dos órgãos públicos e segurança.

O assunto foi tratado por Avelar como um problema que não pode ser resolvido exclusivamente pelas polícias. Para ele, determinadas questões exigem atuação conjunta de diferentes áreas do poder público.
Prevenção como principal desafio

Questionado por Paulo Melo sobre o maior desafio da segurança pública brasileira, Sandro Avelar foi direto: “A prevenção”.

A resposta resume parte das propostas apresentadas por ele durante a entrevista. Para Avelar, impedir que o crime aconteça depende de uma combinação de inteligência, análise de dados, tecnologia, presença das forças de segurança e políticas públicas integradas.

Ele também argumentou que o enfrentamento da criminalidade não pode ficar restrito às ações realizadas depois que um crime já aconteceu.

Dentro dessa estratégia, Avelar destacou novamente o papel da tecnologia e da capacidade de antecipar situações de risco.

Ministério da Segurança Pública
No cenário nacional, Sandro Avelar defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública separado de outras estruturas administrativas do governo federal.

O ex-secretário afirmou que a proposta foi discutida enquanto presidia o Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública e relatou que o tema reuniu representantes dos estados. “Segurança pública é um problema que não tem bandeira ideológica, não tem bandeira partidária. Segurança pública é problema de todos, da esquerda, da direita, do centro”, declarou.

Na visão apresentada por Avelar, a existência de uma estrutura federal dedicada especificamente ao tema poderia ampliar a coordenação das políticas nacionais de segurança e o diálogo com estados e Distrito Federal.

PEC da Segurança Pública
A PEC da Segurança Pública também entrou na pauta do FocoTalks. Avelar relatou sua participação, ao lado de outros secretários estaduais, nas discussões relacionadas ao texto.

Ele afirmou ter feito críticas à primeira versão da proposta e disse que os secretários construíram uma alternativa com sugestões dos estados.

Segundo o relato de Avelar, houve consenso entre os 27 secretários em torno do documento elaborado pelo grupo.

Para o ex-secretário, mudanças constitucionais e legislativas relacionadas à segurança pública precisam considerar a experiência dos estados, responsáveis diretamente por grande parte da execução das políticas na área.

Mudanças na legislação
A legislação brasileira foi outro ponto recorrente da entrevista. Avelar defendeu mudanças em leis relacionadas à segurança e afirmou que algumas questões que identificou durante sua atuação no Executivo dependem do Congresso Nacional para serem enfrentadas.

Foi nesse contexto que relacionou sua experiência profissional à decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. “Eu vou trabalhar onde o deputado tem que trabalhar, na mudança de leis”, afirmou.

Avelar argumentou que pretende levar ao Legislativo a experiência acumulada como delegado da Polícia Federal e gestor da segurança pública.

Retorno à Secretaria após 8 de janeiro
Em um momento mais pessoal da entrevista, Paulo Melo perguntou qual havia sido uma das decisões mais difíceis tomadas por Avelar ao longo de sua trajetória. “Eu acho que assumir a Secretaria de Segurança depois do 8 de janeiro”, respondeu.

Na mesma rodada de perguntas, o ex-secretário definiu “sensatez” como uma característica indispensável para um bom policial e “coragem” como uma característica necessária para um bom político.

Questionado sobre algo que não tolera na vida pública, respondeu: “Covardia”.

Candidatura a deputado federal
Na parte final da entrevista, Sandro Avelar falou diretamente sobre sua entrada na disputa eleitoral e sobre o que pretende fazer caso chegue à Câmara dos Deputados.

O ex-secretário apresentou a segurança pública como uma das áreas em que pretende concentrar sua atuação e afirmou que existem mudanças que não conseguiu implementar enquanto esteve no Executivo por dependerem de alterações legislativas. “Eu acho que o que eu não consegui, eu vou fazer como deputado no Congresso Nacional”, declarou.

Ao ser questionado sobre a razão de querer ocupar uma cadeira na Câmara, Avelar relacionou a decisão à disposição de enfrentar temas que considera difíceis. “Porque eu tenho coragem de enfrentar questões que outros tiveram oportunidade, mas não tiveram coragem”, afirmou.

A candidatura foi apresentada na entrevista como uma continuidade de sua trajetória profissional, agora direcionada ao Legislativo e à discussão de mudanças nas leis relacionadas à segurança pública.
União entre população e forças de segurança

No encerramento da conversa com Paulo Melo, Sandro Avelar deixou uma mensagem direcionada à população e aos profissionais que trabalham na segurança pública. “Que tenha fé que nós estamos todos do mesmo lado, que aquilo que preocupa a população preocupa também a mim, preocupa aos profissionais da segurança pública e que esse processo de construção tem que ser feito de maneira unida”, afirmou.

Ao longo da participação no FocoTalks, Avelar apresentou uma visão de segurança baseada principalmente em integração institucional, gestão, prevenção, tecnologia, participação da comunidade e continuidade das políticas públicas.

A entrevista percorreu desde os resultados e experiências de suas passagens pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal até debates nacionais sobre legislação, estrutura das forças de segurança e coordenação entre União e estados.

No campo político, Avelar apresentou sua candidatura a deputado federal e afirmou que pretende levar ao Congresso Nacional a experiência acumulada ao longo de sua carreira na Polícia Federal e na gestão pública, especialmente para atuar em propostas relacionadas à segurança pública.


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