Com 83,9 milhões de negativados, empresas buscam alternativas para ampliar acesso ao crédito

Recorde de inadimplência expõe dificuldade de acesso a recursos e aumenta pressão sobre negócios que dependem de financiamento para sustentar vendas e capital de giro
O Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas negativadas em agosto, o maior número de inadimplentes registrado na série histórica. O cenário ocorre em paralelo ao aumento da procura por crédito: em julho de 2026, a busca cresceu 47,75% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil. Entre os consumidores consultados, no entanto, apenas 3,41% contrataram algum serviço de crédito, enquanto 38,48% apresentavam alguma restrição ativa. A combinação entre maior demanda e dificuldade de acesso coloca um desafio adicional para empresas que dependem de financiamento para concretizar vendas, manter o capital de giro ou oferecer condições de pagamento mais competitivas. Para o varejo, principalmente em segmentos de tíquete elevado, a restrição de crédito pode representar a diferença entre uma intenção de compra e uma venda efetivamente realizada. A mudança na relação das empresas com o crédito já começa a ganhar espaço: em vez de depender exclusivamente de bancos, cartões ou financeiras para financiar suas vendas, varejistas passam a incorporar estruturas próprias de crédito à estratégia comercial, com apoio de tecnologia e infraestrutura especializada. “Durante muito tempo, o varejista teve pouca participação na decisão financeira da venda. Ele conhece o cliente e sabe quais condições podem fazer sentido comercialmente, mas muitas vezes depende das opções definidas por terceiros. A tecnologia financeira começa a permitir mais autonomia nessa etapa, sempre respeitando critérios de análise e gestão de risco”, afirma André Bravo, CEO da Bankme. Crédito deixa de ser apenas meio de pagamento A proposta não é substituir bancos, cartões ou financeiras, mas ampliar as alternativas disponíveis para empresas e consumidores. Com uma estrutura própria, o varejista pode definir políticas de entrada, prazo e parcelamento mais alinhadas ao seu negócio e ao perfil de sua carteira, considerando capacidade de pagamento, risco e inadimplência. O movimento é especialmente relevante em segmentos nos quais o valor da compra torna o acesso ao crédito determinante para a decisão do consumidor, como veículos, móveis, eletrodomésticos, materiais de construção, máquinas e equipamentos. A lógica também muda em relação ao cartão de crédito. Em uma compra de maior valor, o consumidor pode comprometer parcela significativa do limite disponível. Para o varejista, transformar uma venda parcelada em caixa imediato também pode envolver antecipação de recebíveis e custos financeiros. “Não estamos falando em substituir cartão, banco ou financeira. São instrumentos que continuam fundamentais para o varejo. A mudança é ter mais uma alternativa e poder decidir quando faz sentido participar da estrutura de financiamento da própria venda”, explica Bravo. Tecnologia reduz barreiras para empresas Durante décadas, a criação de estruturas financeiras próprias esteve concentrada nas grandes redes varejistas, que tinham escala e recursos para desenvolver financeiras, cartões e sistemas de concessão de crédito. A evolução das chamadas techfins começa a reduzir essa barreira. Com tecnologia e processos especializados, empresas podem estruturar e administrar carteiras de crédito sem precisar desenvolver internamente toda a infraestrutura necessária para concessão, gestão e acompanhamento das operações. “Durante muito tempo, participar da operação financeira era uma possibilidade muito mais próxima das grandes redes. Hoje, a tecnologia ajuda a reduzir essa barreira. O varejista não precisa se transformar em banco ou desenvolver sozinho toda essa infraestrutura para ter mais autonomia sobre o crédito que ajuda a viabilizar suas vendas”, afirma Bravo. A possibilidade de integrar o crédito à estratégia comercial também altera a equação financeira da operação. Em uma venda financiada por terceiros, diferentes agentes participam do resultado financeiro. Quando a empresa passa a integrar essa estrutura, pode participar também do resultado gerado pela carteira, considerando custos de capital, operação, inadimplência e risco. “Uma venda financiada não termina necessariamente na margem do produto. Existe uma operação financeira acontecendo depois dela. Quando a empresa passa a participar dessa etapa, o crédito deixa de ser apenas uma forma de pagamento e pode se tornar também uma ferramenta de gestão e crescimento”, diz o executivo. Um mercado de R$ 2 bilhões em volume operado É nesse movimento que atua a Bankme, techfin especializada na estruturação de soluções de crédito e gestão financeira para médias empresas. Fundada em 2020, a companhia atua em 22 estados e atende negócios de diferentes segmentos da economia. Em 2026, a Bankme atingiu R$ 2 bilhões em volume operado e mais de 140 estruturas financeiras sob gestão, oferecendo infraestrutura tecnológica e operacional para que empresas desenvolvam soluções próprias de crédito dentro de seus ecossistemas. A tese é que, diante de um mercado em que a procura por crédito cresce ao mesmo tempo em que uma parcela relevante dos consumidores enfrenta restrições, a capacidade de estruturar diferentes alternativas de financiamento passa a ser também uma questão comercial para as empresas. Sobre a Bankme A Bankme é uma techfin especializada em soluções de crédito e gestão financeira para médias empresas. Fundada em 2020, a companhia atua em 22 estados e atende empresas de diferentes segmentos da economia. Em 2026, atingiu a marca de R$ 2 bilhões em volume operado e mais de 140 estruturas financeiras sob gestão.

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