Síndica profissional destaca diálogo, transparência e gestão de conflitos como desafios dos condomínios

Em entrevista ao Cidades e Condomínios Podcast, Isa Moreira relata os bastidores da administração de seis condomínios e aponta inteligência emocional, planejamento e tecnologia como elementos essenciais para uma boa gestão

Foto: Renato Santos.

Administrar um condomínio vai muito além de cuidar das contas, acompanhar obras e contratar funcionários. A rotina exige capacidade de negociação, transparência, conhecimento, firmeza e, principalmente, habilidade para lidar com pessoas. Essa é a avaliação da síndica profissional Isa Moreira, convidada do Cidades e Condomínios Podcast, apresentado por Paulo Melo.

Atualmente responsável pela administração de seis condomínios em regiões como Asa Sul, Asa Norte, Jardim Botânico e entorno de Brasília, Isa contou que sua entrada no segmento aconteceu quase por acaso. A necessidade de encontrar alguém para assumir a gestão do condomínio onde morava fez com que ela aceitasse o desafio. A experiência acabou se transformando em profissão.

Com o crescimento da atuação, veio também a necessidade de organizar uma rotina marcada por visitas aos empreendimentos, acompanhamento de obras, gestão de funcionários e fornecedores e atendimento aos moradores. Segundo Isa, administrar o próprio tempo e tornar o trabalho mais leve foram aprendizados importantes ao longo da carreira.

Gestão de pessoas é um dos maiores desafios
Embora problemas estruturais e técnicos façam parte do cotidiano dos condomínios, Isa considera os conflitos humanos mais difíceis de solucionar. Barulho, animais de estimação, crianças, divergências entre vizinhos e discussões em grupos de mensagens estão entre as situações que frequentemente chegam à administração.


Para a síndica, quem pretende atuar profissionalmente no setor precisa desenvolver inteligência emocional e saber equilibrar firmeza e acessibilidade.

Outro problema recorrente apontado durante a entrevista foi a circulação de fofocas e informações sem a devida apuração. Discussões iniciadas em grupos de moradores podem ganhar proporções maiores e obrigar a administração a recuperar atas e documentos antigos para esclarecer fatos e evitar novos conflitos.

Na avaliação da profissional, o síndico deve assumir uma posição de intermediador, ouvindo os envolvidos e buscando soluções sem desconsiderar os diferentes pontos de vista.

Transparência financeira ajuda a construir confiança
A gestão dos recursos do condomínio também ocupou espaço importante na conversa. Isa defendeu que os moradores tenham acesso claro às informações financeiras e compreendam como os recursos estão sendo utilizados.

Segundo ela, dúvidas sobre extratos, despesas e prestação de contas precisam ser respondidas pela administração. A falta de comunicação, mesmo quando as contas estão corretas, pode gerar desconfiança entre os moradores e comprometer a relação com o síndico.

A profissional também chamou atenção para um dilema comum: o desejo de reduzir a taxa condominial e, ao mesmo tempo, ampliar segurança, limpeza, manutenção e outros serviços. Na prática, destacou, cada melhoria ou contratação representa um custo que precisa ser considerado no orçamento.

Por isso, planejamento e previsão de despesas são apontados como fundamentais para evitar que o condomínio trabalhe apenas reagindo aos problemas.

Tecnologia transforma a administração dos condomínios
Aplicativos, câmeras inteligentes, controles de acesso, portarias remotas e assembleias virtuais já fazem parte da transformação tecnológica do setor. Para Isa, acompanhar essas mudanças deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para o síndico profissional.

Ela reconheceu que precisou adaptar seus próprios hábitos à digitalização, mas hoje considera a tecnologia uma importante aliada para aumentar a produtividade e facilitar tarefas administrativas. Durante a entrevista, Isa contou inclusive que utiliza ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, para auxiliar em atividades relacionadas ao trabalho.

A tendência, segundo a síndica, é de que os condomínios estejam cada vez mais conectados e automatizados nos próximos anos, inclusive com redução da presença de alguns serviços tradicionais e expansão de soluções virtuais.

A sustentabilidade também começa a ganhar espaço. Isa relatou que já acompanha condomínio interessado na implantação de energia solar e afirmou que empreendimentos que adotaram a tecnologia conseguem perceber diferenças nos resultados.

Diálogo como caminho para melhorar a convivência
Ao final da entrevista, questionada sobre qual conselho daria para melhorar a convivência entre moradores, funcionários, fornecedores e administração, Isa resumiu sua experiência em um ponto central: diálogo.

Para ela, conversar sobre os problemas antes que eles cresçam pode evitar conflitos maiores. Uma comunicação bem conduzida entre administração e moradores também contribui para uma gestão mais transparente e para um ambiente coletivo mais equilibrado.

A experiência relatada no Cidades e Condomínios Podcast mostra que a profissionalização da sindicatura acompanha uma mudança no próprio conceito de administração condominial. Mais do que cuidar de prédios, orçamento e manutenção, o síndico contemporâneo precisa administrar relações humanas e preservar o patrimônio coletivo.

Nesse cenário, conhecimento técnico continua sendo importante, mas competências como paciência, imparcialidade, transparência e capacidade de comunicação podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma gestão.




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