Realizado em Ceilândia, evento gratuito contou com palestras de Leandro Karnal e Fabrício Carpinejar, além oficinas voltadas à inovação, inclusão e práticas pedagógicas
Mais de 700 profissionais da educação participaram, nesta sexta-feira (23) e sábado (24), da terceira edição do Congresso de Educação do Sesc-DF. Realizado na unidade Sesc Ceilândia Bartolomeu Gonçalves, o evento reuniu educadores, especialistas e pesquisadores em dois dias de troca de experiências, aprendizado e reflexões sobre os desafios contemporâneos do ensino.
Com uma programação diversificada e gratuita, o Congresso promoveu debates sobre práticas pedagógicas inovadoras, inclusão, tecnologia e o papel transformador da educação na sociedade.
A abertura, na noite de sexta-feira, foi marcada pela presença do historiador e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Leandro Karnal. Com a palestra “Educação para quê?”, o escritor e professor convidou o público a refletir sobre a importância do ensino, as transformações da sociedade e a necessidade de repensar constantemente os caminhos da educação.
Karnal destacou o papel do Sesc na promoção de espaços de diálogo entre especialistas e profissionais que atuam diretamente na formação de crianças, jovens e adultos.
“O Sesc tem sido uma alavanca nacional efetiva. Quando promove esse tipo de evento, está aproximando pensadores dos trabalhadores, trabalhadores do pensamento, para que se possa continuar pensando que a educação só terá futuro enquanto continuar debatendo a sua relevância e sua mudança”, afirmou.
Durante a cerimônia de abertura, o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo, ressaltou os investimentos realizados pela instituição na melhoria da infraestrutura e na capacitação dos profissionais das três unidades da Rede EduSesc no Distrito Federal. Segundo ele, essas iniciativas fazem parte de um compromisso permanente com a qualidade do ensino e a valorização da educação como instrumento de transformação social.
“Não há saída sem os estudos”, enfatizou o diretor regional.
A diretora de Programas Sociais do Sesc-DF, Cintia Gontijo, também destacou a importância da continuidade do Congresso, que chega à terceira edição consolidando-se como um espaço de formação, atualização profissional e compartilhamento de conhecimentos.
“Chegar à terceira edição do Congresso representa a continuidade de um compromisso social da instituição em ampliar o acesso à educação e contribuir para uma sociedade mais inclusiva, com mais oportunidades e melhores condições de desenvolvimento para todos”, afirmou.
De Goiânia para o Congresso em Ceilândia
A dimensão e a diversidade da programação atraíram profissionais de diferentes localidades. Foi o caso da professora de Educação Física Helen Dias, que saiu de Goiânia especialmente para participar do evento. Ela conheceu o III Congresso de Educação do Sesc-DF pelas redes sociais e decidiu aproveitar a oportunidade de ampliar seus conhecimentos.
“Vim especialmente para o evento. Achei sensacional, por ter uma grande dimensão e ser gratuito”, contou.
No sábado, os participantes tiveram acesso a uma programação distribuída em quatro blocos de atividades, com 23 oficinas que proporcionaram experiências práticas e apresentaram novas possibilidades para o trabalho em sala de aula.
Uma das atividades mais animadas foi a oficina de musicalização na Educação Infantil e nos anos iniciais, que contou com a participação de Helen. Ao som de músicas e em meio a dinâmicas que envolveram dança, ritmo e movimento, os educadores vivenciaram práticas que podem ser incorporadas ao cotidiano escolar.
“A musicalidade para esta idade é muito importante para a coordenação motora, ritmo e para o processo de desenvolvimento”, destacou a professora.
A oficina foi conduzida por Marcelo Tibúrcio, integrante do Grupo Matrakaaberta. Durante a atividade, ele demonstrou como a música pode ser utilizada como ferramenta pedagógica para estimular a criatividade, fortalecer vínculos e favorecer o desenvolvimento das crianças.
“Mostramos como trabalhar o lúdico com a parte musical e a parte de ensino dos professores. A música gera uma empatia, transforma a relação dos professores com os alunos, promovendo o afeto e, claro, o aprendizado por meio da socialização e do movimento”, explicou Marcelo.
Educação, inovação e os desafios do futuro
Além das atividades práticas, o III Congresso de Educação do Sesc-DF reuniu oito renomados palestrantes, que abordaram questões fundamentais para o presente e o futuro do ensino.
Entre os temas discutidos estiveram o uso da inteligência artificial em sala de aula, a aplicação da neurociência na educação, inclusão, equidade e diversidade, avaliação da aprendizagem, gestão de conflitos e estratégias para ampliar o engajamento dos estudantes.
A proposta foi aproximar o conhecimento teórico das experiências vivenciadas diariamente pelos educadores, incentivando a construção de ambientes de aprendizagem mais acolhedores, participativos e conectados às transformações da sociedade.
Encerramento com Fabrício Carpinejar
Para encerrar os dois dias de programação, o III Congresso de Educação do Sesc-DF recebeu o escritor e poeta Fabrício Carpinejar, que subiu ao palco do Teatro Newton Rossi, na unidade de Ceilândia, para apresentar a palestra “Educar é um ato de esperança: sentido, compromisso e transformação”.
Com reflexões sobre as relações humanas, a sensibilidade e a responsabilidade de quem educa, Carpinejar emocionou o público e reforçou a importância do papel dos professores na construção de uma sociedade mais humana e solidária.
"O Sesc é um fomentador de cultura, educação. Há muito tempo realiza esse pionerismo de integrar a comunidade para possibilitar a troca de experiência e, principalmente, fortalecendo bairros. A gente só engradece uma cidade fortalecendo bairros", afirmou Carpinejar.
O encerramento marcou a conclusão de dois dias dedicados não apenas à atualização profissional, mas também à valorização de quem faz da educação uma missão diária.
Ao chegar à terceira edição, o Congresso de Educação do Sesc-DF reafirma o compromisso da instituição com a formação continuada dos educadores, a democratização do conhecimento e o fortalecimento de práticas capazes de transformar a realidade de estudantes e comunidades.

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