No último domingo (1º), a Arena BRB — antigo Estádio Mané Garrincha — foi palco da final da Supercopa entre Flamengo e Corinthians, reunindo 71.244 torcedores. O número representa o maior público já registrado em partidas de futebol no local.
Em meio ao clima festivo, um episódio trouxe à tona lembranças do passado. O ex-governador José Roberto Arruda, atualmente inelegível por envolvimento em escândalos relacionados à construção do estádio, tentou acessar o gramado e um camarote reservado ao técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti. A tentativa foi frustrada, e ele acabou retirado do espaço.
A cena, considerada constrangedora, simboliza a profunda transformação pela qual passou o complexo esportivo e cultural de Brasília. Durante muitos anos, o Mané Garrincha carregou a fama de “elefante branco”. Construído para a Copa do Mundo de 2014, o estádio custou cerca de R$ 1,8 bilhão — valor muito superior ao inicialmente previsto — e esteve no centro de denúncias de superfaturamento, fraudes e pagamento de propinas.
Empreiteiras e agentes públicos foram alvos de investigações que alcançaram diretamente os ex-governadores José Roberto Arruda (PSD) e Agnelo Queiroz (PT). Ambos chegaram a ser presos em 2017, no âmbito da Operação Panatenaico, acusados de integrar organização criminosa e de lavagem de dinheiro. Embora os processos ainda não tenham uma decisão definitiva, a imagem de corrupção permaneceu associada ao estádio por longo período.
A virada começou com a adoção de uma gestão orientada a resultados. Durante o governo de Ibaneis Rocha, o espaço passou a se chamar Arena BRB e deixou de ser um equipamento subutilizado para se tornar um centro multifuncional. Partidas decisivas, grandes shows, feiras, eventos corporativos e atividades culturais passaram a ocupar a agenda, convertendo prejuízo em geração de receita.
Somente em 2025, mais de 1,6 milhão de pessoas passaram pelo complexo, movimentando hotéis, restaurantes e diversos setores de serviços da capital. Brasília, hoje, se afirma como um dos principais destinos nacionais para grandes eventos.
O contraste é claro: enquanto figuras centrais dos escândalos seguem impedidas pela Justiça, o estádio finalmente exerce seu papel social. O que antes representava desperdício tornou-se um ativo estratégico. A Arena BRB demonstra que erros do passado podem ser ressignificados, devolvendo orgulho à cidade e colocando esporte e cultura a serviço da população brasiliense.
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